Silva

Silva

n. 1987 BR BR

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n. 1987-11-19, Nova Iguaçu

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Chá das três

Chá das três

 

Tornei-me quem um dia acreditava nunca poder ser

Tornei-me inteira com você

Contornamo-nos feito um laço

O medo ficou atrás daquela porta

Renunciamos nosso passado

Deixamos nossos pés descalços

Vejo seu leve sorriso, sorrio

Sinto a leveza do seu lar, agora meu

Acomoda-me junto aos seus sonhos, não mais medonhos

Ganhamos infância, nossos dias incendeiam

Quando coloco à mesa mais bonito não há

Meu chá das quinze horas

Fico a esperar-te

Como a passagem de um livro

Fico presa neste capítulo

Não quero avançar

Quero reviver-te quantas vezes forem precisos

Reler-te até meu chá esfriar
Ler poema completo

Poemas

13

Interior

Interior

 

Carrego comigo a certeza que o encontrarei

Procuro-te, olho a cada nova esquina

Esbarro em ombros na calçada

Sigo em frente sem dizer nada

Certas vezes sinto-me cansada

Busca que parece não cessar

Sem ser ouvida, ao menos compreendida

Sigo em frente sem ter nada a dizer

Decido viver como se você já estivesse aqui

Olho para o mundo e vejo

Abro a janela do presente

Descortinaram-se as memórias

Pinto as paredes do meu corpo de vermelho

Cuido minuciosamente do meu interior

Encho-me de vida, limpo toda mágoa ou rancor

Forro a mesa com gratidão

Perfumo a sala com honestidade

Meu olhar ganha a amplidão

Acendo as luzes na penumbra do meu ser

Eis, que agora, chegas você.
275

Ai amor

Ai amor, eu vivo no Arpoador
Lançando meu olhar no horizonte cor de rosa
Banhado pelas águas salgada, as vezes dourada
Pensando no que passou...

Ai amor, eu vivo no Arpoador
Rindo acompanhada das pedras
Escolho uma e a faço companhia
Que me faz lembrar do nosso dia a dia...

Ai amor, eu vivo no Arpoador
Segurando um galho seco e riscando o chão
Desenhando meus dilemas, enquanto sinto a brisa bater...

Ai amor, eu vivo no Arpoador
Relembrando cada momento, tormentos
Que não me deixa esquecer o que passou...
Ai amor, eu vivo no Arpoador

335

Trevo de quatro folhas

Quanto custa uma vida sincera
Quanto custa ser você, qual o valor
Preciso entender, como faço para chegar até você
Te vejo e desejo apenas um abraço
Aquele abraço que enlaça, que toca a alma
Te sentir de verdade, descobrir você
Uma vida modesta, será que presta
Aquela vida onde o sorriso é solto
Caminhar com pés descalços, mãos no bolso 
Uns trocados para sobreviver
E quem sabe ter você...
Na dúvida carrego um trevo de quatro folhas
E mais alguns patuás
Uma garrafa de ciroc
E meu olhar atento
237

Fica mais

Todo dia faço o mesmo pedido
Fica mais, com um pouco de preguiça
Te abraço, logo já estou em cima de você
Te beijo demoradamente e bagunço seu cabelo
Me encaixo em você e nos tornamos um
Suados, lado a lado, mudos
Sorriso tímido e mãos dadas
Por alguns instantes os segundos param
E desejamos que eles não acabem nunca
Existe uma realidade lá fora
Pessoas que caminham sem direção
Olhares perdidos, sem emoção
Dentro de mim estou em festa
Sinto gratidão pelo que acabo de sentir
Tenho pesar em ter que me levantar
Não quero que esse momento acabe
Fujo das horas, não quero me refazer
273

Arnaldo

Disseram que você partiu
Estou aqui nessa sala sem saber o que falar
Minha voz presa, palavras secas me engasgam
Tinha tanto para lhe falar, mas você partiu
Sinto você vivo aqui dentro de mim
Meus dedos percorrem esse teclado
Buscam palavras para homenagia-lo
Gostaria de lhe falar sobre a fotográfia que vi 
Perdida na parede de um botequim
Era uma foto do Rio, Santo Cristo
Mas disseram que você partiu
Gostaria de lhe falar sobre o texto que escrevi
Falar da chuva que caí, enquanto tirava notas e melodias
Mas você partiu...
Que sua viagem seja tão viva quanto suas palavras 
Que tenha tantas cores quanto sua fé
Que tenha tanta alegria como seus dias
Que siga com a mesma paz que trouxeste a nós
Que o entusiasmo de sua alma permaneça entre nós
Vá em paz amigo...
317

Chá das três

Chá das três

 

Tornei-me quem um dia acreditava nunca poder ser

Tornei-me inteira com você

Contornamo-nos feito um laço

O medo ficou atrás daquela porta

Renunciamos nosso passado

Deixamos nossos pés descalços

Vejo seu leve sorriso, sorrio

Sinto a leveza do seu lar, agora meu

Acomoda-me junto aos seus sonhos, não mais medonhos

Ganhamos infância, nossos dias incendeiam

Quando coloco à mesa mais bonito não há

Meu chá das quinze horas

Fico a esperar-te

Como a passagem de um livro

Fico presa neste capítulo

Não quero avançar

Quero reviver-te quantas vezes forem precisos

Reler-te até meu chá esfriar
380

Na sua vida

Sinto a liberdade me tocar suavemente
Enquanto caminho contra o vento que toca meu rosto
Sinto aroma de amores e caminho sozinha
Carrego a leveza que minha alma tanto precisa
Precioso é o silêncio de estar em minha própria companhia
E não contar meus passos, caminho sem saber aonde vou chegar
Apenas carrego a certeza que minha alma tanto precisa
Que vou alcançar você sem que me perceba
Na sua distração estarei lá, em suas imediações também
Estarei presente mapeada em suas linhas
Explorando o céu da sua boca com minha língua
Me perdendo nas calçadas do seu corpo
Fazendo seu mundo mais louco
Me perdendo em você até que possas perceber
Que já não existe meu eu sem você
Estou sem pressa, tenho veemência  
Carrego a certeza que minha alma precisa.



244

Meu mundo

Aqui nessa visão privilegiada
Sentada à mesa na calçada
Posso observar cada rosto que passa
Eu, mal vestida e despreocupada,
Não me importo com o tempo que passa
Estendo minhas pernas sobre a cadeira
Quase uma preguiçadeira
Sinto descer gelado o malte fermentado
Minha indisciplina, minha regra
Se meus dias estão alheios a minha vontade
Sigo despreocupada, não posso fazer nada
Minha alma segue leve, quase embriagada
Meu olhar hoje tático
Entrega o que tenho para compartilhar
Meu silêncio, minha verdade
Falei tudo que tive vontade
Agora se foi de verdade
A distância entre você e meu mundo
Só quando vc pular o muro
Vai saber...
E.S.
286

Despreocupada

Aqui nessa visão privilegiada
Sentada à mesa na calçada
Posso observar cada rosto que passa
Eu, mal vestida e despreocupada,
Não me importo com o tempo que passa
Estendo minhas pernas sobre a cadeira
Quase uma preguiçadeira
Sinto descer gelado o malte fermentado
Minha indisciplina, minha regra
Se meus dias estão alheios a minha vontade
Sigo despreocupada, não posso fazer nada
Minha alma segue leve, quase embriagada
Meu olhar quase tático
Entrega o que tenho para compartilhar
Meu silêncio, minha verdade
Falei tudo que tive vontade
Agora se foi de verdade
A distância entre você e meu mundo
Só quando vc pular o muro
Vai saber...


425

ATRÁS DA PORTA


GANHEI FORMA REDUNDANTE, COM O AGRAVANTE
DE NÃO SER MAIS A MESMA DE ANTES
PRECISEI ESBOÇAR SEUS ANSEIOS E MEDOS
COMPREENDER O QUE TE FAZ VERDADEIRO
PRECISEI PASSAR PELOS POROS
INVADIR O DESCONHECIDO
TOCAR A CADA CENTÍMETRO 
ENCOSTAR EM SUAS PAREDES
OUVIR A MÚSICA QUE TOCAVA EM VOCÊ
FECHEI MEUS OLHOS E TIVE MEDO
ERA PROFUNDO, E MUDO
SILENCIEI MEUS PENSAMENTOS PARA CHEGAR AOS SEUS
ME ABRACEI AO QUE ESTAVA ALI PRESENTE
SEM MUITAS INFORMAÇÕES OU PARAMETROS 
TENTEI SER FORTE E NÃO DESISTIR
ME SENTI SOZINHA NESSA BUSCA
MAS PRECISAVA PROSSEGUIR
REFORMULEI MINHAS IDÉIAS
MUDEI MEUS SAPATOS
E O ÚNICO BARULHO QUE OUVI
FOI DA SUA PORTA SE TRANCANDO ATRÁS DE MIM
ESTOU AQUI PRESA, SENTADA A ESTÁ MESA
LIMITADA A TE OBSERVAR
TALVEZ CONSIGA IR AONDE ESTÁ SEU PENSAMENTO
E POR UM ÚNICO MOMENTO
ME ENCONTRAR COM VOCÊ.








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Comentários (3)

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Dulciney Verediano
Dulciney Verediano

Maravilhoso

Silva

me adc no insta spina.eunice

silveira

Ótima poesia. Me reflete.