Silva

Silva

n. 1987 BR BR

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n. 1987-11-19, Nova Iguaçu

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Chá das três

Chá das três

 

Tornei-me quem um dia acreditava nunca poder ser

Tornei-me inteira com você

Contornamo-nos feito um laço

O medo ficou atrás daquela porta

Renunciamos nosso passado

Deixamos nossos pés descalços

Vejo seu leve sorriso, sorrio

Sinto a leveza do seu lar, agora meu

Acomoda-me junto aos seus sonhos, não mais medonhos

Ganhamos infância, nossos dias incendeiam

Quando coloco à mesa mais bonito não há

Meu chá das quinze horas

Fico a esperar-te

Como a passagem de um livro

Fico presa neste capítulo

Não quero avançar

Quero reviver-te quantas vezes forem precisos

Reler-te até meu chá esfriar
Ler poema completo

Poemas

62

Trilhar

Faça da sua vida a grande trilha, caminhar mesmo quando o chão estiver úmido e escorregadio, nas costas carregar o peso da experiência e ergue a cabeça e olhar sempre em direção ao cume mais alto! Celebrar a vida a cada passo dado, sorrir quando o suor escorrer, contemplar ao seu redor sempre que parar para descansar e manter a serenidade dentro de vc.
E.S.
213

Desencarne

Sonho que caminho sobre folhas secas
Numa tarde de inverno e estou bem agasalhada
O barulho que faz ao pisar sobre elas 
Me traz um sentimento pueril
Estou sozinha nessa estrada
O vento toca meu rosto 
Trazendo a certeza que sigo na direção certa
Com minhas mãos no bolso, ah! estou usando touca!
Sinto a paz me invadir
Na beira dessa estrada tem uma parte acidentada
Logo, escuto um riacho
Não consigo acreditar, corro para ver
E lá está... água cristalina fluindo entre as pedras
Fico ali parada, entre pedras água e estrada
Como foi longa minha jornada
Parece que tenho de ir embora
É chegada a hora.
Fecho meus olhos, me preparo e reabro
E ainda estou aqui...
318

Estrangeira

Lembro-me que quando me perguntastes por quê era tão distante
Refurtei no primeiro momento, não queria ser um tormento
Como explicar a distancia que carrego em mim
Sou estrangeira nessa vida, trago comigo outro dialeto
Por mais que viaje não chegarás nem perto
Venho de um lugar que também desconheço
Não sei nome das ruas que percorri para chegar aqui
Quais foram as experiências que formaram esse Eu
Sinto saudades em momentos inoportunos
E só passa quando fecho meus olhos e medito
Como me transportasse para outro mundo
E lá tenho afago, me sinto segura
Não existes nomes, referências ou mesmo algo palpável
Existe apenas Eu...
Sim, vivo distante de tudo que o cerca
Meu olhar sobrecarrega 
Gostaria de poder te explicar de onde vim
Mas estou perdida em mim.
187

reflexão

Hoje bateu nostalgia
Achei que já estivesse depurada
Que você não mais existia aqui dentro de mim
Me esforço para não fechar meus olhos
Pq quando os fecho é você quem vejo
Fico relembrando seu beijo
Do seu encaixe perfeito
E o calor do desejo
Falta-me compreenção
Pois a vida anda sem cor
Pessoas não falam em amor
E quando encontras quem te faz bem
É quase um desastre de trem
O que era silenciado pela vontade de estar
Dava o lugar ao nosso mundo paralelo
Nele não existia muitas cores
Era branco no preto mesmo
Tinhamos  uma cama, as vezes água
Quatro paredes como cúmplices
Nessa amiúde vontade 
Não pude ver você se afastar
Estou aqui cansada
Sem seus braços para deitar
Ainda mato quem inventou a saudade 
É só por uma questão de sobrevivência
Não sou adepta a violência



240

Mora em mim

A poesia que mora em mim
Foi cultivada entre flores e alecrim
Poesia doce, que me afaga
Deitada ao relento desse jardim

A serenidade que me traz
Carrega meu olhar de amplidão
Caminho sem pressa para me encontrar
Carrego apenas a certeza de chegar

Distraida tropeço em pedras
Ralo meus joelhos
Bagunço meu cabelo
Ainda sim tenho a certeza que hei de chegar

No cume da realidade
Abrindo meus braços sobre a insanidade
Deslizando sobre a moralidade
Me jogando na imensidade
Me perco em seu olhar
Sabendo onde vou chegar


208

Poeta


A poesia é o antidepressivo do poeta
Não nos importa a dosagem correta
É a automedicação pueril
Não importa se a inalou ou a engoliu
Os versos são nosso marca tempo
Descrevemos cada momento
Reais e fragimentados
Fingidos ou inventados
Não nos importamos com a reação
Sua interpretação é mero acaso
Somos egoístas e escrevemos nossa vontade
Nos multiplicamos e ao mesmo tempo somos um
Ninguém sabe ao certo a razão de ser do poeta
Se ele fecha ou deixa a porta aberta
O valor da solidão nos custa caro
Gastamos cada tostão em rum, tinta e papel
Somos a nossa melhor companhia
Mas valorizamos o amor com sintonia
Nada para nós é pouco
Fazemos desse mundo louco nosso teatro
De personagens principais aos bastidores
Somos muitos e nos sentimos poucos
Recolhemos cada escrito
E engavetamos por discrição

Eunice Spina


223

dialeto

cansada me permito sentar
mãos que já passaram pelo cabelo
estão sobre as pernas batendo ritmadas
decidi não mais pensar, apenas sorrir
não mais pensar pq a cabeça dói
dialetos atravessados
vindos do interior de nós mesmos
regiões confusas sobre variantes
me questionei por horas a fio
será que seria melhor a mudez
porque quando conversamos
vamos nos distanciando
e construimos cercas, depois muros, logo fortalezas
menos pontes
Ja me senti num único dia
fazer a atravessia da mesma fronteira umas três vezes
e volto ao mesmo lugar
aqui sentada batendo com as mãos ritmadas
desejando ser sufocada
pela língua sua


268

desculpas

Quero poder me desculpar
Não sei por onde começar
Dou passos desordenados
Sei saber aonde vou chegar
Peço silêncio para essa multidão que habita em mim
Preciso me concentrar
Cabeça dói, meus olhos estão quase cegos
Quanto mais eu me olho, menos eu enxergo
Procuro argumentos sinceros
Busco em mim a verdade
Não a encontro
Sinto-me estafada
Quase cansada
Ainda sim preciso me desculpar
Quero revelar minhas idéias
Te trazer boas novas
Ver seu sorriso pra eu me encantar
Não sei por onde começar
Caso você não queira me desculpar
Por minha falta de jeito em falar
Saiba que mesmo aqui perdida
Estou tentando me encontrar
Está sendo trabalhoso
Revirando tudo aqui dentro
Preciso dos argumentos
Talvez assim possas me desculpar...
342

Marias

Perdida nessa multidão que existe em mim
Existem Marias transitando neste corpo feito calçada
Desgarradas nem se esbarram
Mas fico aqui observando o que há
Parece que vou me afogar nesse mar de Marias
Aventuradas caminham a procura
Sequer sabem aonde querem chegar
Passos e risos desordenados
Quase corro procurando um abrigo
Quero observar de longe
Onde as Marias irão parar
118

Madrugada

Caís-tes quase desfalecido ao meu lado
Trocamos olhares e imediatamente fechamos nossos olhos
E respiramos... sorriso tímido surge
Peço silêncio nesse instante
Acabamos de tocar nossa música
Dançamos em nosso ritmo único
Trouxemos o encontro do dia com a noite
Quatro da manhã celular desperta
Eu nem sei se você existiu
Se criei um devaneio
Apenas sinto minhas pernas tremulas
E a alma leve...

E.S.
03/07/18
235

Comentários (3)

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Dulciney Verediano
Dulciney Verediano

Maravilhoso

Silva

me adc no insta spina.eunice

silveira

Ótima poesia. Me reflete.