Abre a mente ao que eu te revelo
e retém bem o que eu te digo, pois não é ciência
ouvir sem reter o que se escuta.(Dante Alighieri)
Um homem apaixonado por poesia.
Tento traduzir os pensamentos na fidelidade que estes me concebem.Não tenho a pretensão de ser poeta,e se por acaso as palavras me metamorfosear em algo parecido,não me culpe;apenas me perdoe.(Sirlânio Jorge Dias Gomes)
Vaya corazón, En este tempestuoso mar del amor, Pero no te olvides de llevar el salvavidas, Pues si pasa de caer, No te ahogas.
470
Alma
Tantas coisas escrevi neste papel, Que depois de tanto tempo, Tornaram-se invisíveis minhas dores, Bondades rarefeitas, Borradas pela morte, Voejando o infinito, Sem saber onde pousará, Esta folha ruvinhosa, Solta ao vento do desconhecido.
436
Desprendimento
De tudo que vivi, Fui o que me deste, No imperfeito amor, Espinhos em flor, Noites sem lua, Dias sem sol. Em todas as estações, Percebi a grandeza de si, Esmero das emoções, Olhar altivo da beleza, Simplicidade do querer, Ardendo de cumplicidade. Teu perdão me tocaste, Em cada perda mim, Entremeios do existir, Dialogando a verdade, Ruídos da tempestade, Vozes de chuva, Brincando com o vento, Entre as trovoadas, Iluminando as trevas. Quando partirmos, Levaremos a paixão, Desejos em eternidade, Perdão iluminado, Tantas vezes doado, Sob sorrisos e lágrimas, Exequível dever consentido.
444
Sobriedade
Coitado de mim, Fui me refrescar na brisa leve, Pensando que era amor, O que de ti esvaía, Fui destroçado por uma tempestade, Que sacudiu minha ilusão. Não me matou, Mas me devolveu à realidade, De agora em diante, Terei mais cuidado, Não deixarei meu coração, Ser seduzido pelo umbrático vento.
436
Completude
Em teu olhar, Percebi desabrochar a flor, Pétalas sorridentes perfumadas, Da luz emanada do teu ser, Que misturada as minhas lágrimas, Versejou um arco íris de felicidade. No silêncio amei o seu desejo, Respiração a embalar tua voz, Música dos teus lábios irrequietos, Serenando minh'alma enamorada, A desenhar teu corpo no meu, Visão platônica dos meus sentidos. A tua partida se fez saudade, Ansiosa recordação de si, Ensejo cálido do tempo, Ao meu coração carente. Cativa memória desperta, Beleza em ti adorável vela, Este poético desvelar do amor, Entre as sementes da noite, A germinar entre as manhãs, Perdidamente em teus braços.
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Valsa das borboletas
Lepidópteras fádicas em sinfonia, Revoluteiam no ar sob o imenso céu, Pulsando entre as flores, Beijando a vida em si tão curta, Dançando entre as cores, Ensaiando a eternidade tão bela, Efêmera alegria de um par de asas. Bailam freneticamente, Ornando sonhos em alegria, Despertando sorrisos, Imitando o paraíso, Imensidão multicoloridas, Sublime poesia. Verseja a crisálida em silêncio, Toque de Deus em bela arte, Aformoseando o infinito das coisas, Metamorfose de inspirações, Aquarelas perfeitas, Inefável pintura celeste.
483
Litígio
Sei que existo, Finitude infinita, Solícito firmamento que me abriga, Andejar revoltosa fuga, Sombra de outras sombras, Louco disfarce de humanidade. Mira o poente minha ilusão cansada, Beijo o pó meu manto, Quando abro a janela, Abro a porta, Destino incógnito vício, Caminhar entre as alcateias, Sorrateiros amigos entre sorrisos. Tantas mãos empunhando facas, Entre perfume e morte, Pés vacilantes tal vaidade, Casamata de estranhos, Irmãos sem rosto, Ouro de tolo trazem, Vil pecúlio da solidão.
465
Falando de amor...
Coitado do amor, Escondeu-se no tempo, Vestiu-se de vento, Pediu a razão que o advogue, Andam por aí difamando teu nome, Chamando-o de qualquer futilidade.
459
Liliáceas
Purpúrea libido o amor beija, Pétalas de infindas matizes, Teus sentidos osculam o desejo, Violáceo silêncio enredado, Corolas aos olhos aufere. A luz revestido manto, Erma beleza de encantos, Tez velada afaga Fausto bulbo ameigado. Negro véu azulada noite, Secular elegância encobre, Vigorosa flor encena lança, Alvitre sentido avista.
482
Surreal
Trova o louco para escuridão, Embotado arauto proferido, Cesura em voz lânguida, Tremenbunda mãos ávidas, Sentença professa da tristeza. Apagam-se as luzes, Desbotam-se as cores, Pelejam os astros, Em seus bosques celestes, Raízes de pedras, Endeusados em seu limo. Encontre o veio do rio, Sacie a sua sede e sangre. Não me deseje esta noite, Sairei e serei brisa, Ou quem sabe uma estrela, Infinita lá no céu. Estarei em teus lábios, No gosto do beijo, Na vontade de me querer. Sente em sua varanda, veja o que nunca vistes, Sinta o que jamais quisera, Não esqueça de abrir a janela, Perceber o que antes não via. Deixo o meu sorriso em tua lembrança, Esse passáro de asas feridas, Liberto no palato firmamento, Sobrevoando a simplicidade, Onde a sombra não me alcança.