Abre a mente ao que eu te revelo
e retém bem o que eu te digo, pois não é ciência
ouvir sem reter o que se escuta.(Dante Alighieri)
Um homem apaixonado por poesia.
Tento traduzir os pensamentos na fidelidade que estes me concebem.Não tenho a pretensão de ser poeta,e se por acaso as palavras me metamorfosear em algo parecido,não me culpe;apenas me perdoe.(Sirlânio Jorge Dias Gomes)
Plenamente conduziste-me, Inteiraste de mim perfeitamente, Amou-me sem limites, Traduziu minhas vontades sublimes, Apaixonadamente extasiou-me, Sondou meus segredos habilmente, Ocasionando-me desvarios. Incrivelmente fundiu-se a loucura, Descobriu o fulgor de amar. De modo inacreditável, Nos transportamos em plenitude; Corpos entrelaçados indúbitavelmente.
496
Barca da ilusão
Despertai de ti mesmo, Sinta o bálsamo que te consome. Descei até o íntimo de vosso amor, Sentimento confuso do teu infortúnio. O rio de tua fúria te conduz, Ao mundo infinito de tua insanidade, A tua alma translúcida regenerai, Monstros ferozes de suas fantasias, Velejai e libertai vossos enganos, Vícios que te aprisionam no inferno. Resista heroicamente, Aos espasmos de tua vontade, Subjugue-as ao seu juízo, De onde vem estas vozes, Insistindo em meio as trevas? Demônios assolam a sua coragem, Querem roubar a sua sensatez, Nestas águas sombrias. Logo alcançará o seu destino, Se fores forte, Encontrarás a luz, Dissipando a intemperança.
501
Ensaio
Ateste o desvelo em penoso fardo, Do manancial ao fino trato, Que de rancor não padeça; Quem o amor ousou tocar. Em versos exaltados, Segue a alma em devaneios, Solicitude enamorada; Feito brisa a balouçar. Do olhar a esperança, Ensejo póstumo recolhido, Vai o ser em seus ditames; Regando as pedras do caminho. Das lástimas o desalinho, De murchas flores envolvido, Deixa o mundo constrangido, Sem saber do que se foi.
549
Lucano e rúbria
Casto amor de face encantadas, Corramos pelos campos da inocência, Entre rubores pueris, Fartos aos deleites enamorados da pureza. É teu o meu olhar, Mirando o doce pulsar da juventude, Meu coração tomastes, Revelando a eternidade imutável. A nossa candura desabrocha de amores, Flores virginais a perfumar o infinito. Teu hálito é refrescante como a romã, Teus lábios vertem mel, Adoçando minh'alma extasiada. Os dias são como diamantes, Perfeito tesouro de nossa alegria, As noites são longas, A esperar-te que me sigas. A morte não nos separará, Teu espírito estará em mim, Doce lembrança de tua ternura. Quando o elísio te tocar, Seguirei adiante bravamente; Sob as infinitudes de minha humanidade. A tua cruz guardarei, Descobrirei o véu da ignorância; Revelando o Deus desconhecido. A sua luz brilha em mim, No profundo amor que me cativaste.
Inspirado no romance Médico de Homens e de Almas TAYLOR CALDWELL
591
Apanágio
Fecho os olhos... Um movimento seduzindo o tempo, A beleza dos seus passos precisos, Música do seu sorriso a me envolver, Lentamente meu corpo segue as ondas, Num profundo mar de intensidade, Sensualidade desperta de nós dois. A alma dança abraçado a felicidade, Versejando o amor em seus contrastes, Imerso ao adágio universal do eu, Tom desta sinfonia de traços nobres, Atributo enamorado da razão.
524
Humana Flor
Humana flor latente, De pétalas homicidas, Que és do nascer ao por do sol, Senão um diário da morte!? O fim te aguarda sorrateiro, Fino banquete das ilusões; Cova dos sonhos e da soberba. Os vermes devorarão sua carne, Restando apenas impressões; Deixadas nos rastros de vossa existência. Sois o que sois, Na cegueira dos seus dias; Proferindo injúrias em si mesmos. Da satisfação ao desagrado, Procissão de murmuradores; Nascidos mortos antes de nascer. Humana flor latente, Murchando vagarosamente; Diante do caos que os açoita.
579
Quebra-cabeça
Complexa angústia , Traços mórficos da agonia, Cruel enigma das ilusões; Por que nos persegue? A miséria das tentações nos ferem, Mata os sentidos e os ressuscitam, Metamorfoseando o arrependimento; Escárnio pútrido do perdão. Diga-me vil senhora, Qual é o suplício de tal fatalidade? Lamentos ecoam pelos ares, Ruídos para ouvidos desatentos; Canções para os indiferentes. Onde estão o que nos ouvem? Será que pereceram antes da chegada? Cegos e surdos vivem suas eternidades finitas, Mortos em suas razões tragicômicas.
518
Diligência poética
Convite inopinado, Bravo açoite que afronta, O servo em seus dizeres, Máximas de uma sujeição. Das mazelas a felicidade, Segue cativo em seu destino, Desfilando em suas entranhas, O orbe fantástico em suas realezas, Casta alquimia de traços amórficos. Em cada ato o prodígio invisível, Arrasta o ser esvaindo-se, Gotejando de si sentimentos, Enquanto a alma oscila em seu universo.
526
Reflexo
Se queres uma poesia, Não tenhas medo, Olhe-se no espelho, Verás os versos fiéis da sua vida; As rimas mais francas, A métrica mais que perfeita, Verdade dos teus sentimentos; A rebuscar no tempo. Se queres, Pode mudar tudo, A seu gosto, Evoluir em suas atitudes, No seu estilo, No fim de tudo; Sorrir ou chorar, A poesia é sua, O final, é você quem edita.
517
Renúncia
Acordei bem cedo, Bem cedo acordei, Acordei com o destino, Que leve minha desventura, ventura desmedida, Sem tino, Para bem longe, Onde a dor do amor se esconde, Para nunca mais voltar.