Abre a mente ao que eu te revelo
e retém bem o que eu te digo, pois não é ciência
ouvir sem reter o que se escuta.(Dante Alighieri)
Um homem apaixonado por poesia.
Tento traduzir os pensamentos na fidelidade que estes me concebem.Não tenho a pretensão de ser poeta,e se por acaso as palavras me metamorfosear em algo parecido,não me culpe;apenas me perdoe.(Sirlânio Jorge Dias Gomes)
Ao silêncio de olhos oclusos, Recolhe o ser sob a inquietude Da sonhada paz magnitude, Sereno respirar em tempos confusos.
Da peleja resoluta a solicitude Bravo viver em passos infusos, Forjado em prantos profusos, Na glória da grata virtude.
Além do existir, a dignidade; Marcada em laços quebradiços, Do tempo que a consome.
Na tristeza a desigualdade, Nas mãos castigadas o viço, Desabrochando a simplicidade.
622
Cela
Aqui, Neste canto de minha liberdade, Te ofereço meu abraço, Arraigando das entranhas a timidez; Balada solitária de um ser em melancolia. Teu olhar se apagou, Quando na insensatez, Matou meu amor, Ao lançar no esquecimento minha face. Meu coração escarlate pranteia na escuridão, A flor não colhida do jardim, Sufocada na imensidão do desatino. A beleza se foi sem meu consentimento, Levando consigo a esperança; Que despediu-se com um sorriso irônico. Aqui... Nesta tempestade de vultos, Vou sangrando lentamente, Girando feito redemoinho que logo se extingue. Num canto qualquer desta dor, Vai-se o ser e fica a fera; Devorando insanidades.
698
Correntezas
Em meio as dores do século, Segue a humanidade esvaindo-se, Ato frenético de loucuras, Marchando feito animais ao abatedouro, Travando guerras invisíveis, Deixando o ser e revelando a fera, Imitando a razão que se perdeu, Na voracidade de suas insanidades. Nos entremeios de suas infiéis verdades, Cometem suicídios em suas interjeições, Bordões contumazes em corpos pútridos. Na eternidade decadente da escuridão, Jazem as covas dos mortos vivos, Envoltos pelo jardim da ignorância, Assombrados por seus fantasmas, Indecifráveis reflexos de seus desvarios.
524
Flor de lótus
Um lodo sem beleza aparente, Surge iluminada na áurea mística do sagrado, Elevando-se em sua majestade natural, Inundando de beleza os olhares mais céticos. Das trevas à luz em primavera preciosa, Exala de si o encanto em poesia perfumada, Aos olhares diversos em admiração, Encantando os corações meditação silenciosa. A natureza se revela em estado de graça, Ditando emoções em simplicidades tão castas, Uma joia orgânica transcende o inescrutável, Ofuscando o brilho do diamante mais raro. O criador em sua obra incomparável, Fez em segredo uma poema espiritual, Soprou no ar lançando as sementes de lótus, Que trazia em si um grande sinal; A luz em forma de flor.
Sirlânio Jorge Dias Gomes
1 742
Mulher
Há tanta prosa sem prosa, Que nos lábios endossam, As que não sabem ser mulher, Em seus jeitos, trejeitos e desjeitos, Querendo o que não se sabe, Sabendo do que não se conhece. Há tantos choros escondidos, Em seus ais no meio da noite, Pesado açoite em seus labirintos, Corações famintos de liberdade. Há tantas mulheres em seus silêncios, Pedindo socorro em seu olhar, Enquanto manuseiam tempestades, A cada sentimento sentido. Há mulheres de todos os tipos, Governando seus mundos e submundos, Em suas conversas controversas, As vezes sã, outras vezes absurdas, Mas que são vozes.... Ecoando pelo mundo. Há tantas mulheres que são surdas, Que levam surra da vida, Por amar de menos ou amar demais, Se contorcendo em suas penas, Discorrendo entre o bem ou mal. Há muitas mulheres discordantes entre si, Há muitas mulheres... Exemplares, malditas e benditas, Cada qual em seus ensaios, A vida em soslaio, Aguardando o enredo final.
601
Camafeu
Ao querer inconstante, Fito os tons da minh' alma que se esculpe, Revelando formas intangíveis do eu, Saliências humanas em seus dissabores, Emoções a ornamentar o caminhar impreciso, Declinando entre abismos e certezas, Estranhezas de um ser tão frágil, Severidade da vida no interior que se ajoelha, Lavrando o espírito que insiste em rebelar-se.
545
Alucinação
Loucura? Esta mistura de tudo, Este ser em agonia. Gritando dentro de si, Revelando ao mundo seus ecos, Brisas dolorosas da razão ferida. Demente sabedoria, Na voz silenciosa que se revela, Sangrando em cada som, Nos lábios amordaçados do estranho. Os pensamentos vão serpenteando, Debochando do caos na mente petrificada, Pelas imagens de um calabouço tão frio. As mãos cobrem os olhos em desespero, Enquanto as lágrimas lavam a humanidade, Entre seus labirintos de sobriedade. Loucura! Pesado delírio da alma, Desaguando o furor da substância, Relutando o profundo despertar, Entre as fronteiras do eu peregrino.