Lista de Poemas

As Fases do Tempo

O tempo é cheio de fases
Em cada fase um sacrifício removido
N'outra fase um sonho edificado
Um risco benefício decidido
E com base nesse exercício se conclua
É um insista todo tempo invista e abrase
Até que a grua te levante e leve à lua
Até que o alicerce esteja pronto e te construa...
Em verdade simplesmente vos depure
Feito prece lhe dê força e lhe estruture
O tempo é inquietante chaveiro
A cada instante inquietude abre
Não tem desculpa, sabe...
A tua conduta é a chave.
Son Dos Poemas
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Eixo x

No eixo X

Naquele ponto distante
No trecho que sempre diz...
É este o ponto de encontro
Na curva que precede o queixo
No tempo que antecede o ser feliz
Na agulha que segura a mola motriz
No tempo, cujo ponteiro faz locomover
A rosa dos ventos enlouquecer
No ar que respira e não se vê...
No edifício que edifica o humano
No invisível eixo dentre
Na Luz ou no feixe sempre
Em qualquer seixo do jardim...
Na temperatura elevada dum beijo...
No obelisco do espírito que solfejo
No cântico dos cânticos de mim
No gestual puro e singular
No hangar que abriga a alma volátil
No lugar que pacifica o coração
No eixo que explica comoção
Na metade do hemisfério
No galpão do pensamento etéreo
Repleto de ilusão e mistério
É lá que costumo te encontrar...

Son Dos Poemas
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Sônia MGonçalves

PLACEBO

Percebo...
Aquilo que nos transfigura
Desde o remédio
Que causa e cura
Com fusão dá inspiração
Mais uma pitada de loucura...
Pensar que a cicuta que liquida
Pode ser também a bebida
Que salva a vida e prolonga
Por isso faço de mim doçura
Ávida e sem muitas delongas
Astronauticamente espacial
Psicossomática mente emocional
Me percebo...
Me placebo...
Me bebo...
O elixir dos meus segredos
No paraíso que deambulo
Placebo é toda poesia que engulo
Ao comprimir os
Batendo asas na porta do purgatório
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GOSTO DE TRANSPARÊNCIAS

 

⁠Tenho em mim retiscências... 
Por gente enigmática, de olhar obscuro,
Ar intransigente, olhar opaco, intransparente
Tenho páura da obsessão, do embonecamento,
Do poder exagerado, de quem vive de passado.
Tenho é muita repulsa por quem usa desculpas,
O tempo todo como um jogo de tabuleiro,
Esconde entre frondes e têm cartas na manga.
Não me merece e nem faz por onde,
Tenho receio,  de quem usa, ardio ou meios,
Pra sedução, usa sunga, ousa tanga,
Troca muambas, bugigangas e mais
Repousa sobre pedras é lagarto-de-fogo,
Escorpião de agulhão ventoso, venenoso.
Ah, entro em retraimento, ante tudo isso,
Entrego para o vento e jogo o feitiço,
Agrego ao amor falso o pavor, 
Temo-o e todo tipo de vícios.

SÔNIA MGONÇALVES

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Viver e Morrer

Tantas vezes morri de amor,
hoje morro de saudades.
340

VENDO ESTRELAS


VENDO ESTRELAS

Algumas coisas nos são intrínsecas
Virtudes atitudes são empíricas
Vendo estrelas benesses infindas
Ontem vi hoje no céu há lá ainda...
Na mente fantasia no olhar chave
Olho para o sol e procuro a tal clave...
Conheceres minha companhia?
No meu coração um montão
Na mão uma casa cabe um botão
Um ciclone que me faz colher
Nas estrelas rastros de você
Marcas para lhe escrever...
Asas em pares num imenso arco
N’alma te marco se penso abarco
Por dentro um mar de estrelas
Vê-las por tanto canto em apreço
Mas empalideço quando vendo cobiço
Qual o preço justo por ver tudo isso?
Pergunta se penso no coletor...
Ah, Sô corretora de poesias também
Vendo estrelas por um centauro
Num coletivo de sonhos vi tem...

Sonia M.Gonçalves (Son dos Poemas)
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Vermute

 
Vermute

Munir-te em mi casa
De sonho e licor
Dar-te asa comida e carinho
Vermute e desfrute
Embriagar-te de amor
Mel encantador pão e vinho
Fundir-te sedento
Decifrar-te voltívolo
Imitar o vento retrô
No limiar do primeiro tempo
Tomar-te fomentado quente
Com bolhas ferventes bordô
Na quente boca que bebe o cio 
Beber-te espumante
Fermentado em amor.
 
Sônia M. Gonçalves 
(son dos poemas)
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MEL D’CANTARES


MEL D'CANTARES

Tudo isso é presente por causa daquilo...
E tudo o mais no futuro
Por causa disso será aquilo...
Não ouses desafiar o engenhoso tempo
Construindo-te entre muralhas de cimento...
Tens por dentro um sentimento amoroso?
Não vê que amor é mais valioso q'ouro?
Vê..., quando verdadeira a gema adura
O tempo não faz a tritura
É poema que não profana quem ama
Nenhum moinho de vento do além
Ainda que não descubra o segredo é mistura
Que abrange em magia d'ouro aquém...
Conhece os áditos do mistério dos arcanos
Os amores adictos alquimistas vesuvianos
Pelos hábitos mais ardentes vulcânicos
Explosão em Amor asserena
É o tudo transformador em manuscrito
Ouve a falange d'Anjos que cantiga o infinito...
Revigora a alma com poema
E inspira cântico ao espírito.

Son Dos Poemas
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Setembrisse

Setembrisse

Há em mim uma agonia abrandada
Um ar indecente, instigante, polêmico
Um cheiro de álamo com ar excêntrico
Quando chega setembro voo aflorada
Pelas alvoradas me repagino matutina
Feito um pássaro da manhã mais libertina
Eu me reapaixono por minha pessoa
Me sinto gaivota sobre o mar que avoa
Então eu me setembro em setembrisse
Feito as águas arroladas em crispadura
Igual Hilda Hilst libertada em amavisse
Me beijo aspirante primaveral
Velejo flutuante além do meu portal
Me oceano e me faço vergéis frutíferos
Me amo tanto em jardins paradisíacos...
Nos desejos é onde libero mea-culpa
Dissicuto minha alma sem culpa d'utopia
Em setembro me primavero liberta
Relembro os ciclos me reitero poeta
Me reciclo em finura me rabisco poesia
Amor e loucura a setembrisse me planta
Ah!... Setembro floreiro que de flor me amanta...

Son Dos Poemas
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Poeta encantador

poeta encantador...
da voz de mel
seresteiro passarinho
aviador do céu
embaixador de Deus
cantor menestrel...
teu grito chega cá num burburinho
teu canto agracia meu viver
apoesia meu dia e meu ser
arrebata minha atenção teu parolar
no teu bico frecheiro retentor
em teu mais amar cantarolar
o som hospitaleiro é mais amor
eflúvios para a alma decantá
no teu canto enigmático acolá
esqueço os problemas cá
só ouço poemas do teu bico
no explícito assobiar o mais bonito
te explico assim
...Bendito...
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Manoel Ferreira Neto
Manoel Ferreira Neto

Manoel Ferreira Neto ESCRITOR POETA E CRÍTICO LITERÁRIO ANALISA O POEMA Nesta História de Sonia Gonçalves<br />**** <br />PREAMBULO DE UM ESBOÇO DO TEMPO

Manoel Ferreira Neto
Manoel Ferreira Neto

O tempo é Mestre!... O tempo é Silêncio!... O tempo se faz na continuidade das vias da existência. Fases é que traçam a suas dimensões da contingência e espiritualidade. Em cada fase, como poematiza Sonia Gonçalves, há dores, sofrimentos, sacríficios , cumprindo ao indivíduo/homem a disposição e coragem de vencê-los, superá-los e suprassumi-los; noutras fases o sonho edificado constroi o prazer, alegria, felicidade. A labuta é árdua entre a dialéctica do tempo e do ser. Mister investir e abraçar os desígnios eivado e seivado de sentimentos de Amor, Cáritas, Liberdade e consciência , até à espiritualidade, alicerce do sublime. O tempo depura as dimensões da sensibilidade, ilumina as visões do ser-estar no mundo, ampliando o evangelho da Língua que consiste em traçar a Poiésis do Eterno, estruturando preces da força e coragem da Verdade. Eis o inquietante , a inquietude das dialéticas e contradições do tempo, mas chaves para a abertura de quimeras, fantasias, ilusões que floram na floração de outros advires, porvires. Esta reflexão das Fases do Tempo só se efetiva através das condutas e posturas humanas , decisões, sinceridade, liberdade e consciência. O poema da poetisa é convite ao Ser., convite para viver a vida em todas as dimensões imanentes sempre com as vistas voltadas à espiritualidade.<br />