soniabrandao

soniabrandao

Sônia Brandão publicou Prenúncio, livro de poemas breves. Tem ainda um livro virtual, O muro e a flor, em que casa a poesia com a fotografia: https://issuu.com/jcmbrandao/docs/o_muro_e_a_flor

Perfil
6 827 Visualizações

Memória

As lembranças crescem no sangue

do sol poente.

O velho poço tira as estrelas lá

do alto.

A terra se mistura com o pó

dos pássaros e

das borboletas

e cega os olhos ressequidos dos velhos.

Todas as canções se

apagaram.

É terrível o silêncio na garganta dos mortos.

Ler poema completo

Poemas

14

Natal



Meia-noite na favela.

Não se ouve um galo, mas o som de uma Ar-15.

Num barraco onde se espremem pai, mãe e dez irmãos,

mais um menino acaba de nascer.
413

Réquiem



Arranquem meus olhos

a flor está morta
380

Recato



Fechem os olhos dos lírios

não deixem que me vejam nua
426

O silêncio

No rio inquieto

o murmúrio das águas

onde te espelhas



Não te reconheces



Teu sangue

ainda flui nas águas



Existes

como se já não fosses

ou fosses outro



Pouco importa



Basta o silêncio

das pedras no caminho

362

Grito

O grito dos bem-te-vis sangra o silêncio do dia

392

O pássaro impossível

Cortaram-me as asas e a garganta.

Nada esperem de mim.



Sou um pássaro impossível.
374

Limite

Roubava as asas dos anjos

mas tinha os pés presos na lama
414

Dança

As botas do morto
dançam nas salas
da minha loucura
395

Luz e sombra



A velhinha na janela

sorri

e acena para a morte

que estende a roupa

no varal.


379

As palavras queimam





O poema é uma fogueira acesa na garganta
429

Comentários (1)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Leveza e largura de pensamento, foi o que vi e li nestas páginas. Um abraço, Sônia, e obrigado pela visita. Darlan