soniabrandao

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Sônia Brandão publicou Prenúncio, livro de poemas breves. Tem ainda um livro virtual, O muro e a flor, em que casa a poesia com a fotografia: https://issuu.com/jcmbrandao/docs/o_muro_e_a_flor

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Memória

As lembranças crescem no sangue

do sol poente.

O velho poço tira as estrelas lá

do alto.

A terra se mistura com o pó

dos pássaros e

das borboletas

e cega os olhos ressequidos dos velhos.

Todas as canções se

apagaram.

É terrível o silêncio na garganta dos mortos.

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Poemas

14

Natal



Meia-noite na favela.

Não se ouve um galo, mas o som de uma Ar-15.

Num barraco onde se espremem pai, mãe e dez irmãos,

mais um menino acaba de nascer.
417

Réquiem



Arranquem meus olhos

a flor está morta
382

Recato



Fechem os olhos dos lírios

não deixem que me vejam nua
428

O silêncio

No rio inquieto

o murmúrio das águas

onde te espelhas



Não te reconheces



Teu sangue

ainda flui nas águas



Existes

como se já não fosses

ou fosses outro



Pouco importa



Basta o silêncio

das pedras no caminho

367

Grito

O grito dos bem-te-vis sangra o silêncio do dia

396

O pássaro impossível

Cortaram-me as asas e a garganta.

Nada esperem de mim.



Sou um pássaro impossível.
379

Limite

Roubava as asas dos anjos

mas tinha os pés presos na lama
418

Dança

As botas do morto
dançam nas salas
da minha loucura
399

Luz e sombra



A velhinha na janela

sorri

e acena para a morte

que estende a roupa

no varal.


383

As palavras queimam





O poema é uma fogueira acesa na garganta
431

Comentários (1)

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Leveza e largura de pensamento, foi o que vi e li nestas páginas. Um abraço, Sônia, e obrigado pela visita. Darlan