Szabó Tibor

Szabó Tibor

n. 1994 BR BR

n. 1994-11-11, São Paulo

Perfil
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Silencio

Os olhos que se perdem no perfil do mundo
Correm sempre ao meu próprio encontro
Tomados por medo e mais medo
De tudo o que uma vez foi tão profundo em seu enredo

Esse mundo tão vazio
Mundo vasto, sem poder
Sem saber ou sentir... quanto então ver
Pois esse mundo está vazio do que se é certo não se ve

Sinto toda e eloquencia de se ser perdido
A inocencia de um arrependido
Que não encontra o próprio seio onde se apruma
Toda a verdade, de Homens envoltos em bruma, voltados uns contra os outros

Estão sempre agarrados a mesma causa
Dependurados se esmurram
Senhor se fosse apenas uma luta
Mas é muito mais que muitas vidas

Tolo esse homem...tolo...tolinho...
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Poemas

23

Meu Segredo

Ao pé de teu ouvido,

Sussurro meu segredo.

Um segredo de mil anos.

Perdido a muito no tempo.

Tal segredo,

Guardado por mim,

Quem á mil anos,

Resiste ao fim.

Conto-te.

E você se espanta.

Em tal segredo,

Não acredita.

Reafirmo.

Me desconfias.

Lhe convenço.

Tu acreditas.

Meu segredo.

Que no tempo perdurou.

Que somente agora,

Como a fruta, madurou.

Caiu da árvore frondosa,

Para a mão de minha amada.

E o segredo do amor eterno,

Brota novo em seu coração alado.

Que resiste feliz a todo inverno,

Em nenhum momento se sente cansado.

Meu segredo: ainda te amo.

438

O Ferimento

Me dói o coração,

Ao pensar nesse mundo.

Que sofre com a opressão,

De um ferimento profundo.

Ferimento causado por nós.

Quem há muitos anos essa terra imunda.

Importando-se com o que?

Uma folha de papel moribunda.

Da qual inventamos que tenha valor!

E por ela brigado, nos matamos.

Em um suicídio sem amor,

A nós mesmos assassinamos.

De cima da montanha,

A mais funda da terra.

Sou capaz de uma façanha,

Que não é única em qualquer serra.

Questiono á tudo!

Para que seus erros vejam.

Mas o mundo é maldito...

E eles não vêem o que não desejam.

438

Meu Primeiro Sonho

Desperto.

Olhos abertos, prontos para um novo dia.

O sol no horizonte queima ardente.

Mancha o céu de sangue.

Rasga a noite com luz.

E eu...desperto.

Por quê despertei?

Não o queria que acontecesse.

Um tão belo sonho me tomara.

O primeiro que recordo nessa vida.

No sonho eu não tinha asas.

Mas voava para onde bem entendesse.

Tinha consciência de tudo,

Em minha mente que jazia vazia.

O silencio que nunca pensei que escutaria...

Nenhuma dor, sentimento, nem nada.

Simplesmente voava,

Em absoluto silencio, no vazio,

Voava...

499

A Pedra

Uma pedra.

O que é uma pedra?

Pode ser diversas coisas:

A pedra em teu sapato que o faz tropeçar a cada passo,

A pedra do mar que o faz contemplar a todo espaço,

Pode ser a pequena pedra de areia da ampulheta,

Que lhe dá a falsa impressão de que é capaz de conter o tempo,

Ou um simples grão que voa de braços dados com o vento.

Dentre todas...somente uma ela é com toda certeza:

Uma pedra.

506

Barco Valente

Um único barco, cruza o oceano.

Busca algo, alguém, não sei dizer.

Tal barco, valente veterano.

Que de tudo já viu, e nunca vai esquecer.

Daquilo que o fez seguir adiante.

A vontade de conter o mar,

E tudo nele, dele diante.

Águas caudalosas que nunca vai segurar.

Acorde, meu bom peregrino, acorde.

O mundo é um lugar sem precedentes.

Seja forte, meu bom peregrino, seja forte...

486

Nos Perdemos

Sinto tua mão á repousar em meu peito nu.

Nem mesmo respiro, pra que não te movas.

Que por minha falta de fôlego, a morte me leve.

Mas que ninguém nunca leve você de mim.

Pois sem ti, eu traria à morte o fim.

Teus dedos delicados acariciam meu corpo.

Mil calafrios percorrem me em agonia.

Sinto o espírito vibrar e a alma desprender.

Ao sentirem o toque de tal deusa divina.

Um sopro de vida, o último antes que eu morra.

Morro por amor, em eterna procedência do inconsumível amor.

Tua mão sobe aos poucos até tocar minha face.

Meus olhos se fecham no mais belo dos sonhos.

Um sonho onde você é eterna.

Ao passo que eu me perco em meu mundo,

Somente para encontrar te no teu.

Encontra a mim, e encontro a ti.

Juntos nos perdemos,

Para amar e simplesmente, amar...

438

Coração Amante

Se fomos feitos um para o outro?

Nunca saberei dizer...

Mas que eu fui feito pra você,

É a certeza que mais me concede prazer.

A certeza de que me apaixonei pelo olhar mais belo.

Um olhar admirado com a promessa de tão puro amor.

A promessa de luz, para as trevas que virão.

De fartura para a fome que desce ao vale.

De puro amor em um mundo de amantes.

Hoje sou poeta...amanhã...talvez ator,

Mas aquele que eternamente sou, é esse eterno sonhador.

Que em seus sonhos sente o mais belo olhar,

Á nele repousar, de pura paixão.

Olhar que desabrochou uma vez...

Para nunca mais murchar meu amante coração.

489

O Quarto Escuro

Um quarto escuro.

Cada luz apagada em respeito,

Até os astros em silencio,

No quarto escuro.

Da luz que rasga as trevas,

Daquela mesma luz,

Que espanta as feras,

Trancafiadas no quarto escuro.

Trancado a sete chaves,

E tu es dono de todas as sete.

Não seja tentado a abrir aporta,

Nem mesmo um dos sete cadeados!

Pois se por uma fresta que seja,

Adentrar o mais fino fio de luz do corredor,

As bestas despertam.

Unicamente para sentir o calor e conforto da luz.

Seus olhos vermelhos e dentes serrilhados.

De um quarto escuro, em paredes enjaulados.

Ganham força com a luz,

E teu lugar tomam,

Em cada sentimento, cada decisão

Sua mente escurece...desclarece.

Do quarto escuro.

E derrepente despertas...do sonho da vida.

531

À Minha Sereia

Uma onda após a outra,

Aportam na praia de areia branca.

O céu azul, espelho do mar,

Paciente, aguarda pelo prateado luar.

A saborosa água salgada,

Abrigo de um mundo submerso.

Na superfície aguarda um pescador,

Lança a rede ao mundo emerso.

Pescador da pele morena,

Entrega esta pérola á minha sereia.

Entrega àquela dos cabelos ruivos,

Quem me espera descalça na areia.

Diz à ela o quanto à amo.

O quanto nunca deixei de amar.

Que ela é meu grande amo,

À quem todos os desejos vou realizar.

Diz a ela que seu maravilhoso canto,

Me afogou na salgada água do mar.

Que eu a aguardo aqui no fundo,

No mar que sempre irei amar.

536

Quando Escrevo

O glorioso sol se perde,

No horizonte entre brumas,

Este chama-se Oeste.

Ao Leste,

Se encontra a pálida lua.

Arrebanhando as estrelas,

Expulsa a escuridão.

Olhos profundos aguardam,

Em grande silencio e solidão.

Sempre encantados,

Com tal profano coração.

Este sou eu,

Quem espera a noite,

Onde enterrado no breu,

Entrego à alma meu açoite.

Sofro por ti,

Alma do universo,

Quem leva e traz,

Lua e Sol.

Na noite amada escrevo,

Onde os sentimentos são livres.

Não vejo no escuro relevo,

Para que tropecem os mártires.

Possuem asas de cera,

Voando noite adentro.

Sou homem.

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