teka barreto

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n. , São Paulo

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Sem sombra de duvida


Sem sombra de duvida!


Sem sombra de duvida!

Certamente, isso explica

Mas, não há calma!

Nem mesmo, acalma!

O que sobra ao final?

Sem sombra de duvida,

Restos... Do que não foi!

Sobras sombrias, do que seria!

Sombras sem função nem razão!

Com toda certeza e...

Sem sombra de duvida!

Sobras do que será um dia, uno com a luz!

Resquícios não manifestos, do que poderá virar, ser!

Então, não há duvida?

Sem sombra de duvida, não!

Sim, certamente... É o fim!

Sim, começo de todas as Incertezas?

Sem sombra de duvida,

Houve luz!

Ah, compreendi!

Teka Barreto

Ler poema completo
Biografia
Letras, palavras, frases vazias... voam a toa... pairando em minha volta docemente. Ordená-las de forma gramatical será fatal. Ignorá-las é algo muito além do impossível. Soltá-las... é minha alegria! CONHEÇO-AS de cor e... SALTEADO! Mostro-me em vão... Nos vãos das letras espaçadas. Descrevo o NADA! Nem SOU... poeta Apenas os incomodo!

Poemas

41

BALANÇO ANUAL


Balançou !


Mas já não há...


Temporal


E o que sobrou?


Já não faz MAL!


O que não mata...


Imuniza!


Natural MENTE

874

AMIGO QUE NÃO SE CONTA


Amigo que a gente conta

Não marca na caderneta

Amigo que leva em conta

Não vale nem a cerveja

Não leves em conta quem conta

Que podes contar com sigo

As promoções são penhores

Por centos que se retiram

Amigo bom é um ZERO

Que se coloca a direita

Um zero que não lhe tira

Mas nos eleva à receita

O UM que você é

É mesmo, sem o tal zero

Se somas ages com mais

De zero, nada se extrai

Prefiro um zero envolvente

Do que UM menos do lado

Que apenas dês-quantifica

Subtrai... Desqualifica!


622

TUDO NADA

Se TUDO

Não tivesse

NADA a ver

Com NADA


O que seria

Seria algo?

Ou seria

TUDO NADA?

792

Crucificados


Só quem vive se curva
Pois reta não é a meta

Régua não guia a curva
Milímetros não dizem nada

Quem orienta a vida
feita curva sinuosa?

Retas são perigosas
Ferem quando lançadas

Riscos sem dança apontam...
Demarcam a chegada

Na cruz que aprisiona a vida
Traçada em medida exata

858

A ciência de você

O QUE NÃO VÊ


HÁ LUA

HÁ TERRA

HÁ CORPOS

QUE ESTÃO

EIS A QUESTÃO


HÁ ONDE ESTAR

QUEM DIZ QUE HÁ

ESPAÇOS A OCUPAR

E DIZ QUE HÁ LÁ

UM DEUS... POR FORA

A OBSERVAR QUE

SABER É MANUSEAR

O SEI QUE ESTOU E ESTAREI

NO COMANDO DO

ESPAÇO COM TEMPO


QUEM CUMPRE A ROTA

E SE AVENTURA

VEM PRÁ TERRA

OU VAI A LUA

SENDO

EXTRATERRENO

É... ET... EM


PRINCÍPIO DE TUDO

QUE É VOCÊ

NASCER OU MORRER

QUEM DIZ

ÉS TU


SER

ETERNO

914

meditar versus coceira

Meditação e coceiras


Já sabemos que podemos mudar o mundo
Não sabemos por onde começar
Quem sabe se eu e você olharmos para o mundo?
Então o que é afinal o mundo?
Uma bola no espaço a vagar?
Como eu e você cada qual em seu mundo?
Tendo do mundo vagas idéias
Impensados comunicados às pressas
Vagamos e enchemos
Pulsamos num tempo des com passado
Que musica estamos tocando?
Onde ouço a nota LA?
Eu, você e o outro, tocamos sem nos escutar.
Que faço para ouvir a vibração que harmoniza?
Que diapasão que nos alinhará?
Quem sabe... Onde vibra LA?
Meditar?
Me ditar me faz coçar
Coça cabeça, pé e nariz
Falta-me paciência e ciência
Ciência de mim, não é crença.
Ciente de mim, percebo melhor o mundo do outro
Consciência, me alinha o sentir
Posso melhor transitar pelos mundos
Perceber-me ao compartilhar minhas realidades
Tanta coisa faz coçar nossa mente
Consciência tumultuada
Clicamos freneticamente os likes compartilhados
Likes de nossas coceiras involuntárias
E dessa forma tudo se deforma
Sem que percebamos vivemos só
Numa ilha abandonada
Bloqueados aos acessos do meu e do teu mundo
Em plena era da comunicação
Vagamos cheios de nada
Postamos, papagaiamos
As frases dos que um dia pensaram
E pensar é em si
Meditar
E que coceira que dá
Se liga, se like mais, se perceba em SI
Tem outro mundo LÁ
Co-criador da sinfonia do a... b... Surdo
Eu, você e milhares de músicos insandescidos
Por falta de ouvir o som que vem de LÁ

Despejamos likes ao vento Virtual

Sem consistente virtude

Ouvimos um ponto a nos soprar as falas

Ponto com ponto bê érre

Érre...

Érre agora é o padrão, sem padrão

Pode sair da linha e curtir isso

Podes ver ouvir e

Alinhar ao meditar claramente

Chocar uma boa idéias!

Que floresça a consciência

Do bem que é pensar...

Por si mesmo!

Por conta própria!

Se curtiu a idéia? O coração vibrou LÁ


Namastê


teka barreto

1 473

Flor da pele

Sei

não estou na sua pele
flor da pele até repele
mas...
Não é repulsa o que sinto

é que sou como você, sensível
Tenho em mim a mesma flor
feito pele

que pulsa
compele
atrai
repele

e coisas que sinto
tão bem

afloram
arrepiam
desfolham
congelam
também

teka barreto

868

mar de rosas

se a vida nos dá rosas
vem com elas alguns espinhos


Moira de Castro

762

SEREMOS UM ? (PARTE 3)

O que é que estou fazendo aqui?

Imediatamente uma sensação de clareza, pareceu abocanhar aquela pergunta.
Clareza... Sem limites.
Tão imensa quanto a liberdade.
O inicio de pânico, dissolveu por completo a resposta, como... Tudo. Clareza é luz sem padrão.
A lógica, ganhava consistência. A lógica, conformava as crenças. Sentiu uma espécie de elasticidade em recolhimento. Sensação de apreensão e encolhimento. Sentia ela no momento. Agora!

Em seu próprio universo... Algo nascido... Morreria. Findaria em um átmo de tempo...Uma reação... Um movimento.

O tal Agora! Se escapulindo dela, seguindo rumo a uma conclusão... Algo passado, concluído como ponto final.

Há final quando há, repouso. Quem movimenta o fazer? Ela sentia que sabia!

Uma possibilidade causativa, repousava!

Dentro dela, sentia que tinha que escolher fazer algo. Fazer o quê?Mesmo que ainda incerta... Mal Informada.

O agora, findo... passara a bola da vez, para ela!

Que fazer?
Sim, era apenas um sonho, diferente - Teve consciência disso.
A tranquilidade pareceu querer reinar... Vinha do arraigado conceituar, in memoria dos passados como apenas lembranças.
Então, um novo pensamento lhe ocorreu. Não é um sonho, qualquer. É... Sonho real! Sei. Sei... Que estou aqui e viva!
- Mas se estou sonhando...
Encontrou sem esforço, no bau de suas memórias, uma resposta explicativa para a situação presente.

Sabia... Que já lera em livros, aquele tipo de experiência...

Estava em plena viagem astral.
Muitas vezes ao deitar-se, depois de rezar e meditar algum tempo, ficava imaginando... Querendo. Que ao dormir, acordasse da noite. E ela, sairia em uma viagem astral.

Como ela sabia... Sabia que... Que isso era bem possível, de estar acontecendo agora.
Lena, assistira inúmeras vezes o filme da atriz Shirley MacLaine. Que descrevia seu adentrar no mundo espiritual, e sua busca de grandes respostas. Numa das cenas, Shirley sai de seu corpo físico e conhece o universo, tal qual astronauta sem nave a guiar-se pelos pensares e perguntares.
Lembrou-se da cena em que Shirley, vagava sozinha.
E sentiu, mais um friozinho de medo.
Entrou num pequeno conflito... E tentando acalmar-se, criava suas próprias respostas. Justificando com sua razão os motivos e a confusão. Tinha motivos de sobra, para estar e sentir-se com medo e com insegurança. Justificava-se divagando, murmurando seu dialogo... Monologado.

Chico Xavier tinha um anjo sempre com ele. Um tal de Emanuel...

Antes que o desconforto tomasse vulto...

Onde estaria o meu?

Sempre sonhara com a tal viagem do tipo Shirley, mas nem de longe pediu em oração, para sair em viagem, sozinha. E justificava, tentando explicar e convencer-se de que havia uma falha. Buscava ela, a resposta para o fato muito vívido e... Inexplicável. Ela não desistia.
Chico e Emanuel, estavam sempre juntos. Dormindo ou acordado, Chico Xavier, estava sempre escudado por seu fiel anjo!
Certo é que, o filme provocou lhe uma certa gotinha de compreensão...
E com sua habilidade e capacidade imaginativa, buscava melhorar e esclarecer o que de fato... Pedira. Alguém entendera mal, os seus pedidos orados.
Relembrava-se. Puxava pela memória as palavras usadas, tal como pedira em muitas das noites, aquele tipo de aventura. Conversa dela, com ela.
Deus... Que o meu anjo da guarda, venha esta noite me buscar, para um fantástico passeio com meu corpo astral.

E quando essa noite chegasse e ele aparecesse, pensava ela em pedir-lhe, que a levasse a voar pelos céus da, Índia.

Sentia que queria muito entrar no castelo Taj Mahal e meditar ali.

Queria ir também ao Ashram do Osho. E se possível, fazer-lhe uma única perguntinha. Ao escutá-lo respondendo-lhe a pequenina pergunta, ela se iluminaria.

Via-se agradecendo, mãos unidas em sinal de Namastê. Dois iluminados... Entre si ligados, a sorrir com o coração. Se separavam, como duas unidades com aparências, distintas.

Mas...
Ela se dava conta agora, que esta experiência quase palpável, não vinha do mundo dos sonhos planejados com tanto esmero e desejo.

Estava realmente acontecendo com ela algo. E ela sabia... Que não sabia... Nada sobre isso, fora quisá descrito! Não. Não era um simples sonho.

Via que, não havia cordão de prata coisa alguma...

E nem coisa alguma, visível.
Era um sonho nunca sequer imaginado por ela. Era algo bem vivo, bem real!
Lena estava pela primeira vez, consciente de sua “Expansão”. Como chama de uma vela que envolve todo o pavio.

Lena, saíra do centro, sem abandona-lo a deriva. Do pavio se fez pavio. E uma luz ascendeu, expandiu-se e envolveu o que antes era apenas breu.
Saíra de seu corpo, de sua mente lógica e não conseguia ver sem o uso dos olhos carnais.

Já... A mente, pouco a pouco ela sentia, ir ganhando um crescente, porém tímido controle.
Olhou no entorno, tentando se situar e nada viu. Nem sabia onde era o entorno. Percebeu que mesmo não vendo o entorno...

Sabia que lembrava... A sensação de olhar em torno. O corpo parecia buscar o que ver... O que sentir. O corpo tinha... Ela sentia, mas não conseguia descrever.

O corpo erriçava uma espécie de bilhões de olhos. Era sabia ela dentro dela... Era uma questão de dominar o Zoom.

Olhe em torno, Lena.

Pensava-se ela. Mesmo sabendo que não sabia onde começava ou terminava.

Perguntou-se então...


Onde sinto que sou mais eu?

Nada...

Onde sinto que sou... Sendo eu, eu mesma? Não era coisa fácil de se compreender, muito menos fazer ou controlar.

Mas, Lena sabia que! Tinha que fazer algo! Intuía que esse era o caminho para ver. Querer... Querer muito ver.

Ver-se vendo-se a ver.

Seja o que fosse esse querer ver...
Viu seu corpo deitado na cama.
Nossa! Estou ali, dormindo.
Isto é... Meu corpo está dormindo.
Não teve medo... Sentiu-se instigada a querer ver mais um pouco.
Olha ele ali. Eu me lembro disso...
E viu seu livro. Estava ali ao lado da cama. Viu a cama, o livro e até a toalhinha sob o livro. Viu a pequena mesinha, muito antiga, que ela mesma havia restaurado. Viu. Viu tudo... Ou quase tudo.

Então, já mais centrada, sentindo certo auto controle. Lembra-se...

Está faltando o tal anjo da Guarda.
Perguntou-se a si mesma ainda que timidamente, pois sussurrava em em seus pensamentos.
- Ei... Anjo da guarda! Onde você está?

Nada aconteceu.
- Ei...Senhor anjo, me escuta. Se a noite da minha viagem astral, é hoje, onde o Senhor, Senhor Anjo, está?

E nada...

- Eu acho que fui muito clara nas orações. Queria ir... Mas com meu anjo! Será que... Será que eu cheguei primeiro? E arrematou pensando...

-Nunca vi um anjo,se atrasar!

Ouviu então uma resposta. De um jeito diferente, assim como uma intuição que se escuta

- Nem nunca viste um anjo, ora pois!

Sentiu um estremecimento. Muito diferente de um simples friozinho na barriga. Era algo imenso, do tipo que arrepia os pelos, mas... Lena, não se intimidou. Estava disposta a enfrentar esse tremendo, momento desconhecido, pensou...
- Então... Isso significa que, Anjo não tem forma?
- E nem mesmo atrasa, repito-lhe. Ora pois!
- Como assim?
- Prestes bem atenção, anjo da guarda não se atrasa, porque está sempre presente! Compreendeste agora?
- Ah! E faz sentido... Mas anjo tem forma ou adquire uma? Pergunto porque não compreendo totalmente. Pensa comigo...

Vos, do além...

Parou sua fala pensada bruscamente.

Sentia-se confusa, pois estava em duvida se seria compreendida.
Continuou então.

Vos, do além, que tem voz. E que a tua voz, eu escuto bem...
Já ia entrar no mais confuso, quando a voz, interrompeu-a
- Senhora Lena, perdoe-me interrompe-la, mas eu, tenho a forma que sempre tive... Desde sempre sou assim.

Sempre fostes desta maneira... ?

Valha-me Deus!!! Havia ironia no pensamento. Seu pensar tinha um leve sotaque português.

Quero ver sua cara de anjo. Me entendes, ou cousa que o valha?

- Fique calma... Serena. Estou aqui, junto a ti minha Senhora.
-Aqui onde?– Vós, que é só uma voz. Pensas que não sei que tens um sotaque de português! Mas onde, de onde sai este sotaque?Essa voz tem ao menos uma boca? Onde... Onde?

Não vejo nada de você, além de... Algumas outras partes.
-Se me permites, Senhora Lena. Que partes de algumas partes a Senhora vê? Explico-lhe minha pergunta. Estamos certamente com nossas linhas de comunicação atrapalhadas. Diga-me lá, Senhora Lena, explique-me melhor. Se vês algumas partes, então me vês em partes. Pois estou, em toda e qualquer parte.

Com uma ligeira irritação, que revelava o seu pavio curto, completou, sem hesitação e sendo muito incisiva.
- Escolha uma parte desse todo lugar... Uma entre todas. Uma e a particularize! Quero ver você, voz do além.

Materialize-se... Ou pouse na minha frente.
- Senhora és de fato, muito inteligente, saabes?
- Sei! Mas apesar disso não consigo vê-lo. Então, de que me adianta ser inteligente? Preciso saltar para o nível de vidente. E isto é bem evidente. Não acha?
- Tu és muito perspicaz! Tem muita lógica, o que me pedes. Estás a ouvir-me, mas não podes me ver.
- Que bom que me compreendeu. Gosto de clareza nas conversa. Apareça vós do além, pois gosto como disse de transparência.
- Já estou transparente, Senhora. Mais do que isso, impossível.

Lena... pensa até 10, sem pressa.
- Transparente é transparente, claro... Entendi. Estamos com problemas de comunicação mesmo, concordo voz portuguesa. Melhor dizendo... Seja então, menos transparente e mais aparente. Compreendeu?
- Pois é claro que sim, Senhora Lena. Compreendi-a desde o princípio. Mas confesso que, ficou muito melhor o enunciado. Não achas?

- Sim, concordo.

- Pois então. Pudeste notar que a escolhas das palavras, são deverás importantes. Transparente e aparente...
Lena não esperou a voz,completar a frase.
- Onde você está? Quero imediatamente vê-lo. Não gosto de falar sozinha...
- Não falas só. Pois, estás a falar comigo, Senhora Lena.
- Estás pois sim, oh voz, de portuga e duma figa, a torturar-me as ideias, isso sim.

Mesmo um anjo tem que ter uma forma... No meu entendimento, é claro.

Assisti semana passada, o filme do Anjo Micael, com o Travolta. Anjo tem forma e asa, se não...
- Estás a assistir muitos filmes, Senhora Lena. Estás, fascinada eu diria. E é com todo respeito, que vos digo isso.
- Por favor, me entenda bem, vos que sois, voz do além. Tem que ter uma forma. Que seja a forma de um santinho. Do tipo Santo Expedito.

Senão... Senão, não é anjo, guru e muito menos Santo. Falo com quem? Pois, ora pois, isso está começando a não me cheirar muito bem.

- Permita-me interrompe-la. Já viste então Senhora Lena, o seu nariz? Pois diz-me que algo começa a lhe cheirar não muito bem... Sente-se resfriada, Senhora? Ou seria apenas um chiste, de nossa comunicação em língua portuguesa?

Lhe parecendo coisa do... Do, Tinhoso! A indescritível cena. Lena era só uma coisa... Duvida! Um grande ponto de interrogação.

-Eu, tenho certeza. Eu, não tô louca, não!

Enorme silêncio...

- Ou estou? Alguém por favor, me da um beliscão! Deus, meu !!!


- Ah, achaste o corpo então? Onde queres Senhora, levar o tal belisco? No braço ou no rosto?

teka barreto (2008)

(fim da parte 3)

730

SEREMOS UM ? (parte 2)

Satori


Lena fechou o livro. Colocando-o em seguida ao lado da cama, por sobre a mesinha de cabeceira. Um pequeno verso vagava agora, entre seus pensamentos, transformando-os em um emaranhado de palavras, que adquiriam múltiplos significados.
Parecia sentir o esforço, que emanava de um lugar dentro de si.
Sensação de aprisionamento, sem localização ou motivo definido.
Sentia-se como um pássaro, que inadvertidamente entrara em uma casa, encontrando pela frente, uma janela de vidro fechada.
De súbito percebeu claramente, que sua mente agia como uma barreira, difícil de atravessar.
Como aquela tal janela de vidro. Uma espécie de incompletude... Limitando um salto mais amplo de uma compreensão, que sentia existir em um lugar qualquer,dentro dela. Um nada... A ser conhecido.
Então aconteceu...
Por um momento, sentiu-se transpor aquela ilusão de barreira.

Um pequeno verso contendo dez palavras, três virgulas e um ponto final, produziu como que, uma explosão interna, abrindo as janelas da alma. Colocando-a por alguns segundos, num estado contemplativo conhecido como Satori.
Um vácuo nos pensamentos arremessou-a para fora do mundo mental comum, fazendo-a tocar a amplitude que existia, entre e além dos pensamentos.
Sentiu a alma expandir-se em plenitude e êxtase. Um profundo e indescritível silêncio dissolvia tudo a sua volta.

E esse tudo dissolvido... Era também, ela.
Não haviam palavras, capazes de descrever o que sentia. Simplesmente percebeu, neste estado ampliado de consciência, que sabia! Aquele ponto final, era apenas um simbolo que ela chamava de fim. Mas, não encerrava o conteúdo do verso... Ela sabia-se ponto e sabia-se... Interprete.
Então os pensamentos voltaram, brotando em forma de palavras ao intuir:
- Um ponto final é uma grande ilusão... Total !
Assim, saiu desse estado contemplativo.
Sua mente assumira o controle, desarquivando lembranças de sua memória. Numa sequência de saltos, semelhante a pipocas estourando numa panela.
Lembrou-se do tempo do ginásio, das aulas de literatura, dos poetas que estudara, dos namorados que teve, do concurso de poesia.
Sua mente era novamente uma pipoqueira,produtora de pensamentos aleatórios e soltos a qualquer vento.
Entre tantos pensares, quis saber a diferença entre prosa e verso. E concluiu, mais uma vez, ao pensar que concluía...
O mundo da poesia, vai além das palavras.

Permeia e Vagua pelos Mistérios da Existência e...

Deus..

Esse Grande Mistério.

Recitou baixinho, preparando-se para dormir nova...Mente. Aquele pequeno segredo, descrito em forma de verso... Lena tinha-o claro, vivo, pulsante em sua lembrança. Uma fotografia estruturada em forma, letras, espaços brancos e palavras. Que lhe convidava a dar um amplo sentido e Interpreta-lo ao seu bel prazer.

Você é consciência universal,
Sempre foi,
Sem começo,
Sem fim.

Viagem Astral

Adormeceu e sonhou...
Estava sentada diante de uma mesa enorme,envolta em volumes de livros dentro da biblioteca. Uma dezena deles, haviam sido manuseados por ela. Lena levantou-se determinada a acomodá-los nas prateleiras. Sidnei, o bibliotecário, não gostava desse tipo de ajuda. Dizia que as pessoas não sabiam ordena-los adequadamente. O que acarretava um caos, em vez de ordem. Ignorando essa observação prosseguiu seu intento. Ao arquivar o último livro, tendo o cuidado de olhar cada etiqueta de catalogação e sua prateleira correspondente, pensou em retornar para casa.
Durante o percurso entre as estantes e aporta de saída, um livro pequeno, porém bem grosso, chamou-lhe a atenção. Preparou-se para apanha-lo, mas não completou seu gesto, mudou de ideia. Recuou o gesto de pegá-lo, sem que seus dedos o tocasse, ao ler o titulo.
Era um Dicionário! O tão desprestigiado, Pai dos Burros! O exemplar era ricamente encadernado e da língua portuguesa. Uma pontinha de decepção fez parar seu primeiro impulso.
Ele é lindo mas... Tocou-o, pois não resistiu a aparência da textura e as cores. Era aveludado, marrom escuro e escrito em letras douradas. Deslizou vagarosamente os dedos. E isso foi tudo.
Virou-se rumo à porta envidraçada,determinada a sair. Assinou o livro de presença e seguiu para casa.
Caminhava tranquila pela estrada de terra,margeada por lindas flores silvestres. Conhecia bem aquele caminho, que ligava o bairro de Santa Bárbara , ao pequeno e aconchegante distrito, de São Francisco Xavier.
O sol nascera há poucos minutos e aquecia o seu corpo agora. Tira então a blusa de flanela, amarrando-a com as mangas à cintura.
Um matuto a cavalo vinha na contra mão e sem pressa alguma. E vida boa essa vida na roça. Pensou...
Dia! Dona,Lena!
Bom dia! Eque lindo dia, né mesmo?
Sim Dona Lena! E quás graça de Deus... Nóis vai levando a vida., como Ele Qué!
Deus ajuda quem cedo madruga.
Vai com Deus então!
E a sóra fica cum Ele, tumêm!
Amém! respondeu ela.
Amém, Dona Lena!
Não sabia o nome dele, nem quem era. Nunca o tinha visto, por essas bandas. Mas na roça é assim. Gente simples, trabalhadora e educada, aparece sempre pelos caminhos.
Depois de 30 ou 40 passos... Algo veio na ideia dela.
Achou estranho ser tão cedo e já estar retornando da biblioteca. Mas não atinou mais que isso.

Logo esse pensamento dissolveu-se. Sentiu no rosto e nos braços o calor agradável dos raios de sol.
Era uma manhã magnífica.
Na margem da estrada, onde milhares de hortênsias, beijinhos e cósmos, decoravam o caminho, uma pequena flor de oito pétalas chamou sua atenção.
Aproximou-se vagarosamente e ajoelhou-se diante dela. Era um cósmo.

Florzinha, simples e muito comum em sua chácara. Observou-a apenas, sem que tivesse coragem de toca-la.
Sua cor amarela, bem viva, puxando para alaranjado, parecia emanar uma luz diferente, muito brilhante, que lhe deixou como que... Intrigada, num misto de fascinada.
Fixando o olhar notou. Dela saiam raios luminosos e raiados. Como se lá estivesse encrustado, um brilhante.
Piscou e viu com clareza, uma minúscula gota de orvalho, pousada em uma das pétalas. E a pequena esfera parecia dançar, rodopiando vigorosamente, sem perder a forma. Desse turbilhão de movimento, real ou imaginário, emanavam múltiplas cores que cintilavam ou explodiam, provocados pela luz do sol.
A imagem era magnifica tamanha a beleza.
Percebeu um Universo revelado, na quele microcosmo. Numa florzinha de cósmo, em forma de gota.

Sumiram as palavras da sua mente. Incapacitando-a de descrever tamanho espetáculo.
De repente, ao ver-se sem palavras diante da cena, sentiu-se muito confusa e insegura.
Algo desperta dentro dela.
- O que é que estou fazendo aqui? - Que coisa doida! Não me lembro de ter saído de casa... E logo tão cedo?
Lembrou-se que estivera lendo um verso.

Como chamava mesmo? Era Confucio?

Não! Não era Confucio... Confusa estou eu.

Eu li um pequeno verso....

Fechara o livro, lembrava-se disso, colocando-o na mesinha de cabeceira.
- Cadê meu livro? Meu quarto... Minha cama?

Teka barreto/2008

(Fim da parte 2) continua...

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