Talvez
Talvez algumas pessoas sonhem quando crianças,
apaixonem-se,
depois se digam prontas para construir uma família.
Talvez fazer sexo como animais selvagens já fosse suficiente.
Talvez fosse melhor estar apaixonado toda a vida,
trocando o parceiro sempre que a paixão acaba.
Talvez fosse melhor vivermos solteiros sonhadores
do que sentir que construímos
o que nós mesmos destruímos.
Talvez seja melhor que alguém se intrometa no casamento,
porque aí teremos a certeza de que um deles é feliz.
Talvez devêssemos ser nómadas,
porque aí deixaríamos a vergonha de deixar as coisas para trás,
deixaríamos de nos apegar,
e talvez cuidássemos realmente um do outro.
Talvez a segurança não seja opção.
Talvez fomos ensinados errados.
Talvez admiramos pessoas erradas.
Talvez devêssemos permitir
que a vergonha invada o nosso intelecto todos os dias.
Talvez as igrejas evangélicas não devessem existir.
Elas dão uma culpa invisível aos problemas reais.
Nenhum demónio vai estragar o que ninguém permite,
mas, em vez de orarmos,
cultivamos ressentimentos.
Em vez de rezarmos,
procuramos nos esconder no púlpito,
nos escondendo dos nossos problemas.
Mas ninguém é capaz de fugir dos seus problemas,
porque eles são como o oxigénio:
ninguém foge do oxigénio.
Apenas morrendo.