Eu sei que você gosta de amor meio feijoada. Cheio de pernas, orelhas, línguas, palavras de paio e lingüiça, boiando em um caldo insensato. Amor-feijoada. Desses que alimentam o corpo e a alma deliciosamente com bastante feijão, preto, bem amassado sal e pimenta a gosto, é claro!
É óbvio que com laranja, couve. e aquela farofa espalhada pelo corpo inteiro do prato, agarrada ao arroz como as tuas mãos crispadas de desejo.
Perdoe-me se temos gostos tão diferentes. É que eu sou lírica. Gosto da poesia da saladeira prateada vestida de verdes, laranjas, vermelhos de vários tons e sabores. Picantes? Só as alcaparras e... uma gotinha de limão. Tudo isso carregado de morangos de todos os tipos e formatos.
Eu sei que você gosta de amor meio feijoada. Cheio de pernas, orelhas, línguas, palavras de paio e lingüiça, boiando em um caldo insensato. Amor-feijoada. Desses que alimentam o corpo e a alma deliciosamente com bastante feijão, preto, bem amassado sal e pimenta a gosto, é claro!
É óbvio que com laranja, couve. e aquela farofa espalhada pelo corpo inteiro do prato, agarrada ao arroz como as tuas mãos crispadas de desejo.
Perdoe-me se temos gostos tão diferentes. É que eu sou lírica. Gosto da poesia da saladeira prateada vestida de verdes, laranjas, vermelhos de vários tons e sabores. Picantes? Só as alcaparras e... uma gotinha de limão. Tudo isso carregado de morangos de todos os tipos e formatos.
O que eu posso fazer? Sou vegetariana.
279
O que amo em ti
O que amo em ti não é senão o riso que a tua presença espalha em meu mísero espaço apertado de ser.
O que quero de ti?
Quero o teu olhar luminoso banhando a minha alma em trevas.
O que espero de ti?
Que fiques onde estás. Tu não me suportarias como sou, com toda a miserável exuberância do meu ser. E eu rejeitaria cada desejo teu que não alcançasse o meu sentir mais pleno.
O que fazer então?
Só olha para mim. E toca todo meu ser com a tua luz. E arranca o brilho que a minha alma Tem em tua presença.
O que posso dar-te?
O desejo de dar à luz a mais bela música Nascida do encontro do nosso amor. Do nosso estranho amor.
280
MENSAGEM DA VIDA
Eu sou a Vida.
Carrego em meu ventre todas as possibilidades!
Sou a doadora do bem e do belo.
Retiro uma porção de mim mesma, modelo um ser e ele toma forma visível.
A alguns, dou-lhes o poder de modelar o seu próprio modo de ser.
Ofereço-lhes uma parcela de meus poderes e lhes presenteio com os meus melhores dons.
Acompanho-lhes os passos.
Embalo-os em sonhos.
Guio-os por caminhos que os levem até onde possam tornar-se melhores.
Fertilizo-lhes a imaginação.
Dou-lhes o poder de criar.
É o ser humano.
Aquele que pode dar sentido a sua própria vida, independentemente das circunstâncias.
Este é o segredo que cada um carrega no coração: seu destino, a felicidade.
E para alcançá-la dei-lhe o dom de escolher.
Os caminhos são ricos, exuberantes, perigosos, às vezes exigem espírito de aventura.
São compostos de altos e baixos, pedras e relvas, dias e noites, sóis e chuvas, alegrias e tristezas, flores e espinhos, luz e sombra, dor e prazer...
Mas, caminhos são metáforas.
Metáforas da dualidade que ao mesmo tempo revela a unidade, no desejo de plenitude que todos sentem.
Por essa razão, dei a eles o dom de amar.
Ah! O amor! O amor quer realizar o bem, fecundar o belo.
A dor do amor é a inexistência do ser a quem amar,
posto que, aquele que tem a imagem de um coração amado jamais estará só.
Não se contentando em si mesmo, porque freqüentemente transborda, precisa de outras presenças, de outras pessoas, e pede um modo de expressar-se permanentemente.
Por isso, dei-lhe o direito à liberdade de ser o que desejar ser.
Cada vida tem um sentido maior, inalcançável pela limitada visão humana.
Todas as vidas, porém, independentemente dos julgamentos humanos, têm o seu lugar na orquestra dos mundos para a execução da sinfonia da vida.
E, ainda que eu, a Vida, possa retirar-me desse ser tão especial, não tenho o poder de apagar o que ele se tornou.
Não há meios de apagar o passado, que sobrevive na memória e desafia o tempo.
Afinal, cada um em seu presente constrói o próprio futuro.