terezinha_santana

terezinha_santana

Poeta, cantora, atriz, escritora

Perfil
922 Visualizações

Poesia realmente concreta



Eu sei que você gosta de amor meio feijoada.
Cheio de pernas, orelhas, línguas,
palavras de paio e lingüiça,
boiando em um caldo insensato.
 
Amor-feijoada.
Desses que alimentam o corpo e a alma
deliciosamente
com bastante feijão, preto, bem amassado
sal e pimenta a gosto, é claro!

É óbvio que com laranja, couve.
e aquela farofa espalhada pelo corpo inteiro do prato,
agarrada ao arroz como as tuas mãos crispadas de desejo.

Perdoe-me se temos gostos tão diferentes.
É que eu sou lírica.
Gosto da poesia da saladeira prateada
vestida de verdes, laranjas, vermelhos de vários tons e sabores.
Picantes?
Só as alcaparras e... uma gotinha de limão.
Tudo isso carregado de morangos de todos os tipos e formatos.

O que eu posso fazer?
Sou vegetariana.
Ler poema completo

Poemas

3

O que amo em ti

O que amo em ti
não é senão o riso que a tua presença espalha
em meu mísero espaço apertado de ser.

O que quero de ti?

Quero o teu olhar luminoso
banhando a minha alma em trevas.

O que espero de ti?

Que fiques onde estás.
Tu não me suportarias como sou,
com toda a miserável exuberância do meu ser.
E eu rejeitaria cada desejo teu
que não alcançasse o meu sentir mais pleno.

O que fazer então?

Só olha para mim.
E toca todo meu ser com a tua luz.
E arranca o brilho que a minha alma
Tem em tua presença.

O que posso dar-te?

O desejo de dar à luz a mais bela música
Nascida do encontro do nosso amor.
Do nosso estranho amor.
280

Poesia realmente concreta



Eu sei que você gosta de amor meio feijoada.
Cheio de pernas, orelhas, línguas,
palavras de paio e lingüiça,
boiando em um caldo insensato.
 
Amor-feijoada.
Desses que alimentam o corpo e a alma
deliciosamente
com bastante feijão, preto, bem amassado
sal e pimenta a gosto, é claro!

É óbvio que com laranja, couve.
e aquela farofa espalhada pelo corpo inteiro do prato,
agarrada ao arroz como as tuas mãos crispadas de desejo.

Perdoe-me se temos gostos tão diferentes.
É que eu sou lírica.
Gosto da poesia da saladeira prateada
vestida de verdes, laranjas, vermelhos de vários tons e sabores.
Picantes?
Só as alcaparras e... uma gotinha de limão.
Tudo isso carregado de morangos de todos os tipos e formatos.

O que eu posso fazer?
Sou vegetariana.
279

MENSAGEM DA VIDA


Eu sou a Vida.

Carrego em meu ventre todas as possibilidades!

Sou a doadora do bem e do belo.

Retiro uma porção de mim mesma, modelo um ser e ele toma forma visível.

A alguns, dou-lhes o poder de modelar o seu próprio modo de ser.

Ofereço-lhes uma parcela de meus poderes e lhes presenteio com os meus melhores dons.

Acompanho-lhes os passos.

Embalo-os em sonhos.

Guio-os por caminhos que os levem até onde possam tornar-se melhores.

Fertilizo-lhes a imaginação.

Dou-lhes o poder de criar.

É o ser humano.

Aquele que pode dar sentido a sua própria vida, independentemente das circunstâncias.

Este é o segredo que cada um carrega no coração: seu destino, a felicidade.

E para alcançá-la dei-lhe o dom de escolher.

Os caminhos são ricos, exuberantes, perigosos, às vezes exigem espírito de aventura.

São compostos de altos e baixos, pedras e relvas, dias e noites, sóis e chuvas, alegrias e tristezas, flores e espinhos, luz e sombra, dor e prazer...

Mas, caminhos são metáforas.

Metáforas da dualidade que ao mesmo tempo revela a unidade, no desejo de plenitude que todos sentem.

Por essa razão, dei a eles o dom de amar.

Ah! O amor! O amor quer realizar o bem, fecundar o belo.

A dor do amor é a inexistência do ser a quem amar,

posto que, aquele que tem a imagem de um coração amado jamais estará só.

Não se contentando em si mesmo, porque freqüentemente transborda, precisa de outras presenças, de outras pessoas, e pede um modo de expressar-se permanentemente.

Por isso, dei-lhe o direito à liberdade de ser o que desejar ser.

Cada vida tem um sentido maior, inalcançável pela limitada visão humana.

Todas as vidas, porém, independentemente dos julgamentos humanos, têm o seu lugar na orquestra dos mundos para a execução da sinfonia da vida.

E, ainda que eu, a Vida, possa retirar-me desse ser tão especial, não tenho o poder de apagar o que ele se tornou.

Não há meios de apagar o passado, que sobrevive na memória e desafia o tempo.

Afinal, cada um em seu presente constrói o próprio futuro.
261

Comentários (2)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
joaoeuzebio

QUE FEIJOADA DELICIOSA ME DEU FOME DE AMOR

clarissabsantana

DIVINA!