Thaís Fontenele

Thaís Fontenele

Escrevo poesia, porque de nada o mundo tá cheio e eu apenas ressignifico os nadas.

n. 0000-00-00, Parnaíba, Piauí

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Sinais

Há uma pulsão carnal na poesia, que goza das selvagerias insignificantes. poesia de thais fontenele
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Poemas

82

Portas no ponto

Os sentidos das portas que se fecham,
São muitas expressões do infinito,
Na existência da escuridão que finca os arcos do peito,
Na carne viva do coração,
Na ponta da luz, que rasga e vibra a cadência,
Os feixes que perpetuam a imensidão,
São o necessário para o fisgar da nuance da mente,
Os pontos finais,
as vazes não passam de uma porta fechada e uma reticência oculta,
com uma reticência e uma porta fechada,
é que se fazem as vidas.

 

 

341

70. Portas no ponto

Os sentidos das portas que se fecham,
São muitas expressões do infinito,
Na existência da escuridão que finca os arcos do peito,
Na carne viva do coração,
Na ponta da luz, que rasga e vibra a cadência,
Os feixes que perpetuam a imensidão,
São o necessário para o fisgar da nuance da mente,
Os pontos finais,
as vazes não passam de uma porta fechada e uma reticência oculta,
com uma reticência e uma porta fechada,
é que se fazem as vidas.

 

 

76

Podres poderes

As letras embaralhadas
A fragmentação que paira no horizonte
A riqueza benevolente das cores que pintam o oceano frio.
 
A tinta azul que rasga o céu
A terra fértil no enrolar dos cabelos
Marcando os dedos
os pés alternando as dores.
 
Os sonhos tão singelos
A destruição da dignidade
Os podres poderes.
270

O olhar para o eu

I. 
 
Vejo beleza em quase tudo,
nas minhas mãos,
essas que alcançam quase tudo.
 
Ando carregando o mundo nas mãos,
vejo beleza no meu ouvir,
esse que ouve quase tudo.
 
Sou existência crua e viril,
como não ser tanto e quase tudo,
escrevo sobre uma laranja comida ao pé da mesa,
como não sentir tanto
num mundo de tão pouco sentido
e raro tato satisfeito,
os olhares traçados em trilhas de lugares.
 

II.
 
Meus gestos são como dedilhados amargos na sua boca
seu jeito abismado com meu abstrato
estou nua, verde trevo é a cor do meu lado invisível,
indefinível para ti.
 

III.
 
Sou semente jogada em campo minado,
Sou a razão entre esses toques espessos,
Sinto-me como a árvore mais alta do mundo,
Guardando todos os restos de esperança,
Aguardando milênios a dentro,
Espalhando o brotar da purificação.
 
 
IV.
 
Quanto mais sujo e esperançoso se é,
mais instigante se torna a amarra delgada do estranho e do perfeito ser.
 
 
 
 

388

Versailles

Fazer o caminho, percorrer os lados, ofuscar os traços, borrando na tela, riscando os olhos, que veste o nu, desce,
fazendo o nó no ato,
os corpos ajustados ao passo que dilatam,
o olho que treme,
a mão e a coxa que se estende, a cama que respinga o amor e ódio,
a boca que geme, o rei sol que incide o fogo que queima e se estende,
nas virilhas do castelo, no homem,
na mulher que se prende,
a França na água ardente,
navegando na saliva do prazer dos crentes,
que o rei sol tanto depende.
 
410

Nossas almas verdes

O raio que corre entre meu corpo,
a queimação exagerada, o vento da minha alma,
que se encontra aberta, o frio me agarrando sem medo,
a cor que passa entre os nossos lábios,
teu cabelo me enrolando, nossas almas verdes,
nossos sentidos abstratos,
me lembram o ar livre e fresco,
que simultaneamente nos encaixamos.
 
401

O quase instante

Todos nós temos um quase instante,
daqueles que não poderiam ser quase,
típico momento em que perdemos o fio da miada,
e continuamos jogando palavras do corpo,
típico momento em que cuspimos com palavras,
e escorregamos em certezas, dando espaço para a ignorância,
sendo vão,
as vezes somos tão afiados quanto a língua portuguesa,
e somos tão ríspidos quanto as pedras,
nesses quase instante que te cerca,
onde o ruído, é um grito.
 

 

366

A urgência do tempo

Nunca irei me acostumar com o tempo,
ele me assusta,
eu gosto quando o tempo corre,
mas não gosto de correr junto com ele,
o tempo me assusta mesmo sendo tão belo,
e o quanto ele é desolador e nos arrasta para a solidão,
desmascarando quem somos ao passo que corre,
nos lembrando que a solidão é a urgência de saber quem somos.
1 122

Tem muito de mim

Existem dias que eu te enxergo em mim,
em outros dias não enxergo nada além de uma vista para o mar,
e há dias que estão cheios de ti,
e outros que não tem nada além de um horizonte finito,
eu sei bem que tu querias me enxergar em ti,
mas tem muito de mim
para caber em ti.
 
338

Não espere

Se não te leem os olhos,
por que irão ler teus lábios?
se não te leem com a voz aguda que te escapa,
por que irão ler teu silêncio compassado?
tu guardou-se as entranhas, mas cadê o coração?
não espere que sejam o que tu desejas,
ninguém está preparado para suprir devaneios alheios,
a devastação é tamanha, que o que sobra é pouco para os outros,
então existe tudo,
e existe tu e o mundo,
e existe tu e as insignificâncias,
e existe tu e as lacunas que te fazem cheios de si.
355

Comentários (14)

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Francisco Guilherme

Você tem muito potencial. Parabéns! Poemas fortes

camila_duarte

Escrita incrível, tocante, memorável <3

joaoeuzebio

O DESGASTAR NÃODEGASTOU TEU BRILHO UM ABRAÇO BELO POEMAS

felixa

Belíssima espiritualidade! Sinto essas vibrações no devaneio de imagens que as palavras me trazem ao lê-la

Thaís Fontenele

Pode ser fernando, eu creio que minha liberdade poética, não é exatamente como denuncia, somente meus devaneios, porém isso vai do subjetivo de cada um que interpretou, beijos!