Thaís Fontenele

Thaís Fontenele

Escrevo poesia, porque de nada o mundo tá cheio e eu apenas ressignifico os nadas.

n. 0000-00-00, Parnaíba, Piauí

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Sinais

Há uma pulsão carnal na poesia, que goza das selvagerias insignificantes. poesia de thais fontenele
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Poemas

82

Valores

Tem gente corajoso, 
o menino precisa de muita coragem para aceitar 
que o mundo não vale um centavo, 
com tantas vidas inteiras, mares inteiros, rios se rompendo, 
gente partida ao meio
um centavo não vale, 
precisa de coragem chico para aceitar que o mundo de nada vale, 
poucas coisas valem a coragem. 
1 185

Ciência

Se me disserem que existe inocência na poesia,
eu negarei,
existe poesia na inocência,
no entanto não há poesia pura,
pois existe vida, crueza e coisa nenhuma. 
1 198

Levar-te


Desejo que se engasgue 
comigo 
dentro da tua boca

Engula minha carne
como quem bebe todo o ouro 

Na tua língua 
A política
O vinho
todo o meu corpo

A intimidade é do tamanho dos teus seios
A filosofia da paixão cabe num escarro 
Os encontros nas distrações
A água que mata a sede
Parte da linguagem 

Os dias 
A terra
A luz da janela 
Tuas costas nuas
Todos os ventres. 
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Sinais

Há uma pulsão carnal na poesia, que goza das selvagerias insignificantes. poesia de thais fontenele
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O derramar no papel

Eu deito todos os dias com minha poesia,
e ela me arrebata e engasga,
as palavras me atenuam,
são agressivas, invadem,
me enlaçam e vão me consumindo,
quando vejo,
é apenas a manhã chegando,
e não é noite, já é dia,
a poesia me faz confundir as horas e as alegrias.
 
 
Minhas mãos me descrevem bem,
carregam no grafite meus caminhos,
e vão me rasgando no verbo,
me despejam num papel qualquer.
 
Eu gosto de me derramar pra poesia,
quando vejo já estou arrebatada,
pregada numa palavra e entregue ao tempo que aquele papel rasurado durar.
 
533

As andanças


O compassar dos corpos
se fazem na polpa dos dedos,
sabemos que por mais longo que seja o caminho,
o meu regresso é inevitável,
e o gozar dos olhares é tátil,
o tempo é pouco e as aventuras muitas,
as pernas esgotáveis e os rostos traçados,
os pés os mesmos, aqueles que me prendem ao chão. 
1 303

Corpos breves

Tu se esquecerás de hoje
assim como se esquecerá dos olhos que tanto te amam
nesta efemeridade de sentir pouco.
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A importância dos atos

A cadência em fazer-se
o ato de temperar
o ato de mastigar
o ato de nutrir
o ato de gemer.
748

O olhar para o eu

I. 
 
Vejo beleza em quase tudo,
nas minhas mãos,
essas que alcançam quase tudo.
 
Ando carregando o mundo nas mãos,
vejo beleza no meu ouvir,
esse que ouve quase tudo.
 
Sou existência crua e viril,
como não ser tanto e quase tudo,
escrevo sobre uma laranja comida ao pé da mesa,
como não sentir tanto
num mundo de tão pouco sentido
e raro tato satisfeito,
os olhares traçados em trilhas de lugares.
 
 
II.
 
Meus gestos são como dedilhados amargos na sua boca
seu jeito abismado com meu abstrato
estou nua, verde trevo é a cor do meu lado invisível,
indefinível para ti.
 
III.
 
Sou semente jogada em campo minado,
Sou a razão entre esses toques espessos,
Sinto-me como a árvore mais alta do mundo,
Guardando todos os restos de esperança,
Aguardando milênios a dentro,
Espalhando o brotar da purificação.
 
 
IV.
 
Quanto mais sujo e esperançoso se é,
mais instigante se torna a amarra delgada do estranho e do perfeito ser.
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Dança de corpos


O amor
uma perca de fôlego
uma troca de vazios
são os lábios enrolando no peito
há uma espera da eternidade em nó
o corpo desde as roupas as entranhas
são dois olhares sambando na ponta dos pés.
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Comentários (14)

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Francisco Guilherme

Você tem muito potencial. Parabéns! Poemas fortes

camila_duarte

Escrita incrível, tocante, memorável <3

joaoeuzebio

O DESGASTAR NÃODEGASTOU TEU BRILHO UM ABRAÇO BELO POEMAS

felixa

Belíssima espiritualidade! Sinto essas vibrações no devaneio de imagens que as palavras me trazem ao lê-la

Thaís Fontenele

Pode ser fernando, eu creio que minha liberdade poética, não é exatamente como denuncia, somente meus devaneios, porém isso vai do subjetivo de cada um que interpretou, beijos!