Lista de Poemas

Soneto do fim

Agindo de modo tão vil,
Provaste o caráter que tens
Não mais eu seu serei teu refém
nesse caso de amor servil

Nos tempos dourados, me abri
falei-te de meus privados segredos
vivemos tão belo enredo
Mas deste as costas tão logo caí

Por certo não estou mais no alto
Do auge só vejo a miragem
de um sonho tomado de assalto

A paixão é mesmo uma viagem
Aproveite enquanto não vem o arauto
dizendo: meu caro, acabou a paisagem!
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O monstro

Tudo é cinza, o mundo bicolor
esperanças perdidas num vale de dor
Outrora ria, sentia minha vida
um sopro divino, um dom do Senhor.

Saudades eu tenho, dum tempo remoto
dum lugar longínquo, de um simples menino
que vivia o momento, jogava pião
corria, brincava, não via que havia
bem perto dali, um ser temeroso, esperando o momento
que, sem piedade, sem dó, faria daquilo
uma vil nostalgia; lembranças de quando havia alegria.
O monstro é famoso, temido por todos, pelo sol pelo vento.
Isso mesmo, amigo, seu nome é o tempo.
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Escrevo vivência, não me amarro às metricas consolidadas, embora as aprecie quando utilizadas com sabedoria.