Divina chuva...
"Divina chuva"...
Olho pela janela
e vejo como a chuva cai.
cai leve, levemente
pra depois cair intensamente,
os sons das gotas da chuva que caí,
entoam no telhado
e fazem a mais linda sinfonia,
batiam e molhavam toda a vidraça,
esta divina chuva que o chão repassa,
vejo também luzes dos reflexos,
da chuva no asfalto lavado,
fazem as minhas lembranças,
retornar ao passado,
da minha doce e feliz infância.
saudade e a melancolia
entram dentro de mim,
nesta manhã nostálgica e fria,
meu coração chora e a nostalgia insiste
ao ritmo desta chuva silenciosa e triste...
Luzern, 04.05.2020, Joao Neves
Nada sei
"Em quarentena, escrevendo" 2
E eu que pensava saber tudo,
e dei-me conta que não sei nada,
Creí que eras tu a mulher dos meus sonhos,
Olhei pró céu tanto brilhava o sol,
como estava nublado,
a tarde pode estar bonita,
e não importa se o vento sopra frio,
ou se ao sol se sente calor,
o que importa é viver do teu amor...
Luzern, 25.04.2020, João Neves.
Diz-me
Diz-me que o teu coração,
já me esqueceu,
diz-me que ele nunca me pertenceu,
que eu mostro te os meus lábios ainda molhados,
do beijo que a tua boca me deu...
Todos sabem
"De quarentena rebuscando" 29
Sabes do sol que brilha lá no céu?
Sabes dos ventos?
cá na terra, ventos sem fim,
todos sabem!
até o luar já sabe que eu gosto de ti,
Só falta saber se tu gostas de mim?
este amor que tem sabor a mar,
Sabe-me a terra, sabe a luar,
sabe-me a ti também,
cá na terra ou no céu,
este amor e imenso,
tu serás minha e eu serei teu,
como Julieta foi pro Romeu...
Luzern, 27.04.2016, João Neves.
Se se cala a musica Me calo eu...
"De quarentena rebuscando" 31
Nasci ao som da telefonia,
numa casa onde sai música e alegria,
pela manhã, meio dia ou hora de jantar,
há sempre uma música para escutar,
se se cala a música morre a rosa, morre a noite,
morre o boémio e morre a boémia,
morro eu, morres tu, morre o bar e morre o cabaré,
morre a discoteca, morre o poeta,
morre o amor, morre a paixão,
se se cala a música, se cala a vida,
porque a vida é um canto,
se se cala a música se cala o cantor,
a música também pode ser o pranto vestido de dor,
ou pode ser a alegria vestida de amor,
se se cala a música se cala a luz e a esperança,
se calam o adulto se cala a criança,
se se cala a música se cala o homem, e o actor,
se cala a música se cala o professor,
se cala o piano se cala a guitarra se cala o tambor,
Se cala a música se cala a cigarra,
que canta nas noites de verão,
Se se cala a música, me calo eu,
e se cala o meu coração...
Luzern, 30-04-2016- João Neves...
Uma melancolia romântica que me interessou bastante, adorei seus poemas, continue publicando aqui, estarei acompanhando seus poemas, pois realmente me identifiquei. Parabéns!