Victor Araújo

Victor Araújo

n. 1992 BR BR

Apreciador da arte e da peculiaridade do estético.

n. 1992-06-01, Natal -RN

Perfil
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PREVISIBILIDADE



Onde tudo é sólido, artificial e previsível,
sou volátil, natural e risco.
Onde tudo é falsamente construído,
tomo um martelo para quebrar esses muros.

Sim, é um jogo de cartas marcadas.
Sabemos que não há espaço.
Nego-me a sentar convosco.
Exijo a destruição da vossa mesa.

Adaptar-se é uma forma de prisão.
Quem dá os termos?
A cada dia não enxergo uma única fresta de luz.
Apenas mal-estar e desconforto.

Não assinei nenhum contrato.
Essa força cada vez mais esmaga.
Só existem falsas possibilidades,
onde tudo é o que não deveria ser.
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Poemas

14

SUBVERSIVIDADE



Contestar a ordem.
Desligar os televisores.
Estimular o caos.
Por fim a era dos detentores. 
610

CONFIGURAÇÕES RECOMENDADAS



Vivendo através de configurações recomendadas 
perseguindo tesouros abstratos,
todas as ações tornam-se instrumentalizadas para esse fim.

A contínua substituição do viver pelo existir
é um fato dramático que,
por sua vez,
abre uma bifurcação no caminho: robotização ou niilismo?
659

BASTARDO



Eu sou o filho bastardo

largado nas sombras da escuridão.
Entre as fronteiras da selva
e os limites da peregrinação.

Pelas migalhas da sorte,
eu me fortaleço.
Pelos vacilos do acaso,
na chacina, amanheço.

Miséria da caridade.
sobrevivente do medo.
Decidido a implodir
a erupção do caos.
653

A FARSA QUE NÓS VIVEMOS




As coisas mudaram,

mas a farsa continua a mesma.
A essência do interesse permanece
como uma sólida rocha milenar.

A perversidade como efeito do poder.
O direito de imbecializar-se.
A religião que apenas complementa
a saciedade nefasta das criaturas.

A supremacia do material eclode,
em sua insanidade,
a idiotização do proprietário.
O dinheiro como epicentro do todo.

Um reino de valores ilusórios.
Falsos paladinos da justiça social.
A opressão dos falsos oprimidos.
A farsa que nós vivemos.
631

LINHA RETA



Apontaram-me o caminho em linha reta,

em linha reta busquei a paz.
Observei os desvios que se apresentavam,
a inércia não me permitiu ousar.

Pelo menor ângulo que houvesse dado à minha trajetória,
em outro lugar certamente estaria.
Prossegui na rigidez retilínea
por comodismo ou por uma falsa superioridade moral.

Talvez me faltasse tudo,
talvez me faltasse nada.
A totalidade das possibilidades.
Cartas na manga.

Um maniqueísmo sem fim
segurou o meu volante
em um piloto automático
na artificialização do meu ser.
780

VOZES NO DESERTO



Sem rumo, vagando nas areias desse mundo.

Sem perceber, nenhum minuto em um segundo.
As vozes vão cair num mar profundo.

Ao nascer de cada manhã,
escrevendo palavras vazias,
um aroma de hortelã
vem perfumar estes dias

Ao passo que caí,
o modo como se vai,
a maneira como se saí,
a sombra se desfaz.

Como tudo é passageiro,
nada é um erro.
Um tiro frio e certeiro
transforma o ultimo em primeiro.

O fluxo da luz saindo do escuro,
pelas sombras de um coração puro
as vozes irão chegar aos ouvidos surdos.

Tarde leve e calma.
Passos ao horizonte.
Sentindo a presente falta
de sua origem distante.

Deixar pegadas na areia.
vozes que vão acabar
subindo em uma fogueira.
A chama que vem nos queimar.
642

UM HOMEM COMUM



Repensando a existência.

Perseguindo a essência.
Olhando para os lados
constantemente entediado.

Era apenas mais um homem.
Um homem comum.
Sem grande valor.
Sem valor nenhum.

Não lhe tinham apreço.
Não era cortejado.
Apenas um homem.
Em busca de significado.

Sua vida entre bilhões.
Seus passos entre a multidão.
Não possuía respaldo.
Um homem sem paixão.
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JAULAS INVISÍVEIS



Eu queria dormir e acordar com a certeza da incerteza.

Olhar pela janela e ver um mar de desconhecidos,
contemplar a diversidade.

Eu queria que o hoje não fosse igual ao ontem
e muito menos ao amanhã.
Poder sair na rua e me ver diante de infinitas possibilidades,
mas estou preso no estático.

No lugar onde nada muda, apenas deteriora-se.
Onde tudo é previsível
e a única certeza é a do desgaste.

Jaulas invisíveis tornam-se mais sólidas.
A esperança morreu.
Onde o sol nasce por hábito.
Onde o relógio move-se por falta do que fazer.
642

INCERTO



O homem de ontem

que se dispara contra o hoje.
Rechaçado pela angústia.
Fragmentado pelas dores.

O homem de hoje
se ergue para o incerto.
Rastejante da necessidade.
Circulando no deserto.

O homem do incerto
projeta-se para o túmulo.
Olhando para trás.
O destino obscuro.
681

A ESTRADA DOS PERDEDORES



Vagando como vagueiam os perdedores

pelo rastro da própria sombra segue-se em desalento.
Um corpo desafeto e desalmado
a si mesmo refugia-se em temores.

Pela porta de uma igreja ou quem sabe pela janela de um hospício
esses homens perdem-se em redemoinhos de seu tempo.
A constante espera por um significado.
O rompimento das cadeias de previsibilidade.

No lapso da loucura transcendem os moribundos da razão.
Ondas de conturbações anseiam adentrar no estático paradigma.
Por essas estradas abertas vagueiam os perdedores.
679

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lilith666

Foda