Deus da ebriedade, Baco, adorado Toque sua música, sensual, cativante Enquanto caminhamos, passos largos, Ao abismo, encantado, da saciedade.
Toque sua flauta demoníaca, Que seduz a mais formosa Das Helenas recatadas. Na noite que reina voluptuosa,
Dê-nos seu vinho mais forte Pra produzir efeito amargo, Deixar-nos num estado De felicidade desdenhosa.
Coloque à mesa um banquete! Qual festim do pecado primeiro, Engana-nos por inteiro e faz morrer a saudade, o desterro.
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Ponto e Vírgula
As vírgulas me seduzem; os pontos são tristonhos. As vírgulas me conduzem; não há pontos onde há sonhos. Temos vírgulas onde há luzes; mas é negro todo ponto. Pois as vírgulas são homens; e no ponto já não somos.
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Porco de Espírito
Desejei uma miríade de mulheres pra juntarem-se ao meu corpo tomei todas as drogas pra elevar meu espírito escrevi com todas as letras: 'não compactuo com isso!' E não restaram, nem um, nem outro me tornei um porco de espírito.
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A Razão da Bebedeira
A razão de toda a bebedeira É a facilidade com que se vislumbra Idéias assaz altaneiras Com as quais se planeja Toda a vida, numa sexta-feira.
A razão de todo porre É poder morrer quando se escolhe. E viver pequenas aventuras, Quando o copo te engole. Saber furtar-se de todo o juízo Sabendo-se ninguém.
É anular o que o ego quer, E dizer com as pulsões O que se sabe errado. É aliviar a carga, como(?) Se o mundo estivesse encharcado.
A razão de qualquer bebedeira é a paixão por qualquer perda é função de qualquer merda numa vida sem sombra e esteira.
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Oração do Sonho
Cabe a mim, rezar. Rezar que se faça Sombra tranquila Da infelicidade.
Que se faça quieto O sono que acorda, Espasmódico, Quando já é tarde.
Que se façam amáveis As carícias suaves Das mãos que passeiam Sem entraves.
Que as pernas cansadas Cambaleiem em danças! Contra-tempos e vaidades, São dispensáveis.
Que as mãos que labutam Não persigam condutas, Daqueles que amam o veneno na semente.
Que os olhos que enxerguem Se façam astutos e vejam, irresolutos, a construção de novas mentes.
Que esse Homem se erga, Sapiens, cogite a sensatez absurda, fazer de si um ser, emancipado em absoluto.
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Poesia?
Um amigo me pediu um dia Para que fizesse um verso, Que ensinasse a fazer poesia. A verdade é que nunca fiz verso, Nunca rimei. Não sei criar o que não se cria. Só sei ver o que detesto E por pra fora o que me angustia.
Se for assim que se faz, Não quero ser poeta. Quero esquecer agora, Que já me escrevi um dia.
Poeta é gente mais prosa! E eu só tenho as brincadeiras, Dum peito que ferve em tormenta, E nunca silencia.