Vieira da Silva

Vieira da Silva

n. 1946 PT PT

n. 1946-07-11, Ílhavo

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canção para um povo triste

canto o povo triste

de quem sou

louco em cantar

para esquecer

os sonhos tidos

na manhã da vida

sol de madrugada

livre no morrer

canto a heroicidade

conformada

de quem chorando

se atreve a cantar

barco perdido

na prisão das ondas

as velas rasgadas

o leme a quebrar

canto a solidão

a ocidente

ligada à terra

que nos viu nascer

a covardia

feita de orações

na doce esperança

de poder morrer

canto o desespero

fatalista

de quem sofrendo

se deixa ficar

olhos cansados

enxada na mão

trabalhando a terra

que lhe vão roubar

canto o meu poema

de revolta

ao povo morto

que não quer gritar

que já são horas para ser feliz

que é chegado o dia do medo acabar.

Vieira da Silva

1969

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Poemas

2

canção para um povo triste

canto o povo triste

de quem sou

louco em cantar

para esquecer

os sonhos tidos

na manhã da vida

sol de madrugada

livre no morrer

canto a heroicidade

conformada

de quem chorando

se atreve a cantar

barco perdido

na prisão das ondas

as velas rasgadas

o leme a quebrar

canto a solidão

a ocidente

ligada à terra

que nos viu nascer

a covardia

feita de orações

na doce esperança

de poder morrer

canto o desespero

fatalista

de quem sofrendo

se deixa ficar

olhos cansados

enxada na mão

trabalhando a terra

que lhe vão roubar

canto o meu poema

de revolta

ao povo morto

que não quer gritar

que já são horas para ser feliz

que é chegado o dia do medo acabar.

Vieira da Silva

1969

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escola

professor

não tenhas pressa

saí agora de casa

tenho a amarga sensação

de perda não sei de quê

de um regaço

de um abraço

que me ficou na memória

professor

não tenhas pressa

não sou um quadro vazio

já trago dentro de mim

os traços de outras viagens

imaginárias

reais

dos dias da minha história.

Vieira da Silva

150

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