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Vinicius Carvalho da Silva é flamenguista, se alimenta de orgânicos, crê na santíssima trindade de Bach, Beethoven e Mozart, mas sabe que o Jazz é redentor, e que o samba esclarece.

Perfil
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Saudades

Doce Eudóxia de olhos doces
Olhos diáfanos de doce Eudóxia.

Levo, junto comigo
Fotos que jamais tirei
Da voz do meu pai
Do aroma de minha mãe
Dos espíritos de meus irmãos
Fotos que jamais tirei
De saudades que viverei?

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Biografia
Vinicius Carvalho da Silva é flamenguista, se alimenta de orgânicos, crê na santíssima trindade de Bach, Beethoven e Mozart, mas sabe que o Jazz é redentor, e que o samba esclarece. Está a um passo de concluir seu doutoramento em Filosofia da Ciência e Teoria do Conhecimento pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Estuda História da Ciência na Fiocruz e não sabe contar piadas. Adora ouvir, no entanto. É pesquisador do Instituto de Estudos Sociais e Conceituais em Ciência, Tecnologia e Sociedade e colabora com a Faculdade Messiânica. Casou com a mulher de sua vida, tem quatro sobrinhos lindos, e três criaturas gostosas, dois vira latas e um pug. 

Poemas

15

Sacralidade II

Sacralidade II: a Criação.

Sacro o processo geo-antropológico
O Big Bang, sacro mantra zen, protocósmico
De cada erva, cada relva, de cada selva, sua verdura
O olhar de cada deus, de cada zeus sua nervura
Sacra cada face que a espada de Marte tocou
O chão, sacro solo, cada pedaço que Jesus pisou

De Bach, cada nota, cada observação de Galileu
Sacra a maça do Éden, mãe da História
Sacro o fogo nos dado por Prometeu
E cintilante e iluminada, cheia de Glória
Orion a pairar profunda, qual olho sacro de Deus

Vinicius Carvalho da Silva.


378

Versos de Lorca

Partiste e esvaziaste o armário
roubaste meus incensários
anunciando na aurora:
vou embora!
E fostes.

Arrebentaste a porta
na parde,
deixou versos de Lorca
Fortes.
385

Eidos

Tocou a face como se buscasse retirar a máscara que colara com o tempo. As mãos, translúcidas, passaram direto, em tropel. Eram mãos, ou eram uma ideia de mãos? Havia face ou mera miragem ao léu? Se não era lama, lodo, húmus, terra, seria real? Mas não era ele a sombra do que fora um homem, um símbolo, signo, arquétipo, ideal?

398

Luz

Olha que o brilho da lua
é tão belo quanto a luz do dia
Vê como é lindo o brilho que no mar flutua
Que do céu mergulha, na luz que a lua irradia.

390

Devir

Tudo, na physis, está em movimento
O todo, da natura, se transforma com o tempo.

A gota vira mar
A brisa vira vento
O fio d'agua vira rio
O espírito se torna humano
O mar vira oceano
O vento, tufão bravio
O rio um lago imenso
O humano, cria ao se criar.

A dúvida, pensamento
A dupla vira trio
O dia vira ano
O cheio vira o vazio
O algodão vira pano
A equação, sentimento

Devir, dever do Ser, tudo já não é nesse momento.

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