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Vinicius Carvalho da Silva é flamenguista, se alimenta de orgânicos, crê na santíssima trindade de Bach, Beethoven e Mozart, mas sabe que o Jazz é redentor, e que o samba esclarece.

Perfil
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Metro Quadrado de Sertão

Minha viola cansada
Morre sossegada no chão
Aperriada, minha forte enxada
É dominada por minha mão
Sinto que sou o próprio chão rachado
Um metro quadrado de sertão.
Fico a profetizar se a chuva tarda
Ou se só chove na próxima estação
No barraco só tenho pouco d'água
Inda ontem tinha pão.
Só sei do futuro até de madrugada
Depois já não sei mais não
Se me embebedo de cachaça
Ou se fujo na boleia do caminhão
Se vou pra cidade fazer fumaça
Ou procurar água no Ribeirão
Se busco por meus onze filhos
Ou se embrenho na solidão
Tento seguir adiante no caminho
Mas vem boiada na contramão
Me sinto galho retorcido feito cobra
Sou todo pau pra pouca obra
Minha alma secou junto com o poço
Por dentro e por fora, sou só pele e osso
Rezo a Deus por salvação
Sou um sólido solitário, real e imaginário
Metro quadrado de sertão.

Vinícius Carvalho da SilvaOs Retirantes - Cândido Portinari

Ler poema completo
Biografia
Vinicius Carvalho da Silva é flamenguista, se alimenta de orgânicos, crê na santíssima trindade de Bach, Beethoven e Mozart, mas sabe que o Jazz é redentor, e que o samba esclarece. Está a um passo de concluir seu doutoramento em Filosofia da Ciência e Teoria do Conhecimento pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Estuda História da Ciência na Fiocruz e não sabe contar piadas. Adora ouvir, no entanto. É pesquisador do Instituto de Estudos Sociais e Conceituais em Ciência, Tecnologia e Sociedade e colabora com a Faculdade Messiânica. Casou com a mulher de sua vida, tem quatro sobrinhos lindos, e três criaturas gostosas, dois vira latas e um pug. 

Poemas

15

Luz

Olha que o brilho da lua
é tão belo quanto a luz do dia
Vê como é lindo o brilho que no mar flutua
Que do céu mergulha, na luz que a lua irradia.

390

Saudades de Mariana

Saudades de Mariana.

Mariana era ainda moça virgem
Do Capital e seu lodaçal
Não conhecera a vertigem
Mariana não vivera a lama e o mal

Ah, Mariana, cheia de poesia e ciência
Mariana que nos convidava a ficar
Do coreto, nos recebeu com a experiência
E se despediu na Igreja, com promessas de Bach

384

Saudades

Doce Eudóxia de olhos doces
Olhos diáfanos de doce Eudóxia.

Levo, junto comigo
Fotos que jamais tirei
Da voz do meu pai
Do aroma de minha mãe
Dos espíritos de meus irmãos
Fotos que jamais tirei
De saudades que viverei?

381

Todas as vidas

Quero o brilho de todas as luas
O charme peculiar de todas as ruas
O sabor típico de cada lugar
O diferente orvalho dos campos diversos
O frio gostoso dos muitos invernos
O aroma sutil de cada pomar
A beleza do sol refletido no mar

387

Goiânia

Já estão desbotadas
minhas últimas memórias de Goiânia.
Se encontram amareladas
as fotos que não tenho, de Goiânia.

Estão repetidas
As vozes de Goiânia
Quantas saudades,
da minúscula parte de minha vida
Que cabe inteiramente à Goiânia.

A tremula mão de meu avô
Sua gostosa voz de brincadeira
Meus tios, primos
O futebol na rua, a tarde inteira

O que um dia foi vento
Hoje é leve brisa de tempo
Ah, Goiânia plena e plana
Será real? Ou é só meu sentimento?
Goiânia existe memo nesse mundo?
Ou é mundo do pensamento?


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