Silêncio entrelaça solidão Vagando horas a fio Noite e dia reinando Concedendo as sapatilhas d'alma Andarilho sem rumo Vagando sob o estrelar Só ouvindo o silêncio Apenas vendo o vazio Sentindo frio nos ossos Congelando o relógio Os ponteiros vagarosos Que num piscar completa o ciclo Ao som do silencioso vento frio Às portas adentrando Em núpcias com a solidão Gerando o tédio do vazio Levando ao desconhecido Um caminho de pedras e lama Tropeçadas na palpável escuridão D'um dia cinzento e silencioso Em fria nevoa, apenas, caminhando Sozinho em seu silêncio Ao som da congelada batida do coração Segue o moribundo solitário Em suas lágrimas secas e congeladas Mascara a peça de sua vida Sozinho no palco E o teatro vazio Sem luzes ou som Apenas o monólogo Do ator andarilho moribundo Encenando sua solidão Em último ato sua vazia alma Encenada num teatro vazio.
Outra noite sem visita. Mente viaja sem lógica, Em si mesma perdida. Folhas ao vento está. Outra noite sem visita. O sono perdido no labirinto, Em paredes de arbustos, Fantasmas encrustado... Outra noite sem visita. Incógnita da mente ligada Lâmpadas nos arbustos... Fraca, singela, apenas, em Outra noite sem visita. Desistente em adentrar, e Atravessar com sua lamparina Enfrentando seu pior medo! Outra noite sem visita. Sem visita do humano Sem presença duma vida Seu medo de seu fantasma, em Outra noite sem visita Que fantasma que duela Uma vida frígida e outra ardente, Um duelo de dois guerreiros, e Outra noite sem visita. Em retalhos cosida, Pedaços de história, Manta de fragmentos. Outra noite sem visita. Soprando vazia, Dores de retalhos, Histórias inacabadas, Sem somestesia, em Outra noite sem visita. Devaneios no labirinto, Perdido em seus becos, O sono esqueceu-se... e Outra noite sem visita.
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Luminária
A noite desce e o silêncio abre às portas do sono que chega envolvendo corpo e mente. Sonhos, lembranças, déjà vús, ..., às vezes apenas esquecimento envolvendo uma noite repousante e renovadora. Lembranças e os déjà vus... Nostalgias de uma caminhada encontradas nas caixas de memórias abertas, algumas próximas e outras distantes... memórias quase esquecidas, mas lembradas em pinturas nostálgicas de uma vida. O que ilumina nossa noite? Luminárias em cabeceiras ou em mesas ao fundo do quarto... Mas alí está, reduzindo a escuridão simplesmente na necessidade de luz para haver segurança e vida... noite, és especial em jantares românticos, filmes românticos, repouso de corpo, mente e alma. Dia e noite não são antagônicos, mas se completam no entrelaçar da corda da vida. Talvez o yan ping seja o equilíbrio do dia e noite, onde um termina e outro começa em uma continuidade perfeita como a perfeição da aliança. Silêncio da noite é romance, repouso, vida, sonho,..., equilíbrio. Luminária... Bela és!
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Noite sem visita
Outra noite sem visita. Mente viaja sem lógica, Em si mesma perdida. Folhas ao vento está. Outra noite sem visita. O sono perdido no labirinto, Em paredes de arbustos, Fantasmas encrustado... Outra noite sem visita. Incógnita da mente ligada Lâmpadas nos arbustos... Fraca, singela, apenas, em Outra noite sem visita. Desistente em adentrar, e Atravessar com sua lamparina Enfrentando seu pior medo! Outra noite sem visita. Sem visita do humano Sem presença duma vida Seu medo de seu fantasma, em Outra noite sem visita Que fantasma que duela Uma vida frígida e outra ardente, Um duelo de dois guerreiros, e Outra noite sem visita. Em retalhos cosida, Pedaços de história, Manta de fragmentos. Outra noite sem visita. Soprando vazia, Dores de retalhos, Histórias inacabadas, Sem somestesia, em Outra noite sem visita. Devaneios no labirinto, Perdido em seus becos, O sono esqueceu-se... e Outra noite sem visita.
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Cancioneiro da noite
Lembrando Caetano e Leonardo, Lendas do cancioneiro brasileiro, Cada um cantando a seu tempo O silêncio da noite sendo narrado.
Levante os olhos e deslumbre Em negrume cortina pontilhada Faz-se a bela noite estrelada Aguardando ter seu vislumbre.
Vislumbre da cortina noturna Onde cada vida se envolve Sonhando acordado a vida.
Em meio a noite encontrar fé Hoje não será o ontem sem vida Mas, encontrará um novo arcode.
Por Wendel Jacinto
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Dama da noite
Rompe o silêncio cada passada Pisada firme, delicada, graciosa Num gracioso passo a frente d'outro Sob seu salto fino escarlate Levam meus olhos a passearem Lendo os envoltos e detalhes da escultura Emoldurada nas curvas do vestido Que fixam meus olhos ofegantes Caminhando palmo a palmo admirado Admirando seu vestido preto desenhando A formosura de duas pernas e estuprado Sem ar no rasgo em sua coxa impinotizantes Meu coração acelerando a passear Viajando a estação de seus quadris esculpidos Detalhando a beleza de sua silhueta ... Um gole seco da boca seca sedenta Acompanhando a navegação à cintura Envolta numa delicada cinta dourada Destacando- se na negritude do vestido Que impulsiona os olhos à escalada Acelerando os batimentos em ansiedade Chegando a segunda cava de seu vestido À cima da cintura abre a cava rumo aos bustos Envolvendo -os, salientando -os, saltando aos olhos Valorizando aquela escultura à mão Os olhos instigados a prosseguirem Subindo ao pescoço graciosamente tentador Ao fundo as mexas de seus cabelos ondulados E, em fim, aquele rosto em perfeita simetria Seus olhos clamando junto aos seus lábios: Beije-me como se houvesse apenas esse momento Beije-me porque só há esses minutos nessa pintura Acalme, acelere, transborde meu coração Sou a dama de sua noite. Sele a noite com a paixão de nossas palpitações...
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Veredas
Um apaixonado por cerejeiras viu-as ao longe e caminhou seguindo sua beleza e frescor. Por horas de caminhada seguiu seu perfume viu-se numa vereda íngreme. Mas ainda sentindo o perfume, esmoreceu. Olhou levemente ao seu Sudoeste, e viu um declive suave e uma praia ao longe, Parecia-lhe ouvir o som das ondas. Uma vereda em declive suave e hipnotizante e, a outra vereda, aclive ainda mais íngreme; olhou o caminho irregular, pedregoso, esburacado com moitas e espinhos... As cerejeiras tornaram-se foscas e eram como se não houvessem existido. Parado era como se sentisse os espinhos na carne em pés torcidos pelo caminho pedregoso o perfume fez-se sangria podre envolvendo seus sentidos. Porém, ali, noutra vereda, praia, sol e tranquilidade. O que mais poderia querer em meus dias que a glutonaria? Vale ter os dias em dores por uma cerejeira, ou ... o gozo da glutonaria na afrodisíaca praia junto a festas cercado por glutões e ninfas? Perfume? Que seja da beleza das ninfas em delícias festivas de Baco... Cerejeiras, dores, aclives, qual seu fim se meus dias têm fim? Veredas... veredas em gozo de festivais, Festas regadas à fartura, vinho e ninfas. Alguns trilharam a via dolorosa, Fazendo-se Odisseu e Perseu seguiam pelo caminho peregrinando sob zombaria. As pedras pelo caminho e espinhos cravando em suas mãos; sangue em pegadas. Um tempo e mais um tempo de subida, chegaram a um córrego límpido, em suas águas saciavam sua sede enquanto as águas lavavam suas feridas cobertos pelas águas. Ali, a sua frente, a cerejeira com seu perfume tomando todo seu ser. Em beleza indescritível como um sonho, o sabor das cerejas com sua brisa. O som da canção dos pássaros e sem arrependimento, mas cura, descanso e paz. Porém, aquele, lá a beira da praia, corpo, mente e alma tomados. O convidado fez-se escárnio de seu anfitrião, Fê-lo objeto de glutonaria e luxuria a mesa de apostas. Mas a pior dor lhe deixou: lágrimas de sangue em perpétuo arrependimento.