werthernaomorreu

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Werther não morreu. E está mais melancólico do que nunca.

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A oitava.

Risca a pele nua com a unha
Como quem pinta um quadro
Enquanto toco as costas
Dedilho as formas
Compondo musicas pelo teu corpo

Faço prosas da felicidade
Romances da melancolia
Sonetos do gozo
poemas para cada sentimento novo

e ainda sim, sigo desesperado
Encontro refúgio no teu teatro.
aguardando ansiosamente
a entrada da protagonista.

Sempre quis ser hedonista.
Mas tenho o hábito
de decorar verbetes
sobre amor
para expor
em caixa alta
no meu baluarte:

"Em você
enxergo arte
a oitava
que faltava."
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Poemas

4

HEI DE SER AMOR

Tratei de destruir
a vontade paradoxal
de ser o "não ser".
Mas receio que o arrependimento
ao ouvir a queda da muralha
atente algo contra mim.

Antes fosse pretensão
Mas era temor
e não há louvor
que possa me salvar agora
já que entre o homem e sentimento
só existe o abismo e a escolha

Talvez um poema morto
um sorriso frouxo
calor no peito
frio na barriga
e aquela maldita falta de confiança.


Penando bem
disse que fiz,
mas lembro apenas do abismo,
pouco da escolha.
Mas lembro que quis
e isso me conforta.
Pois na chegada inevitável da revolta
buscarei um canto
para escutar teu canto
ao passo que me encanto
e encontro a paz.
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Desisti de escrever

Mata quem te mata
Empunha a faca
Aponta para o peito
de quem te fere
e crava.

Toda tua raiva
em um último ato de desespero.

Palavra:
Não sobrará resquício de alma
e se errei em acusa-la
o tempo dará cabo
da verdadeira culpada.

Pois da putrefação de um fracasso
morre a memória.
Desse terrível acaso
meu último momento de glória
na morte lírica
de um poeta sem valor.
223

A oitava.

Risca a pele nua com a unha
Como quem pinta um quadro
Enquanto toco as costas
Dedilho as formas
Compondo musicas pelo teu corpo

Faço prosas da felicidade
Romances da melancolia
Sonetos do gozo
poemas para cada sentimento novo

e ainda sim, sigo desesperado
Encontro refúgio no teu teatro.
aguardando ansiosamente
a entrada da protagonista.

Sempre quis ser hedonista.
Mas tenho o hábito
de decorar verbetes
sobre amor
para expor
em caixa alta
no meu baluarte:

"Em você
enxergo arte
a oitava
que faltava."
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borderline

Isolada no jardim de flores
que ela mesmo plantou.
Extasiada com os sentimentos
que ela mesmo criou.
Aguardando,
de súbito momento que faz parecer,
a morte da rosa
para a dor justificar.

Era alegre por essência
E viciada em sofrer.

Difícil carregar o fardo
Não do sentimento pesado
Mas de não entender o que se tem passado
do que sentiu
do que passou
do que ficou
pelo zelo que faltou.

No fim da linha, a luz emana dela
Ela só precisa de alguem para regar as flores.
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