E a poesia anda de galho em galho

E a poesia anda de galho em galho

“e a poesia anda de galho em galho”, de Ada Abaé, é uma coletânea que nos convida a percorrer versos leves e profundos, como um pardal pulando de galho em galho. Cada poema é uma janela para a sensibilidade da autora, que escreve com intimidade e liberdade, deixando que as palavras surjam vivas, insistentes, desejando ser lidas. Nesta obra, Ada revela sua essência em cada verso, oferecendo ao leitor momentos de emoção, reflexão e delicadeza. Um convite a mergulhar na poesia e se deixar tocar por sua voz única. * Irene Coimbra Editora da Revista Ponto & Vírgula. Coordenadora das Antologias Ponto & Vírgula. Produtora e apresentadora do programa “Ponto & Vírgula” da TVRP Ribeirão Preto/SP/Brasil

Instante fugaz

 E porque a hora é cansaço;
o passo é pensativo
e a estrada é lenta.

A natureza num sublime saber
dedilha nas cordas do vento
secando o suor e acalmando as veias
do homem e do animal,
que em silêncio
e de passo pensativo
pela estrada lenta
vivem
os detalhes do retorno ao lar
como quem agarra a vida
na hora do descanso...

É o instante fugaz
entre a labuta cumprida
e a que ainda está por cumprir

Ada Abaé

Lágrimas

Gotinhas húmidas e transparentes
queimam o meu rosto cansado!
Mas não são lume!
São lágrimas fortes e quentes,
são um grito silenciado
num silencioso queixume.

São um livro fechado
tão quase depois de o abrir,
são o poema inacabado
que a meio quis partir.

E nessa lágrima transparente,
nesse silencioso queixume,
morreu o sorriso inocente
numa gotinha quente
que queima sem ser lume!

Ada Abaé
 

Vestígios

Sinto na tua camisa lavada,
neste tecido que abraço
a tua pele marcada,
do teu corpo que adormeceu
vencido pelo cansaço,
descansando sobre o meu.

Lanço o olhar àquela hora
em que o teu respirar se perdeu
no meu peito que agora
respira triste sem o teu.

E sobre este tecido que aperto
cai uma lágrima cansada
como um grito que cai certo
na tua camisa lavada!


Ada Abaé

E a poesia anda de galho em galho · Ada Abaé
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