Ada Abaé

Ada Abaé

n. 1961 CA CA

Ada Abaé, nasceu em Portugal. Vive no Canadá, Província de Alberta. Tem dupla nacionalidade. Poeta e contista. Colaboradora como escritora e representante da revista Ponto & Vírgula, de Irene Coimbra.

n. 1961-02-11

Perfil
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Vestígios

Sinto na tua camisa lavada,
neste tecido que abraço
a tua pele marcada,
do teu corpo que adormeceu
vencido pelo cansaço,
descansando sobre o meu.

Lanço o olhar àquela hora
em que o teu respirar se perdeu
no meu peito que agora
respira triste sem o teu.

E sobre este tecido que aperto
cai uma lágrima cansada
como um grito que cai certo
na tua camisa lavada!


Ada Abaé

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Poemas

8

Vestígios

Sinto na tua camisa lavada,
neste tecido que abraço
a tua pele marcada,
do teu corpo que adormeceu
vencido pelo cansaço,
descansando sobre o meu.

Lanço o olhar àquela hora
em que o teu respirar se perdeu
no meu peito que agora
respira triste sem o teu.

E sobre este tecido que aperto
cai uma lágrima cansada
como um grito que cai certo
na tua camisa lavada!


Ada Abaé

13

Nada

Quis dar voz ao silêncio, momento louco,
quis ganhar a vida... ser gente enfim,
não veio a voz... morri um pouco
e em silêncio dei de novo por mim.
 
Tento resistir à vontade de nada ser,
mas não me sinto capaz ou resistente
pois esta a vontade de nada querer
leva-me ao vazio onde nada se sente.
 
E esta dormência que me atrai,
este acreditar que nada sou,
abraça-me na escuridão, e.… ai,
reforça a solidão que me encontrou!

Ada Abaé
 

286

Autobiografia ficcional- Ada Abaé

Sou nova, entre aquelas tantas outras que fui. Algumas ainda me visitam.
Necessito aprender a dizer-lhes adeus com paz para que possam partir tranquilamente.
    Quero trabalhar arduamente, não para esquecer quem fui, mas para aceitar-me e deliciar-me com a vida,  através daquela que vai crescendo dentro de mim.
   Sou filha de seres que em qualquer parte do Universo, antes da vida terrena, quase atingiram a perfeição, mas como entre o quase e o completo habitam falhas, foi-lhes requerida uma volta à escola. Desceram à Terra. Provavelmente amaram-se e de um momento de entrega nasci eu, que também necessitava de aperfeiçoamento.
   Os dois já partiram. Com um déficit maior de perfeição.
   Apesar de tudo sou grata pelo que me ensinaram e continuo empenhada no crescimento para que a minha vinda à vida tenha um resultado positivo. Isso significa dar asas à minha essência, aprender a amar-me para poder amar todas as coisas.

275

Instante fugaz

 E porque a hora é cansaço;
o passo é pensativo
e a estrada é lenta.

A natureza num sublime saber
dedilha nas cordas do vento
secando o suor e acalmando as veias
do homem e do animal,
que em silêncio
e de passo pensativo
pela estrada lenta
vivem
os detalhes do retorno ao lar
como quem agarra a vida
na hora do descanso...

É o instante fugaz
entre a labuta cumprida
e a que ainda está por cumprir

Ada Abaé

10

Agradece

Agradece o meu silêncio
perante o teu discurso acusador,
como pássaro tonto que tenta destruir
o próprio ninho. 

355

Qual abismo maior do que a crença



O olhar dele revela-se precipício
a expressão da boca areias movediças
as palavras, correntes, que desde o início  
prendem as asas dela, tão submissas.
 
Há passos ousados que ela precisa dar
ao encontro da dignidade que a espera
direitos que ela nunca ousou gritar
para deixar de ser o que pensava que era.
 
Qual abismo maior do que a crença
de que não se merece ter amor e alegria
aceitar as amargas migalhas como sentença
de que seguir um caminho diferente é fantasia.
 
A grande traição do ser humano
é deixar-se viver no fingimento
indiferente que a si próprio causa dano
acabando por amar o sofrimento.

Ada Abaé

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 

267

Lágrimas

Gotinhas húmidas e transparentes
queimam o meu rosto cansado!
Mas não são lume!
São lágrimas fortes e quentes,
são um grito silenciado
num silencioso queixume.

São um livro fechado
tão quase depois de o abrir,
são o poema inacabado
que a meio quis partir.

E nessa lágrima transparente,
nesse silencioso queixume,
morreu o sorriso inocente
numa gotinha quente
que queima sem ser lume!

Ada Abaé
 

299

Insónia

Como sombra de um sono que não vem,

como estrela de um firmamento já conhecido,

tento sentir o repouso que a noite tem,

mas se a noite vem, o sono parece ter fugido.

 

Tropeço nos tentáculos da escuridão

mas ninguém ouve... como podem ouvir?

Esta é a hora longa que acordou a solidão

e quando o ruidoso mundo se calou para dormir.


Ada Abaé

170

Livros

1

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