Lista de Poemas

Soneto do Amor Perfeito

A paixão é como um susto
o amor que é viver
na paixão a gente até casa
mas logo depois se arrasa.

Já o amor é como o horizonte
quanto mais a gente se aproxima
mais a gente se descobre
e mais ele fica longe.

Profundamente etéreo
o sentimento é seu mistério
e não adianta ficar sério.

e se a você eu não quero
qualquer vacilo é uma cilada
mesmo certa, mesmo errada.

1 718

Três Milhões de Anos

Três milhões de anos
não bastam
para perpetuar a espécie
Cem mil anos bastam
uma vida
Mas o infinito
é nossa meta
seja ômega
seja alfa
Tudo ou nada terá sido
a cada mundo esquecido.

901

Você me Pede

Você me pede pra falar de Eros

E eu nem aí pros seus Boleros.
937

Diferença

Nada que retorna é o mesmo
tampouco é cópia
do que sempre foi...
se você não é aquele
muito menos o será depois
pois aquele não é o mesmo
que um dia lhe pareceu que foi

tudo que retorna é o próprio
tão diferente
do que um dia foi
que aquele que um dia foi sapo
hoje é poeira
quiçá amanhã?
novamente estrela...

939

O Sentido do Amor

Devir Louco

Que me desculpem os seus exacerbados paladinos, mas o devir louco é o reino das paixões. E a paixão? oh! a paixão, o que é isto caro leitor? É bem possível que você tenha a sua opinião. Apesar disso, permita que eu externe a minha. Bem, antes de mais nada a coloquemos no seu devido lugar, ou seja, dentro do corpo. Afinal, toda e qualquer paixão emana do corpo e o corpo é a sua fonte primeira e última. No corpo, a paixão é uma das nossas emoções, como o medo, o susto, a alegria, a coragem e etc. Inclusive, delas, é a principal, posto ser através da paixão que os animais suprem suas necessidades básicas, como a alimentação e o acasalamento. Decididamente, por ser uma emoção básica em qualquer animal, a paixão não é uma conquista da civilização ou da cultura. A paixão, sem dúvida, não é uma invenção humana.
Os seres humanos, entretanto, incorporaram as diversas paixões possíveis, isto é, as emoções, aos seus códigos, símbolos e condutas culturais. Entre os procedimentos necessários da paixão, decodificados e incorporados nas manifestações culturais, um dos mais antigos é a postura de caçador. Esta veio a ser a base modeladora de muitos mitos e ritos ao longo dos 100 mil anos de existência do Homo sapiens sapiens. No bojo dessa postura caçadora veio a paixão pela guerra.
Como condição necessária da vida animal, as emoções evocam situações restritivas uma vez que as necessidades são necessárias apenas enquanto o prazer é ausente. Se há falta, há necessidade e a sua satisfação é o seu limite. Além da necessidade há outra coisa, mas não mais o domínio da emoção. Há sentimento. Porém, a satisfação de uma paixão é o fim e início de outra falta. O ciclo gira em torno da necessidade, da falta e da satisfação, que neste caso, é sempre provisória: mais cedo ou mais tarde o caçador deverá sair à campo atrás de mais caça. E a satisfação, então passageira, não será nada mais ou nada menos do que o retorno da superação de uma necessidade insistindo em voltar. O retorno da necessidade através da permanência da falta, aflora assim que o desejo é satisfeito.
Não há como escapar disso amigo. Se a paixão é uma emoção necessária, sua satisfação deverá ser permanentemente ratificada. Neste caso, enquanto expressão básica da vida animal, a paixão existe porque existe a fome e a reprodução, que garantem a sobrevivência das espécies. Portanto, a paixão está presente no ser humano, assim como está presente nos animais selvagens, sejam mamíferos, répteis ou aves, porque é um instinto básico da luta pela sobrevivência. A paixão, quem diria, hem? é uma emoção demasiada animal!
A guerra só é possível quando existe a paixão por uma causa, na qual a luta pela sobrevivência, traduzida como necessidade de conquista, é um poderoso argumento de convencimento. Entretanto, se é necessidade, isto é, se a paixão é da conta dos instintos e, obviamente, do corpo, então seus parâmetros emocionais estão diretamente relacionados aos ciclos vitais. Ciclos esses que se colocam entre o nascimento e a morte. Em síntese, entre o prazer da vida (o prazer do ganho) e a dor da morte ( dor da perda).
Enquanto substrato de emoções tão díspares, como aquelas que se manifestam no prazer ou na dor, a paixão se manifesta positiva ou negativamente, dependendo do nível da falta a ser satisfeita. Em nome da satisfação da necessidade ausente, a luta e a morte são perfeitamente justificáveis.
Ah, a morte! Limite de toda e qualquer necessidade: a morte de um em prol da permanência de outro; o caçador mata a caça para permanecer vivo; para suprir uma falta só identificável na sua necessidade particular; identidade que só enxerga a si mesmo, acabando por excluir tudo o que é diferente, externo ou estranho. Porém, a natureza caçadora desconhece que ninguém abate uma presa impunemente. Todos os atos efetivados, unicamente, com a emoção da conquista, compromete os corpos envolvidos para sempre. Portanto, a conquista do outro ou do mundo, para a glória do ego, compromete o eu, o outro e ou o mundo, numa mesma miragem sem cor.
Como a paixão se manifesta no corpo, para o corpo e pela química do corpo, que segundo alguns até pode ser identificada e quantificada, ele é a sua catedral. Por isso que a morte desde o início, foi uma questão importante para a consciência. Uma vez que todo esforço visava a manutenção do corpo, como a sua ruína poderia ser tão inexorável, irrevogável, inevitável e improrrogável? Não, não poderia. A morte não era o limite do corpo e, com isto, descobriram a alma, coisa cuja estrutura invisível, sobrevivia além da carne. Opa, incrível! para espanto de alguns, logo descobriram que a alma também apresentava necessidades a serem satisfeitas. Daí inventaram a religião e, as suas manifestações, que desde sempre, foram expressadas através da paixão. Trágica paixão.
As necessidades da alma seriam carências muito profundas que, por sua vez, no extremo oposto, estavam na essência da vida. Por isto o homem inventou este artifício chamado religião, decidido a suprir a maior de todas as faltas, a da vida depois da morte. Visando preencher suas bases: falta, identidade, necessidade e exclusão; desviaram todos os recursos excedentes - aqueles os quais ficaram além das necessidades, quando foram produzidos ao longo do desenvolvimento das civilizações urbanas -, para um corpo invisível, intangível e cujas necessidades e faltas, de fato, ninguém sabia dizer ao certo quais eram. E muitos, em nome disto, se desviaram da natureza e do próprio corpo, porque quiseram acreditar que a vida, a eterna, não era física, porém incorpórea; incomensurável e perfeita mas no entanto, absolutamente fora deste mundo.
Projetada para o espaço inatingível, a paixão criou deuses, santos e até homens coroados por espíritos sobrenaturais, que se apropriando de necessidades divinas impossíveis, justificaram conquistas, massacres, extermínios e a exploração de uns poucos sobre a maioria. E o poder de alguns homens ser mais especial que dos demais mortais, encontrava justificativa por estes se nomearem os representantes, na Terra, das necessidades espirituais segundo as quais eles deveriam suprir.
Está claro que a paixão é eminentemente masculina. Afinal ela não foi aperfeiçoada pelo caçador e pelo guerreiro? Então!?!.. Nada de ilusão, óbvio que ela também está presente na mulher. Aliás, a eminência masculina da paixão no ser humano não se manifesta, forçosamente, do mesmo modo como nos demais representantes do reino animal. É mais que sabido, que entre os leões, por exemplo, são as fêmeas que caçam. Entretanto, cada animal é um animal e embora a paixão se manifeste em todos, foram os homens, através da caça e da guerra, que lapidaram e legaram às civilizações, a atitude apaixonada. A paixão, na mulher, veio a ser reconhecida apenas quando a alma foi descoberta. E o ingresso delas nos rituais até então masculinos, de iniciação espiritual, veio a ser tardio.
Entre as paixões que se manifestam na mulher, a especial, é a que diz respeito à reprodução. Por conta disto a paixão, na mulher, é mais objetivamente (efetivamente) agradável do que no homem. Ou seja, a mulher sente no corpo a satisfação da necessidade reprodutora. Através do sexo, a mulher tem no prazer, algo muito mais objetivo que o homem. Nele, as paixões da caça, guerra e religião, tornam-no mais subjetivo, muito mais estratégico. Na mulher não. Seu corpo físico é um campo de emoções poderosas, pois dele emanam sensações orgânicas, muito mais ricas do que nos homens. Mas ela também está entre o prazer e a dor e nela isto é muito mais bem percebido, visto não adiantar a satisfação de certas faltas, mesmo na fartura haverá a menstruação e senão, a dor do parto.
Na base da nossa atual civilização, entre as paixões, aquelas que foram consideradas as mais importantes de todas, são as da alma. E com um significado trágico: na Idade Média isto se tornou mais claro, ao interpretarem
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A vida alada borboleta

A vida alada borboleta
vive dourada no vento
alisa e cheira a rosa e o tempo
· descuidada e breve
· me leve.

1 018

A chuva cai

A chuva cai
conforme o clima
as nuvens dançam
ao sabor do vento
e o corpo esquenta
ao calor do toque.

824

Guerreiro

O verdadeiro guerreiro
é aquele que destrói o ódio
no coração dos homens.

861

Cacófato Mental

Não importa a marca
semente com mente
não mente
semente sem mente
demente
semente demente
somente.

1 016

Aos Nubentens

Ao falar agora
não serei breve no sentimento
- de início já vou dizendo -
como é belo e glamouroso este momento !

Pois por abundância de emoções sublimes
atraio um mundo inteiro de visões
e no meio do turbilhão destas atrações
o amor uni-versos e corações.

Que seja terna enquanto dura sua existência.
Que lá do fundo brote o fruto da sua potência.

E por acaso existe erro aqui em alguém ?
Hoje é um dia pra vida suntuoso
dois corpos unidos no mundo é virtuoso
e nada há mais certo pra mim ou pra ninguém !

Na arena solar das sensações
encontram a felicidade entre clarões
os que fazem o futuro além nações.

E muito antes de conhecer o seu lar
de um sonho pouco antes de acordar
você já conhecia o seu par.

Estas palavras pra ele e pra ela
até mesmo numa hora paralela
durante o dia, à noite ou no inverno
serão as cores de um verão eterno.

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Identificação e contexto básico

Ona Gaia é uma poeta contemporânea, cuja obra se tem destacado pela sua originalidade e profundidade. Não há registos públicos extensivos sobre datas e locais de nascimento ou morte, nem sobre a sua origem familiar detalhada, sendo a sua identidade literária primordialmente definida pela sua produção poética em língua portuguesa.

Infância e formação

A formação de Ona Gaia, embora não publicamente detalhada, pressupõe um percurso de leitura e de imersão no universo literário e artístico. As influências que absorveu moldaram a sua visão estética e a sua abordagem à escrita, culminando numa voz poética singular.

Percurso literário

O percurso literário de Ona Gaia tem sido marcado pela publicação de obras que demonstram uma evolução e um aprofundamento constantes. A sua escrita, embora possa não ter sido extensivamente divulgada em antologias ou revistas no início, tem vindo a conquistar o seu espaço e a ser reconhecida pela sua qualidade e originalidade.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Ona Gaia foca-se frequentemente em temas como a identidade, a memória, o corpo, o tempo e as relações humanas. A sua linguagem é notavelmente evocativa, capaz de criar imagens poderosas e de transmitir emoções de forma subtil e profunda. A voz poética é, por vezes, confessional, explorando a subjetividade e a sua relação com o mundo exterior, transitando entre o íntimo e o universal. O estilo caracteriza-se pela densidade imagética e pela musicalidade do verso, que, embora muitas vezes em forma livre, possui um ritmo próprio. A autora demonstra uma sensibilidade apurada para as complexidades da existência, convidando à reflexão sobre a condição humana.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Ona Gaia insere-se no panorama literário contemporâneo, um período marcado pela diversidade de vozes e pela constante experimentação. A sua obra dialoga com as inquietações da sociedade atual, refletindo sobre a individualidade e as suas interconexões num mundo em constante mudança.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal A vida pessoal de Ona Gaia, tal como outros aspetos biográficos, é reservada. No entanto, a sua poesia sugere uma forte ligação com as suas vivências e reflexões íntimas, que são transmutadas em arte.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento de Ona Gaia manifesta-se na receção atenta da sua obra por parte de leitores e críticos que valorizam a poesia contemporânea de qualidade. A sua capacidade de abordar temas complexos com uma linguagem acessível e emotiva tem contribuído para o seu crescente destaque no meio literário.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências de Ona Gaia podem advir de poetas que exploraram a linha tênue entre o eu e o outro, a memória e o esquecimento. O seu legado assenta na capacidade de oferecer uma perspetiva lírica e introspectiva sobre a vida, enriquecendo a poesia contemporânea em língua portuguesa.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Ona Gaia presta-se a análises críticas focadas na exploração da identidade feminina, na relação entre o corpo e a memória, e na construção de um universo poético que espelha as complexidades da experiência contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Por ser uma autora com uma presença pública mais discreta, muitos aspetos do seu processo criativo e da sua personalidade podem ser menos conhecidos. A sua dedicação à poesia como forma de expressão e autoconhecimento é um aspeto central da sua trajetória.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Sendo uma autora contemporânea, a sua memória está em construção através da sua obra em curso, que continua a ser publicada e a ser objeto de leitura e apreciação.