Lista de Poemas

Oh!, malditas utilidades! Este é o engano que perde aos príncipes. Dispensam-se as leis por utilidade (que ordinariamente são dos particulares e não suas) e abre-se a porta à ruína universal, que só se pode evitar com a observância inviolável das leis.

 

37

Se a mudança de um ponto e de uma vírgula pode fazer tantos erros e tantos danos, que seria se se mudassem palavras? Que seria se se diminuíssem palavras? Que seria se se acrescentassem palavras? Torno a dizer. Se a mudança de um ponto e de uma virgula pode ser causa de tantos danos, que seria se se calassem regras? Que seria se se saltassem capítulos?

 

36

Tanto que o proibido se dispensa, logo a lei não é lei, não só porque o que se concede a um não se pode negar aos outros, senão também, e muito mais, porque o que se concede a um, que o pede, também se há-de conceder aos outros, ainda que o não peçam.

 

54

O livro visto por fora não mostra nada; por dentro está cheio de mistérios.

 

21

O livro, sendo o mesmo para todos, uns percebem dele muito, outros pouco, outros nada.

 

28

O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive, e não tendo acção em si mesmo move os ânimos e causa grandes efeitos.

 

31

O fim para que os homens inventaram os livros foi para conservar a memória das coisas passadas contra a tirania do tempo e contra o esquecimento dos homens, que ainda é maior tirania.

 

33

Oh!, se os livros falaram, quantas ignorâncias haviam de dizer que consultam com eles de noite os que de dia se publicam grandes letrados.

 

59

Não é o tempo, senão a razão, a que dá o crédito e autoridade aos escritos; nem se deve perguntar «quando», se escreveram, senão «quam bem».

 

33

Não saibam os maus que são precitos, para que não se despenhem como desesperados; não saibam os bons que são predestinados, para que não se descuidem como seguros.

 

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