Citações
Citações para inspirar e refletir
A apressada pergunta, vagarosa resposta.
31
A cadela, com pressa, pariu os cachorros cegos.
45
Que a evolução natural das coisas modifique as feições, a parte externa [da poesia], ninguém jamais o negará; mas há alguma coisa que liga, através dos séculos, Homero e lord Byron, alguma coisa inalterável, universal e comum, que fala a todos os homens e a todos os tempos.
48
É doloroso o atravessar dessa ponte. Velha e a desabar há seis mil anos têm por ela passado reis e povos numa procissão de fantasmas ébrios, na qual uns vão colhendo as flores aquáticas que reverdecem à altura da ponte, e outros afastados das bordas vão tropeçando a cada passo nessa via dolorosa . Afinal tudo isso desaparece como fumo que o vento leva em seus caprichos, e o homem à semelhança de um charuto desfaz a sua última cinza, quia pulvis est .
46
[…] o verso solto de José Basílio [da Gama] tem aquela harmonia, seguramente mais difícil, a que é preciso chegar pela só inspiração e beleza do metro. Não serão sempre perfeitos. O meu bom amigo [Henrique César] Muzzio, companheiro de outrora, crítico de bom gosto, achava detestáveis aqueles dois famosos versos do Uruguai:
48
Foi o nosso Gonzaga que escreveu com grande acerto que as pirâmides e os obeliscos arrasam-se, mas que as Ilíadas e as Eneidas ficam.
59
Bela é a tarde, e noites há belíssimas; mas a frescura da manhã não tem parelha na galeria do tempo.
33
[…] a vida dos livros é vária como a dos homens. Uns morrem de vinte, outros de cinquenta, outros de cem anos, ou de noventa e nove, para não desmentir o poeta laureado. Muitos há que, passado o século, caem nas bibliotecas, onde a curiosidade os vai ver, e donde podem sair em parte para a história, em parte para os florilégios. Ora, esse prolongamento da vida, curto ou longo, é um pequeno retalho de glória. A imortalidade é que é de poucos.
20
Quem lê a correspondência de Balzac, fica triste, de quando em quando, ao ver as aflições do pobre-diabo, correndo abaixo e acima, à cata de dinheiro, vendendo um livro futuro para pagar com o preço uma letra e o aluguel da casa, e metendo-se logo no gabinete para escrever o livro vendido, entregá-lo, imprimi-lo, e correr outra vez a buscar dinheiro com que pague o aluguel da casa e outra letra. Glória e dívidas!
60
A Antiguidade consolava-se dos que morriam cedo considerando que era a sorte daqueles a quem os deuses amavam. Quando a morte encontra um Goethe ou um Voltaire, parece que esses grandes homens, na idade extrema a que chegaram, precisam de entrar na eternidade e no infinito, sem nada mais dever à terra que os ouviu e admirou.
52
A monotonia é a morte. A vida está na variedade.
33
Numa das portas do cemitério do Caju, há este lema: Revertere ad locum tuum. Quando ali vou, não deixo de ler essas palavras, que resumem todo o resultado das labutações da vida. Pois bem; esse lugar, teu e meu, é a terra, a terra donde viemos, para onde iremos todos, alguns palmos abaixo do solo, no repouso último e definitivo, enquanto a alma vai a outras regiões.
37
[…] todos os cemitérios se parecem.
54
[…] antes, muito antes do primeiro esboço da civilização, toda a civilização estava em gérmen na mulher.
13
Afinal tudo passa, e só a terra é firme: é um velho estribilho do Eclesiastes , de que os rapazes mofam, com muita razão, pois ninguém é rapaz senão para ler e viver o Cântico dos Cânticos , em que tudo é eterno.
12
O que é a veneração da posteridade pelos artistas de teatro? As cenas palpitantes, as paixões tumultuárias, as lágrimas espontâneas, os rasgos do gênio, a alma, a vida, o drama, tudo isso acaba com a última noite do ator, com as últimas palmas do público. O que o torna superior acaba nos limites da vida; vai à posteridade o nome e o testemunho dos contemporâneos, nada mais.
50
Como poeta humorístico, [Álvares de] Azevedo ocupa um lugar muito distinto. A viveza, a originalidade, o chiste, o humour dos versos deste gênero são notáveis. Nos “Boêmios”, se pusermos de parte o assunto e a forma, acha-se em Azevedo um pouco daquela versificação de Dinis [Antônio Dinis da Cruz e Silva], não na admirável cantata de Dido , mas no gracioso poema do “Hissope”.
29
Sei que o espetáculo do presente tira a memória do passado, e mais dói uma alfinetada agora que um calo há um ano.
54
A vida, li não sei onde, é uma ponte lançada entre duas margens de um rio; de um lado e do outro a eternidade.
47
A sepultura é a mesma em toda a parte, qualquer que seja o mármore e o talento do escultor, ou a simples pedra sem nome ou com ele, posta em cima da cova. A morte é universal.
50
É o Sr. Bernardo Guimarães um poeta verdadeiramente nacional; a sua musa é brasileira legítima; essa nacionalidade, porém, não se traduz por um alinhavo de nomes próprios, nem por uma descrição seca de costumes.
38
Vivam os mortos! Os mortos não nos levam os relógios. Ao contrário, deixam os relógios, e são os vivos que os levam, se não há cuidado com eles. Morram os vivos!
50
Vede agora Zola. É o sucessor de Balzac. Talento pujante, grande romancista […]. Glória e três milhões.
56
É este o ponto, tudo é que as obras sejam feitas com o fôlego próprio e de cada um, e com materiais que resistam.
16
Se essa eternidade é de vida real e contemplativa, ou do nada obscuro, não reza a crônica, nem me quero eu aprofundar nisso. Mas uma ponte lançada entre duas margens, não se pode negar, é uma figura perfeita.
40
A antiguidade cerca-me por todos os lados. E não me dou mal com isso. Há nela um aroma que, ainda aplicado a coisas modernas, como que lhes troca a natureza.
18
Ninguém me tira a suspeita que tenho de que a gente não morre de moléstia ou de desastre, mas que o desastre ou a moléstia vem quando é preciso morrer.
46
Tive um antecessor ilustre, apto para este árduo mister, erudito e profundo, que teria prosseguido no caminho das suas estreias, se a imaginação possante e vivaz não lhe estivesse exigindo as criações que depois nos deu. Será preciso acrescentar que aludo a V. Exa.?
44
Mas ainda que algumas páginas não agradem a todos, não faz mal. “ Je n’écris que pour cent personnes ”, dizia Stendhal no princípio deste século, e vê que os seus livros vão galgando o fim, e entrarão pelo outro.
45
O vento dos tempos nem sempre é a brisa igual e mansa que tudo esfolha e dispersa devagar. Tem lufadas de tufão, que fazem ir parar longe as folhas secas ou somente murchas.
38
No fim de uma coisa que acaba, há outra que começa, e a morte paga com a vida: eterna ideia e velha verdade. Que monta? Ao cabo, só há verdades velhas, caiadas de novo.
15
[…] o tempo é para cada um de nós o que cada um de nós é para ele.
37
Desculpe-me de falar tanto na idade, e alguma vez da morte. Cuido que há de ser assim com todos, ou então é do temperamento melancólico, apenas encoberto por um riso já cansado.
54
Não se entristeça com o silêncio; não o há completo, e em todo caso, console-se com a ideia de que há vinte e trinta anos era pior. Alencar mais de uma vez se me queixou da maneira por que a imprensa de então acolhia os seus livros, e já tinha nome feito. Não os acolhia mal, ao contrário; mas a nossa imprensa então era mais comercial e política. As notícias literárias eram simpáticas, mas curtas, as palavras quase tabelioas.
49
A história é isto. Todos somos os fios do tecido que a mão do tecelão vai compondo, para servir aos olhos vindouros, com os seus vários aspectos morais e políticos. Assim como os há sólidos e brilhantes, assim também os há frouxos e desmaiados, não contando a multidão deles que se perde nas cores de que é feito o fundo do quadro.
26
[Gonçalves Dias] Morreu no mar — túmulo imenso para o seu imenso talento.
48
Os mortos não vão tão depressa, como quer o adágio; mas que eles governam os vivos, é coisa dita, sabida e certa.
51
Quando a pá do arqueólogo descobre uma estátua divina e truncada, o mundo abala-se, e a maravilha é recolhida aonde possa ficar por todos os tempos; mas a estátua será uma só. Ao poeta ressuscitado em cada aniversário restará a vantagem de ser uma nova e rara maravilha.
54
A sorte é tudo. Os acontecimentos tecem-se como as peças de teatro, e representam-se da mesma maneira. A única diferença é que não há ensaios; nem o autor nem os atores precisam deles. Levantado o pano, começa a representação, e todos sabem os papéis sem os terem lido. A sorte é o ponto.
41
Toda glória é primavera.
61
O passado (se o não li algures, faça de conta que a minha experiência o diz agora), o passado é ainda a melhor parte do presente — na minha idade, entenda-se.
29
Não é meu ofício censurar essas meias glórias, ou glórias de empréstimo, como lhe queiram chamar espíritos vadios. As glórias de empréstimo, se não valem tanto como as de plena propriedade, merecem sempre algumas mostras de simpatia. Para que arrancar um homem a essa agradável sensação? Que tenho para lhe dar em troca?
17
[…] venero os esqueletos, já porque o são, já porque o não sou.
26
Taine prevê que no ano 2000 ainda se lerá a Partida de gamão , uma novelinha de trinta páginas; e, falando das outras narrativas do autor de Carmen [Prosper Mérimée], todas de escasso tomo, faz esta observação verdadeira: “É que são construídas com pedras escolhidas, não com estuque e outros materiais da moda”.
51
O que importa notar é que todas essas multidões de mortos — por uma causa justa ou injusta — são os figurantes anônimos da tragédia universal e humana.
45
[…] se tu tens algum filho, leitor amigo, não o faças político, nem literato, nem estatuário, nem pintor, nem arquiteto! Pode ter algum pouco de glória, e essa mesma pouca: muita que seja, nem só de glória vive o homem. Cantor, isso sim; isso dá muitos mil cruzados, dá admiração pública, dá retratos nas lojas; às vezes chega a dar aventuras romanescas.
56
A glória leva às vezes um ano, outras vinte, outras dois meses, cinco semanas, e não são raras as de vinte e quatro horas.
63
[a imaginação] tem suas regras, o estro leis, e, se há casos em que eles rompem as leis e as regras, é porque as fazem novas, é porque se chamam Shakespeare, Dante, Goethe, Camões.
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