Citações
Citações para inspirar e refletir
Não sou dos que dão para octogenários […] não me demorarei muito por este mundo.
21
Há tanta coisa gaiata por esse mundo, que não vale a pena ir ao outro arrancar de lá os que dormem.
63
[…] o que faz estimar Molière, não é o saco de Scapin, nem a seringa de Pourceaugnac, é o profundo estudo das suas admiráveis criações cômicas, os Alcestes, as Filamintas, os Harpagons.
60
A minha fortuna tem sido que me entendam as novas gerações.
48
Aquela boca de ouro [do padre Antônio Vieira] falava de modo a tirar à gente o gosto de falar mais, mesmo em folhetim, onde havia muito que dizer a propósito dos santos e dos meios de o ser.
39
A vida, ao parecer dessa encantadora porção da humanidade [as moças], é um perpétuo en avant deux , com intervalos de valsa de Strauss, um cotilhão e chocolate no fim. Intervalem esse trabalho com um pouco de ópera e outro pouco de passeio: eis resolvido o problema da existência humana, quer venhamos do barro de Moisés, quer do macaco de Darwin.
22
Temos saudade de todos os anos, mas é só quando eles se acham já mergulhados em um passado mais ou menos remoto — porque o homem corre a vida entre dois horizontes — o passado e o futuro — a saudade e a esperança —; a esperança e a saudade, diz um poeta, têm um horizonte idêntico: — l’éloignement .
59
Esta virtude de ser duas coisas, segundo a situação, é dos maiores benefícios que a natureza pode conferir a um homem, porquanto o alivia do ônus de uma pérfida e enfadonha uniformidade.
46
[…] o cinismo, que é a sinceridade dos patifes, pode contaminar uma consciência reta, pura e elevada, do mesmo modo que o bicho pode roer os mais sublimes livros do mundo.
47
A impunidade é o colchão dos tempos; dormem-se aí sonos deleitosos. Casos há em que se podem roubar milhares de contos de réis… e acordar com eles na mão.
43
Por que não escreve alguma coisa? Ideias fugitivas, quadros passageiros, emoções de qualquer espécie, tudo são coisas que o papel aceita, e a que mais tarde se dá método, se lhes não convier o próprio desalinho.
22
O vício é muita vez um boato falso, e há virtudes que nunca foram outra coisa.
54
Pecados são ações, intenções ou omissões graves; não se devem contar todas, nem integralmente, mas só a parte que menos pesa à alma e não faz desmerecer uma pessoa no conceito dos homens.
43
[…] eu a tempo advirto que as mais claras águas podem levar de enxurro alguma palha podre — se é que é podre, se é que é mesmo palha.
49
[…] o tempo, cremos ter lido isto algures, só respeita aquilo que é feito com tempo […]
48
[…] em matéria de língua, quem quer tudo muito explicado, arrisca-se a não explicar nada.
49
O nosso erro é crer que inventamos, quando continuamos, ou simplesmente copiamos. Tanta gente pasma ou vocifera diante de pecados, sem querer ver que outros iguais pecados se pecaram, e ainda outros se estão pecando, por várias outras terras pecadoras.
43
A extrema desconfiança não é menos perniciosa que a extrema presunção. “As dúvidas são traidoras”, escreveu Shakespeare […]
47
Inverdade é o mesmo que mentira, mas mentira de luva de pelica. Vede bem a diferença. Mentira só, nua e crua, dada na bochecha, dói. Inverdade, embora dita com energia, não obriga a ir aos queixos da pessoa que a profere.
52
[…] não gosto de ver correr cavalos nem touros. Eu gosto de ver correr o tempo e as coisas; só isso. Às vezes corro eu também atrás da sorte grande, e correria adiante de um cacete, sem grande esforço. Quanto a ver correr cavalos…
64
O conto do vigário é o mais antigo gênero de ficção que se conhece. A rigor, pode crer-se que o discurso da serpente, induzindo Eva a comer o fruto proibido, foi o texto primitivo do conto.
43
Ruim trocadilho; mas o melhor escrito deve parecer-se com a vida, e a vida é, muitas vezes, um trocadilho ordinário.
42
Tudo prescreve debaixo do sol, desde o amor até o furor. O próprio sol tem os seus séculos contados.
47
O tempo, que a tradição mitológica nos pinta com alvas barbas, é pelo contrário um eterno rapagão, rosado, gamenho, pueril; só parece velho àqueles que já o estão; em si mesmo traz a perpétua e versátil juventude.
57
Nada é novo debaixo do sol. Onde há muitos bens, há muitos que os comam. Quer dizer que já por essas centenas de séculos atrás os homens corriam ao dinheiro alheio; em primeiro lugar, para ajuntar o que andava disperso pelas algibeiras dos outros; em segundo lugar, quando um metia o dinheiro no bolso, corriam a dispersar o ajuntado. Apesar deste risco, o conselho de Iago é que se meta dinheiro no bolso. Put money in thy purse .
42
Também é certo que as coisas passam menos do que nós passamos, e que a velhice delas é muita vez o cansaço dos nossos olhos. Questão de óculos. A adolescência usa uns vidros claros ou azuis, que aumentam o viço e o lustre das coisas, vidros frágeis que nenhum Reis substitui nem conserta. Quebram-se e atiram-se fora. Os que vêm depois são mais tristes, e não sei se mais sinceros…
37
Tudo se pode esperar da indústria humana, a braços com o eterno aborrecimento.
35
Dizem que a gente experimenta uma certa mudança moral de sete em sete anos.
43
É a sorte de todas as instituições humanas trazerem em si o gérmen de sua destruição.
38
[…] a esperança é própria das espécies fracas, como o homem e o gafanhoto; o burro distingue-se pela fortaleza sem par.
50
Ó tempos! Ó saudades! Tinha eu vinte anos, um bigode em flor, muito sangue nas veias e um entusiasmo, um entusiamo capaz de puxar todos os carros, desde o carro do Estado até o carro do sol — duas metáforas, que envelheceram como eu.
51
[…] as ideias mudam de natureza com as pessoas e com os tempos […]
53
Aborrecer o passado ou idolatrá-lo vem a dar no mesmo vício; o vício de uns que não descobrem a filiação dos tempos, e datam de si mesmos a aurora humana, e de outros que imaginam que o espírito do homem deixou as asas no caminho e entra a pé num charco.
39
O melhor estilo é o que narra as coisas com simpleza, sem atavios carregados e inúteis.
45
Estilo, meus senhores, deitem estilo nas descrições e comentários; os jornalistas de 1944 poderão muito bem transcrevê-los, e não é bonito aparecer despenteado aos olhos do futuro.
40
A paciência, com perdão da palavra, é um biscoito moral, dado pelo céu a muito poucos.
10
Dizia o sábio que se tivesse a mão cheia de verdades, nunca mais a abriria […]
15
[…] espíritos medíocres, não podendo abraçar a amplidão do espaço em que a civilização os lançou, olham saudosos para os tempos e as coisas que já foram, e caluniam, menos por má vontade que por inépcia, os princípios em nome dos quais se elevaram.
59
O trabalho é honesto, mas há outras ocupações pouco menos honestas e muito mais lucrativas.
57
Muita gente fala em egoísmo, sem definir propriamente o que ele é. Em minha opinião, que não dou como infalível, ele vale tanto como o instinto de conservação, que reside nas organizações animais; é por assim dizer o instinto moral, que procura para o espírito o que o instinto animal procura para os sentidos.
49
[…] o merecimento precisa um pouco de rufo e outro pouco de cartazes. Ainda assim, antes a modéstia; é menos ruidosa, mas mais segura.
46
Os velhos como eu irão recordar um pouco da mocidade: a melhor coisa da vida, e talvez a única.
49
Conquanto a credulidade seja eterna, é preciso fazer com ela o que se faz com a moda: variar de feitio.
47
[…] a tolerância assemelha-se a uma gaiola de papagaio, aberta por todos os lados, sem aparências mesmo de gaiola, mas onde a ave fica presa por uma corrente que lhe vai do pé ao poleiro.
44
Meia-idade, zona em que as paixões arrefecem, onde as flores vão perdendo a cor purpúrea e o viço eterno.
43
Quando voltar o costume da antropofagia, não há mais que trocar o “amai-vos uns aos outros”, do Evangelho, por esta doutrina: “Comei-vos uns aos outros”. Bem pensado, são os dois estribilhos da civilização.
39
Afinal de contas, os homens que não são sérios e graves, são exatamente os homens graves e sérios. Demócrito continua a ter razão: só é sério aquilo que o não parece.
52
Quem nunca invejou, não sabe o que é padecer.
16