Citações
Citações para inspirar e refletir
Os sapateiros não fariam mais sapatos, se acreditassem que todos iam nascer com pernas de pau.
69
Se vos disserem que é vezo de todas as doutrinas deste mundo darem-se por salvadoras e definitivas, acreditai e afirmai que sim, excetuando sempre a nossa, que é a única definitiva e verdadeira. Amém.
51
Pela minha teoria, as ideias dividem-se em três classes, umas votadas à perpétua virgindade, outras destinadas à procriação, e outras que nascem já de barriga.
79
E Musset? Quantas obras de fôlego se escreveram no seu tempo que não valem as Noites e toda a juventude de seus versos, entre eles este, que vem ao nosso caso:
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Histórias sertanejas dão acaso não sei que gosto de ir descansar, alguns dias, da polidez encantadora e alguma vez enganadora das cidades. Varela sabia o ritmo particular desse sentimento; Gonçalves Dias, com andar por essas Europas fora, também o conhecia; e, para só falar de um prosador e de um vivo, Taunay dá vontade de acompanhar o Dr. Cirino e Pereira por aquela longa estrada que vai de Sant’Ana de Paranaíba a Camapuama, até o leito da graciosa Nocência.
52
[…] hoje à tarde, reli uma página da biografia do Flaubert; achei a mesma solidão e tristeza e até o mesmo mal, como sabe, o outro…
51
Garrett, posto fosse em sua terra o iniciador das novas formas, não foi copista delas, e tudo que lhe saiu das mãos trazia um cunho próprio e puramente nacional. Pelo assunto, pelo tom, pela língua, pelo sentimento era o homem da sua pátria e do seu século.
32
Como poeta humorístico, [Álvares de] Azevedo ocupa um lugar muito distinto. A viveza, a originalidade, o chiste, o humour dos versos deste gênero são notáveis. Nos “Boêmios”, se pusermos de parte o assunto e a forma, acha-se em Azevedo um pouco daquela versificação de Dinis [Antônio Dinis da Cruz e Silva], não na admirável cantata de Dido , mas no gracioso poema do “Hissope”.
44
Que é o amor mais que uma guerra, em que se vai por escaramuças e batalhas, em que há mortos e feridos, heróis e multidões ignoradas? Como os outros bombardeios, o amor atrai curiosos.
39
Em si mesma, a loucura é já uma rebelião. O juízo é a ordem, é a Constituição, a justiça e as leis.
70
As injúrias devolvidas intactas não ferem. Algumas vezes arredam-se com a ponta da bota, ou deixam-se cair no tapete da sala; mas a melhor fórmula é devolvê-las intactas. A ponta da bota é um gesto, a queda no tapete é desprezo, mas para injúrias menores. A última fórmula de desdém, a mais enérgica, é devolvê-las intactas. Quem inventou este modo de correspondência, está no céu.
51
Estou passando a noite a jogar paciências; o dia passei-o a reler a Oração sobre a acrópole [de Ernest Renan] e um livro de Schopenhauer.
45
[…] antes, muito antes do primeiro esboço da civilização, toda a civilização estava em gérmen na mulher.
25
É este o ponto, tudo é que as obras sejam feitas com o fôlego próprio e de cada um, e com materiais que resistam.
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[…] o verso solto de José Basílio [da Gama] tem aquela harmonia, seguramente mais difícil, a que é preciso chegar pela só inspiração e beleza do metro. Não serão sempre perfeitos. O meu bom amigo [Henrique César] Muzzio, companheiro de outrora, crítico de bom gosto, achava detestáveis aqueles dois famosos versos do Uruguai:
57
Em que há de sonhar um varão maduro? O tempo escoa-se depressa para aqueles que já vêm de longe.
60
A Antiguidade consolava-se dos que morriam cedo considerando que era a sorte daqueles a quem os deuses amavam. Quando a morte encontra um Goethe ou um Voltaire, parece que esses grandes homens, na idade extrema a que chegaram, precisam de entrar na eternidade e no infinito, sem nada mais dever à terra que os ouviu e admirou.
62
A história é isto. Todos somos os fios do tecido que a mão do tecelão vai compondo, para servir aos olhos vindouros, com os seus vários aspectos morais e políticos. Assim como os há sólidos e brilhantes, assim também os há frouxos e desmaiados, não contando a multidão deles que se perde nas cores de que é feito o fundo do quadro.
32
A monotonia é a morte. A vida está na variedade.
41
Os mortos não vão tão depressa, como quer o adágio; mas que eles governam os vivos, é coisa dita, sabida e certa.
64
A sorte é tudo. Os acontecimentos tecem-se como as peças de teatro, e representam-se da mesma maneira. A única diferença é que não há ensaios; nem o autor nem os atores precisam deles. Levantado o pano, começa a representação, e todos sabem os papéis sem os terem lido. A sorte é o ponto.
55
Temos saudade de todos os anos, mas é só quando eles se acham já mergulhados em um passado mais ou menos remoto — porque o homem corre a vida entre dois horizontes — o passado e o futuro — a saudade e a esperança —; a esperança e a saudade, diz um poeta, têm um horizonte idêntico: — l’éloignement .
78
Taine prevê que no ano 2000 ainda se lerá a Partida de gamão , uma novelinha de trinta páginas; e, falando das outras narrativas do autor de Carmen [Prosper Mérimée], todas de escasso tomo, faz esta observação verdadeira: “É que são construídas com pedras escolhidas, não com estuque e outros materiais da moda”.
62
É doloroso o atravessar dessa ponte. Velha e a desabar há seis mil anos têm por ela passado reis e povos numa procissão de fantasmas ébrios, na qual uns vão colhendo as flores aquáticas que reverdecem à altura da ponte, e outros afastados das bordas vão tropeçando a cada passo nessa via dolorosa . Afinal tudo isso desaparece como fumo que o vento leva em seus caprichos, e o homem à semelhança de um charuto desfaz a sua última cinza, quia pulvis est .
54
Bela é a tarde, e noites há belíssimas; mas a frescura da manhã não tem parelha na galeria do tempo.
44
Meia-idade, zona em que as paixões arrefecem, onde as flores vão perdendo a cor purpúrea e o viço eterno.
57
Desculpe-me de falar tanto na idade, e alguma vez da morte. Cuido que há de ser assim com todos, ou então é do temperamento melancólico, apenas encoberto por um riso já cansado.
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[…] as ideias mudam de natureza com as pessoas e com os tempos […]
62
Há tanta coisa gaiata por esse mundo, que não vale a pena ir ao outro arrancar de lá os que dormem.
72
A vida, ao parecer dessa encantadora porção da humanidade [as moças], é um perpétuo en avant deux , com intervalos de valsa de Strauss, um cotilhão e chocolate no fim. Intervalem esse trabalho com um pouco de ópera e outro pouco de passeio: eis resolvido o problema da existência humana, quer venhamos do barro de Moisés, quer do macaco de Darwin.
32
Quem lê a correspondência de Balzac, fica triste, de quando em quando, ao ver as aflições do pobre-diabo, correndo abaixo e acima, à cata de dinheiro, vendendo um livro futuro para pagar com o preço uma letra e o aluguel da casa, e metendo-se logo no gabinete para escrever o livro vendido, entregá-lo, imprimi-lo, e correr outra vez a buscar dinheiro com que pague o aluguel da casa e outra letra. Glória e dívidas!
67
Os velhos como eu irão recordar um pouco da mocidade: a melhor coisa da vida, e talvez a única.
64
[…] se tu tens algum filho, leitor amigo, não o faças político, nem literato, nem estatuário, nem pintor, nem arquiteto! Pode ter algum pouco de glória, e essa mesma pouca: muita que seja, nem só de glória vive o homem. Cantor, isso sim; isso dá muitos mil cruzados, dá admiração pública, dá retratos nas lojas; às vezes chega a dar aventuras romanescas.
74
Vamos esquecendo; é o nosso ofício.
68
Também é certo que as coisas passam menos do que nós passamos, e que a velhice delas é muita vez o cansaço dos nossos olhos. Questão de óculos. A adolescência usa uns vidros claros ou azuis, que aumentam o viço e o lustre das coisas, vidros frágeis que nenhum Reis substitui nem conserta. Quebram-se e atiram-se fora. Os que vêm depois são mais tristes, e não sei se mais sinceros…
45
O passado (se o não li algures, faça de conta que a minha experiência o diz agora), o passado é ainda a melhor parte do presente — na minha idade, entenda-se.
39
Ninguém me tira a suspeita que tenho de que a gente não morre de moléstia ou de desastre, mas que o desastre ou a moléstia vem quando é preciso morrer.
56
[…] não gosto de ver correr cavalos nem touros. Eu gosto de ver correr o tempo e as coisas; só isso. Às vezes corro eu também atrás da sorte grande, e correria adiante de um cacete, sem grande esforço. Quanto a ver correr cavalos…
77
[…] a vida dos livros é vária como a dos homens. Uns morrem de vinte, outros de cinquenta, outros de cem anos, ou de noventa e nove, para não desmentir o poeta laureado. Muitos há que, passado o século, caem nas bibliotecas, onde a curiosidade os vai ver, e donde podem sair em parte para a história, em parte para os florilégios. Ora, esse prolongamento da vida, curto ou longo, é um pequeno retalho de glória. A imortalidade é que é de poucos.
33
No fim de uma coisa que acaba, há outra que começa, e a morte paga com a vida: eterna ideia e velha verdade. Que monta? Ao cabo, só há verdades velhas, caiadas de novo.
32
A antiguidade cerca-me por todos os lados. E não me dou mal com isso. Há nela um aroma que, ainda aplicado a coisas modernas, como que lhes troca a natureza.
29
[…] o tempo, cremos ter lido isto algures, só respeita aquilo que é feito com tempo […]
57
Vede agora Zola. É o sucessor de Balzac. Talento pujante, grande romancista […]. Glória e três milhões.
69
O tempo, que a tradição mitológica nos pinta com alvas barbas, é pelo contrário um eterno rapagão, rosado, gamenho, pueril; só parece velho àqueles que já o estão; em si mesmo traz a perpétua e versátil juventude.
69
A sepultura é a mesma em toda a parte, qualquer que seja o mármore e o talento do escultor, ou a simples pedra sem nome ou com ele, posta em cima da cova. A morte é universal.
62
Sei que o espetáculo do presente tira a memória do passado, e mais dói uma alfinetada agora que um calo há um ano.
71
A vida, li não sei onde, é uma ponte lançada entre duas margens de um rio; de um lado e do outro a eternidade.
59
É a sorte de todas as instituições humanas trazerem em si o gérmen de sua destruição.
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