Citações
Citações para inspirar e refletir
[…] a vida dos livros é vária como a dos homens. Uns morrem de vinte, outros de cinquenta, outros de cem anos, ou de noventa e nove, para não desmentir o poeta laureado. Muitos há que, passado o século, caem nas bibliotecas, onde a curiosidade os vai ver, e donde podem sair em parte para a história, em parte para os florilégios. Ora, esse prolongamento da vida, curto ou longo, é um pequeno retalho de glória. A imortalidade é que é de poucos.
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Vede agora Zola. É o sucessor de Balzac. Talento pujante, grande romancista […]. Glória e três milhões.
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Taine prevê que no ano 2000 ainda se lerá a Partida de gamão , uma novelinha de trinta páginas; e, falando das outras narrativas do autor de Carmen [Prosper Mérimée], todas de escasso tomo, faz esta observação verdadeira: “É que são construídas com pedras escolhidas, não com estuque e outros materiais da moda”.
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Sei que o espetáculo do presente tira a memória do passado, e mais dói uma alfinetada agora que um calo há um ano.
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[…] o tempo é para cada um de nós o que cada um de nós é para ele.
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É o Sr. Bernardo Guimarães um poeta verdadeiramente nacional; a sua musa é brasileira legítima; essa nacionalidade, porém, não se traduz por um alinhavo de nomes próprios, nem por uma descrição seca de costumes.
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A vida, li não sei onde, é uma ponte lançada entre duas margens de um rio; de um lado e do outro a eternidade.
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Quem lê a correspondência de Balzac, fica triste, de quando em quando, ao ver as aflições do pobre-diabo, correndo abaixo e acima, à cata de dinheiro, vendendo um livro futuro para pagar com o preço uma letra e o aluguel da casa, e metendo-se logo no gabinete para escrever o livro vendido, entregá-lo, imprimi-lo, e correr outra vez a buscar dinheiro com que pague o aluguel da casa e outra letra. Glória e dívidas!
66
Que a evolução natural das coisas modifique as feições, a parte externa [da poesia], ninguém jamais o negará; mas há alguma coisa que liga, através dos séculos, Homero e lord Byron, alguma coisa inalterável, universal e comum, que fala a todos os homens e a todos os tempos.
57
Desculpe-me de falar tanto na idade, e alguma vez da morte. Cuido que há de ser assim com todos, ou então é do temperamento melancólico, apenas encoberto por um riso já cansado.
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É este o ponto, tudo é que as obras sejam feitas com o fôlego próprio e de cada um, e com materiais que resistam.
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[a imaginação] tem suas regras, o estro leis, e, se há casos em que eles rompem as leis e as regras, é porque as fazem novas, é porque se chamam Shakespeare, Dante, Goethe, Camões.
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Não sou dos que dão para octogenários […] não me demorarei muito por este mundo.
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Vivam os mortos! Os mortos não nos levam os relógios. Ao contrário, deixam os relógios, e são os vivos que os levam, se não há cuidado com eles. Morram os vivos!
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Afinal tudo passa, e só a terra é firme: é um velho estribilho do Eclesiastes , de que os rapazes mofam, com muita razão, pois ninguém é rapaz senão para ler e viver o Cântico dos Cânticos , em que tudo é eterno.
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[…] antes, muito antes do primeiro esboço da civilização, toda a civilização estava em gérmen na mulher.
24
A monotonia é a morte. A vida está na variedade.
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Este último nome [Baudelaire] é um dos feitiços da nova e nossa igreja; e entretanto, sem desconhecer o belo talento do poeta, ninguém em França o colocou ao pé dos grandes poetas; e todavia a gente continua a deliciar-se nas estrofes de Musset, e a preferir L’Espoir en Dieu , à Charogne . Caprichos de gente velha.
57
É doloroso o atravessar dessa ponte. Velha e a desabar há seis mil anos têm por ela passado reis e povos numa procissão de fantasmas ébrios, na qual uns vão colhendo as flores aquáticas que reverdecem à altura da ponte, e outros afastados das bordas vão tropeçando a cada passo nessa via dolorosa . Afinal tudo isso desaparece como fumo que o vento leva em seus caprichos, e o homem à semelhança de um charuto desfaz a sua última cinza, quia pulvis est .
54
O passado (se o não li algures, faça de conta que a minha experiência o diz agora), o passado é ainda a melhor parte do presente — na minha idade, entenda-se.
37
Não se entristeça com o silêncio; não o há completo, e em todo caso, console-se com a ideia de que há vinte e trinta anos era pior. Alencar mais de uma vez se me queixou da maneira por que a imprensa de então acolhia os seus livros, e já tinha nome feito. Não os acolhia mal, ao contrário; mas a nossa imprensa então era mais comercial e política. As notícias literárias eram simpáticas, mas curtas, as palavras quase tabelioas.
59
E Musset? Quantas obras de fôlego se escreveram no seu tempo que não valem as Noites e toda a juventude de seus versos, entre eles este, que vem ao nosso caso:
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[…] o que faz estimar Molière, não é o saco de Scapin, nem a seringa de Pourceaugnac, é o profundo estudo das suas admiráveis criações cômicas, os Alcestes, as Filamintas, os Harpagons.
73
No fim de uma coisa que acaba, há outra que começa, e a morte paga com a vida: eterna ideia e velha verdade. Que monta? Ao cabo, só há verdades velhas, caiadas de novo.
30
A Antiguidade consolava-se dos que morriam cedo considerando que era a sorte daqueles a quem os deuses amavam. Quando a morte encontra um Goethe ou um Voltaire, parece que esses grandes homens, na idade extrema a que chegaram, precisam de entrar na eternidade e no infinito, sem nada mais dever à terra que os ouviu e admirou.
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Também é certo que as coisas passam menos do que nós passamos, e que a velhice delas é muita vez o cansaço dos nossos olhos. Questão de óculos. A adolescência usa uns vidros claros ou azuis, que aumentam o viço e o lustre das coisas, vidros frágeis que nenhum Reis substitui nem conserta. Quebram-se e atiram-se fora. Os que vêm depois são mais tristes, e não sei se mais sinceros…
43
Nada é novo debaixo do sol. Onde há muitos bens, há muitos que os comam. Quer dizer que já por essas centenas de séculos atrás os homens corriam ao dinheiro alheio; em primeiro lugar, para ajuntar o que andava disperso pelas algibeiras dos outros; em segundo lugar, quando um metia o dinheiro no bolso, corriam a dispersar o ajuntado. Apesar deste risco, o conselho de Iago é que se meta dinheiro no bolso. Put money in thy purse .
47
[…] o tempo, cremos ter lido isto algures, só respeita aquilo que é feito com tempo […]
54
A impunidade é o colchão dos tempos; dormem-se aí sonos deleitosos. Casos há em que se podem roubar milhares de contos de réis… e acordar com eles na mão.
52
Temos saudade de todos os anos, mas é só quando eles se acham já mergulhados em um passado mais ou menos remoto — porque o homem corre a vida entre dois horizontes — o passado e o futuro — a saudade e a esperança —; a esperança e a saudade, diz um poeta, têm um horizonte idêntico: — l’éloignement .
77
Bela é a tarde, e noites há belíssimas; mas a frescura da manhã não tem parelha na galeria do tempo.
43
O trabalho é honesto, mas há outras ocupações pouco menos honestas e muito mais lucrativas.
65
Em que há de sonhar um varão maduro? O tempo escoa-se depressa para aqueles que já vêm de longe.
58
O tempo, que a tradição mitológica nos pinta com alvas barbas, é pelo contrário um eterno rapagão, rosado, gamenho, pueril; só parece velho àqueles que já o estão; em si mesmo traz a perpétua e versátil juventude.
67
Inverdade é o mesmo que mentira, mas mentira de luva de pelica. Vede bem a diferença. Mentira só, nua e crua, dada na bochecha, dói. Inverdade, embora dita com energia, não obriga a ir aos queixos da pessoa que a profere.
61
O conto do vigário é o mais antigo gênero de ficção que se conhece. A rigor, pode crer-se que o discurso da serpente, induzindo Eva a comer o fruto proibido, foi o texto primitivo do conto.
51
[…] a tolerância assemelha-se a uma gaiola de papagaio, aberta por todos os lados, sem aparências mesmo de gaiola, mas onde a ave fica presa por uma corrente que lhe vai do pé ao poleiro.
59
Muita gente fala em egoísmo, sem definir propriamente o que ele é. Em minha opinião, que não dou como infalível, ele vale tanto como o instinto de conservação, que reside nas organizações animais; é por assim dizer o instinto moral, que procura para o espírito o que o instinto animal procura para os sentidos.
61
Por que não escreve alguma coisa? Ideias fugitivas, quadros passageiros, emoções de qualquer espécie, tudo são coisas que o papel aceita, e a que mais tarde se dá método, se lhes não convier o próprio desalinho.
35
[…] não gosto de ver correr cavalos nem touros. Eu gosto de ver correr o tempo e as coisas; só isso. Às vezes corro eu também atrás da sorte grande, e correria adiante de um cacete, sem grande esforço. Quanto a ver correr cavalos…
76
O vício é muita vez um boato falso, e há virtudes que nunca foram outra coisa.
61
A antiguidade cerca-me por todos os lados. E não me dou mal com isso. Há nela um aroma que, ainda aplicado a coisas modernas, como que lhes troca a natureza.
27
Esta virtude de ser duas coisas, segundo a situação, é dos maiores benefícios que a natureza pode conferir a um homem, porquanto o alivia do ônus de uma pérfida e enfadonha uniformidade.
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[…] o merecimento precisa um pouco de rufo e outro pouco de cartazes. Ainda assim, antes a modéstia; é menos ruidosa, mas mais segura.
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[…] que mais simples, mais belo, mais barato ornamento que a modéstia? Essa virtude, a um tempo cristã e pagã, tão pregada pelos padres da Igreja, como pelos sábios da Antiguidade, a santa, a nobre, a pura modéstia, que não ocupa lugar, não tira o pão nem o sono de ninguém, não mata nem esfola; a modéstia não tem entrada no conselho municipal.
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Estilo, meus senhores, deitem estilo nas descrições e comentários; os jornalistas de 1944 poderão muito bem transcrevê-los, e não é bonito aparecer despenteado aos olhos do futuro.
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Conquanto a credulidade seja eterna, é preciso fazer com ela o que se faz com a moda: variar de feitio.
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Tudo se pode esperar da indústria humana, a braços com o eterno aborrecimento.
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