Citações
Citações para inspirar e refletir
Não sou dos que dão para octogenários […] não me demorarei muito por este mundo.
35
Toda glória é primavera.
82
[…] o tempo é para cada um de nós o que cada um de nós é para ele.
52
Realmente, os anos nada valem por si mesmos. A questão é saber aguentá-los, escová-los bem, todos os dias, para tirar a poeira da estrada, trazê-los lavados com água de higiene e sabão de filosofia.
57
Não se entristeça com o silêncio; não o há completo, e em todo caso, console-se com a ideia de que há vinte e trinta anos era pior. Alencar mais de uma vez se me queixou da maneira por que a imprensa de então acolhia os seus livros, e já tinha nome feito. Não os acolhia mal, ao contrário; mas a nossa imprensa então era mais comercial e política. As notícias literárias eram simpáticas, mas curtas, as palavras quase tabelioas.
62
A glória leva às vezes um ano, outras vinte, outras dois meses, cinco semanas, e não são raras as de vinte e quatro horas.
72
O vento dos tempos nem sempre é a brisa igual e mansa que tudo esfolha e dispersa devagar. Tem lufadas de tufão, que fazem ir parar longe as folhas secas ou somente murchas.
55
Ó tempos! Ó saudades! Tinha eu vinte anos, um bigode em flor, muito sangue nas veias e um entusiasmo, um entusiamo capaz de puxar todos os carros, desde o carro do Estado até o carro do sol — duas metáforas, que envelheceram como eu.
66
Foi o nosso Gonzaga que escreveu com grande acerto que as pirâmides e os obeliscos arrasam-se, mas que as Ilíadas e as Eneidas ficam.
70
[…] todos os cemitérios se parecem.
65
Afinal tudo passa, e só a terra é firme: é um velho estribilho do Eclesiastes , de que os rapazes mofam, com muita razão, pois ninguém é rapaz senão para ler e viver o Cântico dos Cânticos , em que tudo é eterno.
27
Aborrecer o passado ou idolatrá-lo vem a dar no mesmo vício; o vício de uns que não descobrem a filiação dos tempos, e datam de si mesmos a aurora humana, e de outros que imaginam que o espírito do homem deixou as asas no caminho e entra a pé num charco.
49
Tudo prescreve debaixo do sol, desde o amor até o furor. O próprio sol tem os seus séculos contados.
63
Não é meu ofício censurar essas meias glórias, ou glórias de empréstimo, como lhe queiram chamar espíritos vadios. As glórias de empréstimo, se não valem tanto como as de plena propriedade, merecem sempre algumas mostras de simpatia. Para que arrancar um homem a essa agradável sensação? Que tenho para lhe dar em troca?
24
Vivam os mortos! Os mortos não nos levam os relógios. Ao contrário, deixam os relógios, e são os vivos que os levam, se não há cuidado com eles. Morram os vivos!
66
Por que não escreve alguma coisa? Ideias fugitivas, quadros passageiros, emoções de qualquer espécie, tudo são coisas que o papel aceita, e a que mais tarde se dá método, se lhes não convier o próprio desalinho.
36
Quando a ideia que me acode ao bico da pena é já velhusca, atiro-lhe aos ombros um capote axiomático, porque não há nada como uma sentença para mudar a cara aos conceitos.
49
As frases feitas são a companhia cooperativa do espírito. Dão o trabalho único de as meter na cabeça, guardá-las e aplicá-las oportunamente, sem dispensa de convicção, é claro, nem daquele fino sentimento de originalidade que faz de um molambo seda. Nos casos apertados dão matéria para um discurso inteiro e longo — dizem, mas pode ser exageração.
48
[…] em matéria de língua, quem quer tudo muito explicado, arrisca-se a não explicar nada.
54
Em que peca a geração presente? Falta-lhe um pouco mais de correção e gosto; peca na intrepidez às vezes da expressão, na impropriedade das imagens, na obscuridade do pensamento.
57
A paciência, com perdão da palavra, é um biscoito moral, dado pelo céu a muito poucos.
22
A concha não vale a pérola; mas o delicado da pérola disfarçará o grosseiro da concha.
67
Dizia o sábio que se tivesse a mão cheia de verdades, nunca mais a abriria […]
22
Esta virtude de ser duas coisas, segundo a situação, é dos maiores benefícios que a natureza pode conferir a um homem, porquanto o alivia do ônus de uma pérfida e enfadonha uniformidade.
60
O trabalho é honesto, mas há outras ocupações pouco menos honestas e muito mais lucrativas.
65
É assim a crônica. Que sabes tu, frívola dama, dos problemas sociais, das teses políticas, do regime das coisas deste mundo? Nada; e tanto pior se soubesses alguma coisa, porque tu não és, não foste, nunca serás o jantar suculento e farto; tu és a castanha gelada, a laranja, o cálix de chartreuse , uma coisa leve, para adoçar a boca e rebater o jantar.
58
[…] eu a tempo advirto que as mais claras águas podem levar de enxurro alguma palha podre — se é que é podre, se é que é mesmo palha.
61
Somos todos criados com três ou quatro ideias que, em geral, são o nosso farnel da jornada. Felizes os que podem colher, de caminho, alguma fruta, uma azeitona, um pouco de mel de abelhas, qualquer coisa que os tire do ramerrão de todos os dias.
65
Estilo, meus senhores, deitem estilo nas descrições e comentários; os jornalistas de 1944 poderão muito bem transcrevê-los, e não é bonito aparecer despenteado aos olhos do futuro.
48
A extrema desconfiança não é menos perniciosa que a extrema presunção. “As dúvidas são traidoras”, escreveu Shakespeare […]
56
O nosso erro é crer que inventamos, quando continuamos, ou simplesmente copiamos. Tanta gente pasma ou vocifera diante de pecados, sem querer ver que outros iguais pecados se pecaram, e ainda outros se estão pecando, por várias outras terras pecadoras.
51
O vício é muita vez um boato falso, e há virtudes que nunca foram outra coisa.
62
Nada é novo debaixo do sol. Onde há muitos bens, há muitos que os comam. Quer dizer que já por essas centenas de séculos atrás os homens corriam ao dinheiro alheio; em primeiro lugar, para ajuntar o que andava disperso pelas algibeiras dos outros; em segundo lugar, quando um metia o dinheiro no bolso, corriam a dispersar o ajuntado. Apesar deste risco, o conselho de Iago é que se meta dinheiro no bolso. Put money in thy purse .
50
[…] a esperança é própria das espécies fracas, como o homem e o gafanhoto; o burro distingue-se pela fortaleza sem par.
63
É precária a virtude dos homens; está sujeita a toda sorte de avarias e abalroamentos.
53
Ruim trocadilho; mas o melhor escrito deve parecer-se com a vida, e a vida é, muitas vezes, um trocadilho ordinário.
57
Inverdade é o mesmo que mentira, mas mentira de luva de pelica. Vede bem a diferença. Mentira só, nua e crua, dada na bochecha, dói. Inverdade, embora dita com energia, não obriga a ir aos queixos da pessoa que a profere.
62
Os que procuram resgatar a pureza da língua, trazendo à luz de uma constante publicidade as obras clássicas dos velhos autores, sempre nos tiveram entre os seus aplaudidores mais entusiastas.
64
[…] é preciso atender ao uso das palavras. Não cansam só as línguas que as dizem; elas próprias gastam-se. Quando menos, adoecem. A anemia é um dos seus males frequentes; o esfalfamento é outro. Só um longo repouso as pode restituir ao que eram, e torná-las prestáveis.
43
Muita gente fala em egoísmo, sem definir propriamente o que ele é. Em minha opinião, que não dou como infalível, ele vale tanto como o instinto de conservação, que reside nas organizações animais; é por assim dizer o instinto moral, que procura para o espírito o que o instinto animal procura para os sentidos.
62
A primeira condição de quem escreve é não aborrecer.
61
[…] precisamos acaso acrescentar uma verdade comezinha, a saber, que as melhores intenções deste mundo e os esforços mais sinceros não dão a menor parcela de virtude àquilo que teve origem no erro, nem transformam a natureza do fato consumado?
60
Tenho notado nos nossos atuais escritores o uso de palavras vulgares e conhecidas com desprezo de termos poéticos ou simplesmente clássicos.
49
O cronista não tem cargo d’almas, não evangeliza, não adverte, não endireita os tortos do mundo; é um mero espectador, as mais das vezes pacato, cuja bonomia tem o passo tardo dos senhores do harém. Debruça-se, cada domingo, à janela deste palacete, e contempla as águas do Bósforo, a ver os caíques que se cruzam, a acompanhar de longe a labutação dos outros.
42
O melhor estilo é o que narra as coisas com simpleza, sem atavios carregados e inúteis.
56
Quem nunca invejou, não sabe o que é padecer.
33
É o destino dos fracos; servem de experiências aos mais fortes, quando lhes não servem de nutrição.
65
Tudo se pode esperar da indústria humana, a braços com o eterno aborrecimento.
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