Citações
Citações para inspirar e refletir
Quem nunca invejou, não sabe o que é padecer.
32
A paciência, com perdão da palavra, é um biscoito moral, dado pelo céu a muito poucos.
19
Ruim trocadilho; mas o melhor escrito deve parecer-se com a vida, e a vida é, muitas vezes, um trocadilho ordinário.
56
Quando voltar o costume da antropofagia, não há mais que trocar o “amai-vos uns aos outros”, do Evangelho, por esta doutrina: “Comei-vos uns aos outros”. Bem pensado, são os dois estribilhos da civilização.
52
Aborrecer o passado ou idolatrá-lo vem a dar no mesmo vício; o vício de uns que não descobrem a filiação dos tempos, e datam de si mesmos a aurora humana, e de outros que imaginam que o espírito do homem deixou as asas no caminho e entra a pé num charco.
48
O vento dos tempos nem sempre é a brisa igual e mansa que tudo esfolha e dispersa devagar. Tem lufadas de tufão, que fazem ir parar longe as folhas secas ou somente murchas.
54
Os velhos como eu irão recordar um pouco da mocidade: a melhor coisa da vida, e talvez a única.
60
[…] precisamos acaso acrescentar uma verdade comezinha, a saber, que as melhores intenções deste mundo e os esforços mais sinceros não dão a menor parcela de virtude àquilo que teve origem no erro, nem transformam a natureza do fato consumado?
57
É precária a virtude dos homens; está sujeita a toda sorte de avarias e abalroamentos.
52
A concha não vale a pérola; mas o delicado da pérola disfarçará o grosseiro da concha.
66
[…] a esperança é própria das espécies fracas, como o homem e o gafanhoto; o burro distingue-se pela fortaleza sem par.
60
Afinal de contas, os homens que não são sérios e graves, são exatamente os homens graves e sérios. Demócrito continua a ter razão: só é sério aquilo que o não parece.
64
O melhor estilo é o que narra as coisas com simpleza, sem atavios carregados e inúteis.
54
[…] eu a tempo advirto que as mais claras águas podem levar de enxurro alguma palha podre — se é que é podre, se é que é mesmo palha.
60
É a sorte de todas as instituições humanas trazerem em si o gérmen de sua destruição.
43
A história é isto. Todos somos os fios do tecido que a mão do tecelão vai compondo, para servir aos olhos vindouros, com os seus vários aspectos morais e políticos. Assim como os há sólidos e brilhantes, assim também os há frouxos e desmaiados, não contando a multidão deles que se perde nas cores de que é feito o fundo do quadro.
32
O nosso erro é crer que inventamos, quando continuamos, ou simplesmente copiamos. Tanta gente pasma ou vocifera diante de pecados, sem querer ver que outros iguais pecados se pecaram, e ainda outros se estão pecando, por várias outras terras pecadoras.
51
A extrema desconfiança não é menos perniciosa que a extrema presunção. “As dúvidas são traidoras”, escreveu Shakespeare […]
56
Vamos esquecendo; é o nosso ofício.
64
[…] o cinismo, que é a sinceridade dos patifes, pode contaminar uma consciência reta, pura e elevada, do mesmo modo que o bicho pode roer os mais sublimes livros do mundo.
58
Ó tempos! Ó saudades! Tinha eu vinte anos, um bigode em flor, muito sangue nas veias e um entusiasmo, um entusiamo capaz de puxar todos os carros, desde o carro do Estado até o carro do sol — duas metáforas, que envelheceram como eu.
65
Dizia o sábio que se tivesse a mão cheia de verdades, nunca mais a abriria […]
20
Meia-idade, zona em que as paixões arrefecem, onde as flores vão perdendo a cor purpúrea e o viço eterno.
55
Realmente, os anos nada valem por si mesmos. A questão é saber aguentá-los, escová-los bem, todos os dias, para tirar a poeira da estrada, trazê-los lavados com água de higiene e sabão de filosofia.
55
[…] as ideias mudam de natureza com as pessoas e com os tempos […]
61
É o destino dos fracos; servem de experiências aos mais fortes, quando lhes não servem de nutrição.
64
[…] espíritos medíocres, não podendo abraçar a amplidão do espaço em que a civilização os lançou, olham saudosos para os tempos e as coisas que já foram, e caluniam, menos por má vontade que por inépcia, os princípios em nome dos quais se elevaram.
67
Tudo prescreve debaixo do sol, desde o amor até o furor. O próprio sol tem os seus séculos contados.
62
Viva a poesia, meus amigos! Viva a sacrossanta literatura! como dizia Flaubert. Não sei se existem intendentes, mas os Timbiras existem.
55
Se a delicadeza das maneiras é um dever de todo homem que vive entre homens, com mais razão é um dever do crítico, e o crítico deve ser delicado por excelência.
58
Gente que mamou leite romântico, pode meter o dente no rosbife naturalista; mas em lhe cheirando a teta gótica e oriental, deixa o melhor pedaço de carne para correr à bebida da infância. Oh! meu doce leite romântico! Meu licor de Granada! Como ao velho Goethe, aparecem novamente as figuras aéreas que outrora vi ante os meus olhos turvos.
53
O mal da nossa poesia contemporânea é ser copista — no dizer, nas ideias e nas imagens.
19
[…] a extinção de um grande movimento literário não importa a condenação formal e absoluta de tudo o que ele afirmou; alguma coisa entra e fica no pecúlio do espírito humano.
44
[…] há sempre uma qualidade nos contos, que os torna superiores aos grandes romances, se uns e outros são medíocres: é serem curtos.
40
— Quando uma Constituição livre pôs nas mãos de um povo o seu destino, força é que este povo caminhe para o futuro com as bandeiras do progresso desfraldadas. A soberania nacional reside nas Câmaras; as Câmaras são a representação nacional. A opinião pública deste país é o magistrado último, o supremo tribunal dos homens e das coisas. Peço à nação que decida entre mim e o Sr. Fidélis Teles de Meireles Queles; ela possui nas mãos o direito superior a todos os direitos.
65
[…] ninguém ignora que ele [Diderot] não só escrevia contos, e alguns deliciosos, mas até aconselhava a um amigo que os escrevesse também. E eis a razão do enciclopedista: é que quando se faz um conto, o espírito fica alegre, o tempo escoa-se, e o conto da vida acaba, sem a gente dar por isso.
51
Versos são coisas de pouca monta; não é com eles que andam as máquinas, nem eles influem por nenhum modo na alta e baixa de fundos. Paciência! Há no interior do homem um ouvido que não entende senão a língua das comoções puras, e para falá-la o melhor vocabulário é ainda o do padre Homero.
49
[…] cada livro deve guardar a marca do seu tempo […]
61
A isto responderá o algarismo com a maior simplicidade:
50
Se és feliz, escreve; se és infeliz, escreve também.
80
Quando a ideia que me acode ao bico da pena é já velhusca, atiro-lhe aos ombros um capote axiomático, porque não há nada como uma sentença para mudar a cara aos conceitos.
48
[…] é preciso atender ao uso das palavras. Não cansam só as línguas que as dizem; elas próprias gastam-se. Quando menos, adoecem. A anemia é um dos seus males frequentes; o esfalfamento é outro. Só um longo repouso as pode restituir ao que eram, e torná-las prestáveis.
41
[…] entre as confidências pessoais e as aspirações de renovação política, alarga-se um campo infinito em que se pode exercer a invenção do poeta.
50
Assim, por exemplo, um homem, o leitor ou eu, querendo falar do nosso país, dirá:
49
O poeta é um pouco realista. Não esquece que o chapéu é de castor, e não só de castor, mas até branco, e que ela o pôs na mesa, que era redonda, e que estava no centro da sala. Que homem minucioso! Parece um passaporte.
58
Em que peca a geração presente? Falta-lhe um pouco mais de correção e gosto; peca na intrepidez às vezes da expressão, na impropriedade das imagens, na obscuridade do pensamento.
55
O que se deve exigir do escritor, antes de tudo, é certo sentimento íntimo, que o torne homem do seu tempo e do seu país, ainda quando trate de assuntos remotos no tempo e no espaço.
60
Os que procuram resgatar a pureza da língua, trazendo à luz de uma constante publicidade as obras clássicas dos velhos autores, sempre nos tiveram entre os seus aplaudidores mais entusiastas.
61