Citações
Citações para inspirar e refletir
Mercê de Deus, não é capacidade que nos falta; talvez alguma indolência e certamente a mania de preferir o estrangeiro, eis o que até hoje tem servido de obstáculo ao desenvolvimento do nosso gênio industrial. E, pode-se dizê-lo, não é uma simples falta, é um pecado, ter um país tão opulento e esperdiçar os dons que ele nos oferece, sem nos prepararmos para essa existência pacífica de trabalho que o futuro prepara às nações.
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Em nosso país a vulgaridade é um título, a mediocridade um brasão […]
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Há uma série de fatores, que a lei não substitui, e esses são o estado mental da nação, os seus costumes, a sua infância constitucional…
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Tal é a nossa concepção da legalidade: um guarda-chuva escasso, que, não dando para cobrir a todas as pessoas, apenas pode cobrir as nossas […]
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Terei vivido e morrido neste meu recanto, velha cidade carioca, sabendo unicamente de oitiva e de leitura o que há por fora e por longe.
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Certo, a nossa baía é esplêndida; e no dia em que a ponte que se vê em frente à Glória for acabada e tirar um grande lanço ao mar para aluguéis, ficará divina. Assim mesmo, interrompida como está, a ponte dá-lhe graça. Mas, naquele tempo, nem esse vestígio do homem existia no mar: era tudo natureza. A admiração do nosso hóspede excluía qualquer ideia da ação humana. Não me perguntou pela fundação das fortalezas, nem pelos nomes dos navios que estavam ancorados. Foi só a natureza.
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Eu, mal chegava ao Senado, estava com os anjos. Tumulto, saraivada grossa, caluniador para cá, caluniador para lá, eis o que pode manter o interesse de um debate. E que é a vida senão uma troca de cachações?
58
Defender o código em novembro e desfeiteá-lo em março, abraçar a lei na quinta-feira e mandá-la à tábua no domingo e isto sem gradação, mas de um salto, como se muda de sobrecasaca, é um fenômeno curioso, digno da meditação do filósofo.
55
[…] chegado ao fim da carreira é doce que a voz que nos anime a mesma voz antiga que nem a morte nem a vida fizeram calar.
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A liberdade não é surda-muda, nem paralítica. Ela vive, ela fala, ela bate as mãos, ela ri, ela assobia, ela clama, ela vive a vida.
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Tem barreiras a filosofia; a ciência política acha um limite na testa do capanga.
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Não, eu não sou dos que acham que os poetas são incapazes para a política. O que penso é que os poetas deviam evitar descer a estas coisas tão baixas, deviam pairar constantemente nas montanhas e nos cedros — como condores que são.
58
As leis reformam-se sem risco; mas torcer a natureza não é reformá-la, é deformá-la.
40
Ora, eu já li que os nervosos e melancólicos são pouco dados às viagens, enquanto que os sanguíneos as buscam por gosto e por necessidade. A observação é impossível de ser provada por estatísticas; mas a razão a aceita facilmente.
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O princípio social do Rio de Janeiro, como se sabe, é o doce de coco e a compota de marmelos.
61
Assim como um governo sem equidade só se pode manter em um povo igualmente sem equidade (segundo um mestre), assim também um parlamento remisso só pode medrar em sociedade remissa. Não vamos crer que todos nós, exceto os legisladores, fazemos tudo a tempo. Que diria o sol, que nos deu a rede e o fatalismo?
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Um dos defeitos mais gerais entre nós é achar sério o que é ridículo, e ridículo o que é sério. Pois o tato para acertar nestas coisas é também uma virtude do povo.
62
O país real, esse é bom, revela os melhores instintos; mas o país oficial, esse é caricato e burlesco. A sátira de Swift nas suas engenhosas viagens cabe-nos perfeitamente. No que respeita à política nada temos a invejar ao reino de Liliput.
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É uma santa coisa a democracia — não a democracia que faz viver os espertos, a democracia do papel e da palavra — mas a democracia praticada honestamente, regularmente, sinceramente. Quando ela deixa de ser sentimento para ser simplesmente forma, quando deixa de ser ideia para ser simplesmente feitio, nunca será democracia — será espertocracia, que é sempre o governo de todos os feitios e de todas as formas.
58
Dize-me com quem comes, dir-te-ei com quem votas.
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A tela da atualidade política é uma paisagem uniforme; nada a perturba, nada a modifica. Dissera-se um país onde o povo só sabe que existe politicamente quando ouve o fisco bater-lhe à porta.
55
Quando nos despedimos no cais Pharoux, e que o vi afastar-se da praia, lembrei-me das muitas despedidas que tenho feito a amigos ou só conhecidos, que se vão e tornam, ou não tornam, conforme o programa deles, ou a decisão da sorte, que tanta vez corrige os nossos itinerários. Perdi assim velhos amigos. Não é provável que me arranque um dia daqui para ir ver coisas novas, posto que o desejo seja grande; desejo não vale resolução nem supre a possibilidade.
63
A metáfora é um abscesso nas organizações políticas; convém rasgá-lo ou resolvê-lo, e voltarmos à frase sadia e nua: pão, pão; queijo, queijo.
65
Eu, se tivesse de dar Hamlet em língua puramente carioca, traduziria a célebre resposta do príncipe da Dinamarca: Words, words, words , por esta: Boatos, boatos, boatos .
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O que faço é não me mostrar a todos tal qual ando; muitos me acharão alegre e ainda bem.
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Monsenhor Pinto de Campos começa por aconselhar o exílio do livro [ Vida de Jesus , de Renan], e acaba por insinuar a queima dele. Na opinião de S. Revma. é o que devem fazer todos os bons católicos. Tal conselho nestes tempos de liberdade, nem mesmo provoca a indignação — é simplesmente ridículo.
47
Donde se conclui que o marinheiro é a crisálida do diplomata.
65
Não há muito quem brade contra a centralização política e administrativa? É uma flor de retórica de todo o discurso de estreia; um velho bordão; uma perpétua chapa. Raros veem que a centralização não se operou ao sabor de alguns iniciadores, mas porque era um efeito inevitável de causas preexistentes. Supõe-se que ela matou a vida local, quando a falta de vida local foi um dos produtores da centralização.
22
A parte relativa ao que se achou de humorismo e pessimismo nos últimos livros é tratada com fina crítica, e acerta comigo, cuja natureza teve sempre um fundo antes melancólico que alegre. A própria timidez, ou o que quer que seja, me terá feito limitar ou dissimular a expressão verdadeira do meu sentir, sem contar que a experiência é vento mais propício a estas flores amarelas…
22
Não há meio de dar hoje dois passos, entre políticos, sem ouvir: — V. é direto ou indireto? — Eu sou direto. — Mas sem reforma constitucional? — Sem reforma. — Eu sou com reforma. — Questão de forma. — Pois eu sou indireto. — Como? Tudo o que é mais indireto neste mundo; tão indireto como Deus Nosso Senhor, que escreve direito por linhas tortas; Deus é indireto.
61
Eu sou um peco fruto da capital, onde nasci, vivo e creio que hei de morrer, não indo ao interior senão por acaso e de relâmpago, mas compreendo perfeitamente que prefira um campo a esse misto de roça e de cidade.
58
[…] trabalhar de graça não é uma ideia, ou é uma triste ideia. Um deputado pode ser excelente, sem ser gratuito. Creio até que as leis saiam mais perfeitas quando o legislador não tenha de pensar no jantar do dia seguinte.
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Alvoroça-me a ideia de que vou encontrar Hesíodo ou Péricles, aí na primeira esquina; que a mulher que passa, às tardes, pela minha rua, guiando um carro descoberto, é uma hetaira de Mileto, trazida por um mercador de Naxos; que o que chamamos Alcazar é simplesmente o jardim dos peripatéticos. Verdade seja que as nossas ridículas calças…
52
Creio que nenhum dos meus contemporâneos deixou de ir ver terras alheias e diversas, onde a arte lhe deparasse vistas antigas e recentes, e costumes tão diversos destes. Só eu fiquei pegado à terra natal.
51
Causa tédio ver como se caluniam os caracteres, como se deturpam as opiniões, como se invertem as ideias, a favor de interesses transitórios e materiais, e da exclusão de toda a opinião que não comunga com a dominante.
56
Que um homem sincero, convencido, patriota, tome a pena e entre na arena política — se ele quiser pôr a consciência acima dos interesses privados, a razão acima das conveniências pessoais, verá erguer-se contra si toda a frandulagem política desta terra, e mais de uma vez a ideia do dever e o sentimento de pesar lutarão na consciência do escritor.
17
A soberania nacional é a coisa mais bela do mundo, com a condição de ser soberania e de ser nacional.
61
Aqui estão os principais traços da minha pessoa. Não direi a V. Excia. se tomo sorvetes, nem se fumo charutos de Havana; são ridiculezas que não devem entrar no espírito da opinião pública.
58
Só duas nações — a Grécia passada e Portugal futuro — receberam dos deuses a concessão de serem não só elas mas também todas as outras.
49
Se um grande povo não acreditar que a verdade somente pode ser encontrada nele mesmo [...], se ele não crer que apenas ele está apto e destinado a se erguer e redimir a todos por meio da sua verdade, ele prontamente se rebaixa à condição de material etnográfico, e não de um grande povo. Um povo realmente grande jamais poderá aceitar uma parte secundária na história da humanidade, nem mesmo entre os primeiros, mas fará questão da primazia. Uma nação que perde essa crença deixa de ser uma nação.
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Infelizmente não disponho de tribuna, sou apenas um pobre-diabo, condenado ao lado prático das coisas; de mais a mais míope, cabeçudo e prosaico.
59
Não frequento o paço, mas gosto do imperador. Tem as duas qualidades essenciais ao chefe de uma nação: é esclarecido e honesto. Ama o seu país e acha que ele merece todos os sacrifícios.
54
O mundo moderno com todo o seu poderio, seu prodigioso capital tecnológico, sua absoluta disciplina no tocante a métodos científicos e práticos jamais conseguiu prover-se de um sistema político, um código moral, um ideal ou um código de leis civis e penais em harmonia com os modos de vida que ele criou ou até mesmo com os modos de raciocínio que vêm sendo gradualmente impostos a todos os homens por meio da ampla disseminação e desenvolvimento de uma forma de espírito científico.
83
Ubi bene, ibi patria [Onde se está bem, aí é a pátria].
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Não se pode sustentar que a civilização por si mesma faz os homens “mais felizes” do que eles são na condição selvagem.
73
Naquilo que concordamos denominar “civilização” reside inegavelmente um princípio diabólico do qual o homem apenas se deu conta demasiado tarde, quando não era mais possível remediá-lo.
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Especialistas sem espírito, sensualistas sem coração — e esta nulidade se considera, ainda por cima, o supra-sumo da civilização.
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Aos vinte anos, começando a minha jornada por esta vida pública que Deus me deu, recebi uma porção de ideias feitas para o caminho. Se o leitor tem algum filho prestes a sair, faça-lhe a mesma coisa. Encha uma pequena mala com ideias e frases feitas, se puder, abençoe o rapaz, e deixe-o ir.
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