Citações
Citações para inspirar e refletir
Bem ao lado do criador de uma grande frase figura aquele a quem primeiro ocorre citá-la. Muitos lerão um livro antes que alguém pense em citar certa passagem. Mas, assim que isso é feito, aquela linha será citada de leste a oeste. [...] De facto, é tão difícil apropriar-se dos pensamentos de outros como inventá-los. Pois sempre alguma transição abrupta, alguma mudança repentina de temperatura ou de ponto de vista trai a inserção do alheio.
58
Se eu tivesse sabido [na juventude], tão claramente como sei hoje em dia, quantas coisas excelentes têm existido por séculos e milénios, eu jamais teria escrito uma única linha [de poesia], e teria-me dedicado a algo bem diverso na vida.
60
A autoridade dos mortos não aflige, e é definitiva.
45
Embora julguemos governar as nossas palavras e recomendemos “falar como falam as pessoas comuns, pensar como pensam os sábios”, na verdade é certo que as palavras, como o bumerangue de um tártaro, de facto retornam e voltam-se contra o entendimento dos mais sábios, dificultando e pervertendo o discernimento.
54
Embora tenha sido um leitor voraz e ardente, não me lembro contudo de nenhum livro que tenha lido, a tal ponto eram as minhas leituras estados da minha própria mente, sonhos meus, e mais ainda provocações de sonhos.
63
Estamos sempre dispostos a atribuir aos escritos dos outros sentidos que favoreçam as nossas opiniões sedimentadas: um ateu se orgulha de fazer com que todos os autores reforcem a causa do ateísmo. Ele envenena com a sua própria peçonha o mais inocente pensamento.
37
e Z são as últimas letras do alfabeto. O X e o Z são, juntos com o K, as letras mais duras e antipáticas do alfabeto, e existe uma suspeita de que sejam nazistas. Não admira que o Y, entre as duas, esteja com os braços para cima, apavorado.
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Woody Allen faz um humor intelectualmente pretensioso, cujo alvo principal é a pretensão intelectual. Não pode errar. A ideia de que Allen não pode ser entendido como deve fora do contexto intelectual judeu nova-iorquino me parece tão falsa quanto a ideia de que Kafka não significa nada fora do contexto intelectual judeu de Praga na sua época. (Cf. Kafka )
57
O infortúnio dos escritores lúcidos e claros é que os consideramos pouco profundos e, por isso, pouco esforço é empregado na sua leitura; e a boa fortuna dos escritores obscuros é que o leitor se ocupa bastante deles e lhes credita o prazer que obtém por meio da sua própria diligência.
56
Quem organiza uma antologia escreve sempre um prefácio em que declara o critério adotado. O que sucede de ordinário é que a maioria dos leitores não faz caso do prefácio. Agora sei que os prefácios são inúteis, e entre apanhar e apanhar, antes apanhar sem prefácio.
58
Tu conheces, leitor, o monstro delicado. — Hipócrita leitor, meu igual, meu irmão!
57
O espírito de Woodstock não durou muito. Depois vieram os aborrecidos anos 1970, quando todo o mundo teve que ir ser egoísta e ganhar a vida.
41
Que outros se jactem das páginas que escreveram; a mim me orgulham as que tenho lido.
60
António: O demónio pode citar as Escrituras para o seu propósito. Um espírito maligno que invoca testemunho sagrado é como um vilão com bochechas sorridentes.
52
É necessário mais espírito para prescindir de uma palavra do que para empregá-la.
43
O que quer que um outro disser bem, é meu.
46
Ainda na juventude, tornei-me ciente de que um vasto abismo separa os autores do seu público, embora, felizmente para ambos os lados, nenhum deles se dê conta disso. Logo percebi também quão inúteis são todos os prefácios, pois, quanto mais tentamos explicar os nossos propósitos, mais confusão criamos. Além disso, um autor pode escrever um prefácio tão longo quanto desejar, que o público continuará a dirigir-lhe as mesmas cobranças que ele havia procurado afastar.
52
Alguns, em nome da fama, com farrapos de erudição se besuntam, e imortais se crêem tornar à medida que citam.
54
O xadrez é um jogo violentíssimo. Parte do tempo em que parece estar pensando no seu próximo lance o jogador de xadrez se dedica a imaginar o que faria com o adversário e sua família se não precisasse se controlar. A única coisa comparável ao xadrez em violência é o polo jogado por mongóis, em que dois times a cavalo disputam a posse de um cabrito através de vastas extensões de estepes, muitas vezes arrasando cidades inteiras no caminho. O polo mongol é o xadrez sem o autocontrole.
51
Onde os antigos homens colocavam uma palavra, acreditavam ter feito uma descoberta. Como é diferente a verdade! — eles haviam tocado num problema e, supondo que o tinham solucionado, haviam criado um obstáculo para a solução. — Agora, a cada porção de conhecimento com que nos deparamos temos de tropeçar em palavras mortas e petrificadas, e é mais fácil quebrarmos uma perna do que uma palavra.
49
Ah, o quanto me repugna impingir a outro meus pensamentos! Como me alegro de todo estado de ânimo e secreta mudança dentro de mim, em que os pensamentos de outros prevalecem diante dos meus! De vez em quando, porém, há uma festa ainda maior, quando é permitido distribuir seus bens espirituais, à maneira do confessor que se acha sentado no canto, ávido de que um necessitado venha e fale da miséria de seus pensamentos, para que ele possa lhe encher a mão e o coração e aliviar a alma inquieta!
43
O autor tem direito ao prefácio; mas ao leitor pertence o posfácio.
64
Faz parte do anedotário da família a vez em que — para não ter que procurar o banheiro do cinema Imperial e perder o melhor do filme do Tarzan — simplesmente fiquei em pé e urinei ali mesmo, no chão. Devo esclarecer que isso foi há muito tempo e não tem nada a ver com os atuais odores do Imperial, que devem ser creditados a outra geração.
62
Uma teologia que insiste no uso de determinadas palavras e frases, ao passo que proíbe outras, em nada torna as coisas mais claras. [...] Ela gesticula com palavras, como se poderia dizer, porque deseja dizer algo e não sabe como expressá-lo. A prática dá às palavras o seu significado.
57
Durante toda a sua vida de técnico, Zagallo foi chamado de defensivista. Era esta anomalia: um carioca que não pensava o futebol cariocamente.
50
Um autor aparece com mais vantagem nas páginas de outro livro, distinto do seu. No seu próprio, ele é apenas um candidato à espera da aprovação do leitor; no livro de outro autor ele tem a autoridade de quem legisla.
71
Muitos homens fracassam em se tornar pensadores somente porque a sua memória é demasiadamente boa.
37
Um em cada dois franceses, ao que parece, não lê; metade da França encontra-se em estado de privação — priva-se do prazer do texto. […] Melhor seria escrever a história penosa, estúpida, trágica de todos os prazeres a que as sociedades fazem objeção ou a que renunciam: existe um obscurantismo do prazer.
50
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
38
A crença derradeira é acreditar numa ficção, que tu sabes ser ficção, nada mais havendo além disso; a espantosa verdade é saber que se trata de uma ficção, e que tu acreditas nela por vontade própria.
34
Algumas vezes uma expressão tem de ser retirada da linguagem e submetida a um processo de limpeza — só então ela pode ser recolocada em circulação.
52
Podemos formar grandes times e ganhar tudo, mas nunca estaremos satisfeitos com a nossa zaga. Viveremos eternamente essa privação do zagueiro absoluto, como os portugueses esperando a volta de dom Sebastião, e ela se integrará ao nosso caráter.
55
Pois, tendo resolvido examinar o entendimento humano e os caminhos do conhecimento, não pelas opiniões dos outros, mas pelo que pudesse reunir eu mesmo com base nas minhas próprias observações, evitei deliberadamente a leitura de todos os livros que tratassem de alguma maneira do meu tema, de modo que nada me pudesse enviesar de alguma forma.
46
O prazer de escrever como contrapeso do [prazer] de ler.
47
Tristeza em Paris só em 1998, com os gols de cabeça do Zidane.
59
Não devemos ler escritos sobre a matéria acerca da qual estamos a refletir, do contrário atamos o génio.
21
Leia não para contradizer nem para acreditar, mas para ponderar e considerar. Alguns livros são para serem degustados, outros para serem engolidos, e alguns poucos para serem mastigados e digeridos. A leitura torna o homem completo, as preleções dão-lhe prontidão, e a escrita torna-o exato.
60
Um romance é como o arco, e a alma do leitor é como o corpo do violino que emite o som.
68
Acredito que algumas das maiores mentes que até hoje existiram não tenham lido nem a metade e soubessem consideravelmente menos do que alguns dos nossos medíocres scholars. Creio que alguns dos nossos scholars realmente medíocres poderiam ter chegado a ser homens mais grandiosos caso não tivessem lido em demasia.
67
Como pode alguém tornar-se um pensador sem passar pelo menos um terço do dia sem paixões, pessoas e livros?
46
A mania de citações e de comentário dos filólogos mais antigos, o que era, senão filha da pobreza de livros e do excesso de espírito literário.
46
Não me inspiro nas citações; valho-me delas para corroborar o que digo e que não sei tão bem expressar, ou por insuficiência da língua ou por fraqueza do intelecto. Não me preocupo com a quantidade e sim com a qualidade das citações. Se tivesse desejado que fossem avaliadas pela quantidade, teria podido reunir o dobro.
54
A maioria não tem apreço pelo que entende, e o que não compreendem, veneram. Para serem estimadas, as coisas têm de custar: será celebrado tudo o que não for entendido.
52
Foi pela obscuridade de sua linguagem que Heráclito conquistou a veneração dos ignorantes. Os tolos, com efeito, só estimam e admiram o que se lhes apresenta em termos enigmáticos.
40
Também o prefácio é um subtil medidor de livros. Por isso os mais espertos costumam agora deixar de lado esse traiçoeiro indicador de conteúdo, e os comodistas fá-lo-ão porque um bom prefácio é mais difícil que o livro. [...] O prefácio é ao mesmo tempo a raiz e o quadrado do livro e, por conseguinte, acrescento eu, nada outro, senão a sua genuína resenha.
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Sou de Libra. Minha vida é regida por Saturno, Urano e, estranhamente, pelo maestro Isaac Karabtchevsky.
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O Zico no fundo não existe. É uma entidade abstrata criada pelo inconsciente coletivo do Maracanã.
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A carne é triste, sim, e eu li todos os livros.
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