Citações
Citações para inspirar e refletir
No Brasil, desperdiça-se tudo, até a má experiência. Aqui o purgante não faz efeito, o susto não educa e os gatos escaldados correm todos para a panela.
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Os jornais só acertam o nome do Zico porque é curto.
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Faz parte da arte de escrever a distribuição sagaz de espaços abertos, como os jardins nas casas. Assim respira o texto e respira o leitor. Toda arquitetura, de pedra ou palavra, deve ter aberturas bem-postas por onde circule o ar e cure-se a opressão. (Cf. Clareza)
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Nunca um nome descreveu uma coisa tão bem. O próprio comprimento da palavra é descritivo, você vê “espreguiçadeira” no papel e está vendo a cadeira aberta e espichada, você deitado nela com a cabeça para trás e as pernas estendidas.
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Como se distingue um esquerdista de um direitista no Brasil? Até pouco tempo era fácil, esquerdista tinha barba.
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A Europa é o que a gente vê na fresta entre um turista americano e outro.
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é uma conjunção importantíssima. Sem o E, muitas frases ficariam ininteligíveis, dificultando a comunicação entre as pessoas. Em compensação, não existiriam as duplas caipiras.
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AH : Interjeição, usada para indicar espanto, admiração, medo. Curiosamente, também são as iniciais de Alfred Hitchcock. (Cf. Hitchcock)
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Todo homem é a soma não das suas decisões, mas das suas hesitações, ou do que, pensando melhor, decidiu não fazer.
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Se muitos brasileiros não sabem escolher seus governantes, como é que seriam escolhidos os poucos brasileiros que supostamente sabem? (Cf. Políticos)
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Me lembro da adolescência como uma ereção ininterrupta. Bom, nada. Era um martírio. (Cf. Hormônios)
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A primavera é um descontrole glandular da natureza. O inverno é o preço que a gente paga para ter o outono, e por isso está perdoado. O verão é uma indignidade.
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Elis Regina foi uma grande cantora de jazz, mesmo sem cantar músicas do gênero. Foi como o Frank Sinatra, que era sempre considerado um cantor de jazz, apesar de raramente improvisar.
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A má literatura é a literatura em estado puro, intocada por distrações como estilo, invenção, graça ou significado, reduzida apenas ao ímpeto de escrever.
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A única diferença entre uma festa de amasso e a cobrança de um escanteio é que na grande área não tem música.
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O Carnaval já existia na Europa quando o Brasil foi descoberto, só que com roupa. Ele veio nas caravelas portuguesas junto com o nosso descobridor, Pedro Álvares Cabral, e aqui incorporou elementos nativos como bateria, baianas, bicheiros, cambistas e, claro, a principal contribuição do Novo Mundo ao rito milenar, a miçanga. (Cf. América)
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Como todos os impérios, o de Hollywood também se impôs destruindo culturas nativas e escravizando mentes. A diferença é que contra o feitiço desse império não bastam a reação econômica e a sublevação social — nunca escravos quiseram tanto continuar escravos, ainda mais se os feitores forem a Sharon Stone sem calças ou o Richard Gere sem camisa.
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O político brasileiro, uma vez eleito, se sente a salvo em outro país, o Brasil oficial, que não deve nada ao Brasil de verdade, muito menos explicações. (Cf. Cassações)
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Diziam que quem ficasse sentado na frente do café Deux Magots em Paris por um tempo indeterminado veria passar todo o mundo à sua frente. Um exagero, claro, parecido com aquele dos mil macacos ao teclado de mil computadores, que no fim de um milhão de anos (estamos falando de macacos longevos) teriam reescrito toda a obra de Shakespeare — e ido comemorar no Deux Magots, presumivelmente.
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O homem é o único animal que gosta de escargots ( fora, claro, o escargot ).
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O único engajamento político que se deve pedir a um artista é o de retratar a estupidez humana e usar sua criação como um testemunho contra. Se não fosse pelos artistas, a crueldade da história não deixaria vestígios.
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A economia trata de dois fatos humanos que pouco se prestam à sentimentalização: os números e a ganância.
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Um excêntrico é um louco com saldo bancário.
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Nunca entendi a expressão “papas na língua”. Sempre a achei vagamente anticlerical.
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É sabido que os velhos elefantes, quando sentem que a morte se aproxima, afastam-se da manada para morrer sozinhos. Não querem sentimentalismo nem cerimônia. Morrer é uma coisa privada que requer um certo pudor.
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Somos um país muito grande governado por irmandades muito pequenas, e pagamos pelos dois extremos.
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Já se disse que os franceses reverenciam duas coisas, o Estado e o bar da esquina. Têm um certo desdém por tudo que existe entre esses dois polos.
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Não sei quem me influenciou. Talvez meu pai, que foi um dos primeiros a escrever com a informalidade que também busco.
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As ideias não podem ser desperdiçadas, mesmo que nos custem os amigos, a vida ou o sono. Imagine se Shakespeare tivesse se horrorizado com suas próprias ideias e deixado de escrevê-las por puro comedimento. Não que eu queira me comparar a Shakespeare. Shakespeare era bem mais magro. (Cf. Clássicos)
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Na dualidade mente/corpo no esporte, a mente se sobrepõe ao corpo. Mas o corpo tem mais espaço para a publicidade.
50
O espelho nos mostra o nosso contrário, nossa esquerda na nossa direita, mas este é o limite máximo da sua dissimulação. Fora isso, ele é de uma franqueza brutal e irrecorrível.
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Ainda bem que “esdrúxulo” nunca aparecia nas leituras da infância, senão teria nos desanimado. Eu me recusaria a aprender uma língua se soubesse que ela continha a palavra “esdrúxulo”. Teria fechado a cartilha e ido jogar bola, para sempre.
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A morte do livro vem sendo preconizada há tempos, e nunca acontece. É uma das mais longas agonias de que se tem notícia. Só vou aceitar os e-books quando tiverem cheiro de livro.
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Quando falo em público, não sei quem sofre mais, se sou eu ou se é o público. Prefiro tomar injeção a dar entrevistas. (Cf. Off)
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Elizete Cardoso inaugurou várias fases da música popular brasileira. Foi a primeira “grande dama” do samba, a primeira a tornar o sambista respeitável e aceito no salão de recitais tanto quanto no auditório da rádio. Gravou a primeira música em que aparecia a batida da bossa nova, “Chega de saudade”. Artistas como Elizete são dobradiças, sem elas as coisas não viram. (Cf. Bossa Nova)
60
Eleição não dói. Não requer habilidade, embora requeira alguma prática. Aos poucos vai. Já conseguimos ampliar o eleitorado, de meia dúzia para oitenta milhões. O resto vem com a prática. (Cf. Voto)
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Tudo de bom que eu ouvi até hoje sobre a espécie humana foi dito por seres humanos. Eu queria uma opinião independente!
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Toda liberdade é condicional. Você não pode dizer que é absolutamente livre — a não ser que tenha asas, um cartão de crédito internacional sem limite e saúde para usá-los. E nenhum escrúpulo. (Cf. Tiranos)
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Os americanos salvaram o mundo… E ficaram com ele. (Cf. Assédio )
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Brasileiro gosta de engarrafamento. Diz que não gosta, mas adora. Brasileiro tem a volúpia do entrave. Tudo o que flui muito rapidamente, sei lá, não parece natural.
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Todo julgamento que se fizer da Espanha será um mal-entendido. A alma espanhola é como uma arena de touros onde um não espanhol, por mais que tente, jamais passará de um turista abismado.
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Uma suposta cultura enológica só depende de ter uma pose, duas ou três frases e uma razoável pronúncia em francês. Já se disse mais bobagem sobre vinhos do que sobre qualquer outro assunto, com a possível exceção do orgasmo feminino e da vida eterna. (Cf. Infância )
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O regime atual no Brasil é a monarquia. Reina a expectativa.
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É a arte de andar entre pingos de chuva ou sob marquises. Sua principal característica é que nunca dá certo.
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Como os seus vinhos, os diretores da França e da Itália também envelhecem de forma desigual: Truffaut resistiu mais do que Godard e Resnais, os Fellinis são hoje mais tragáveis do que os Antonionis, embora na época parecessem mais ralos, e nenhum bate um bom Monicelli guardado na temperatura adequada.
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A coisa mais triste de um defunto são os bolsos. A morte é um assaltante. Nos mata e nos esvazia os bolsos.
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Duas vezes é coincidência, três vezes é mistério, quatro vezes é mensagem, cinco vezes é destino.
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Não existem ateus em trincheiras, aviões passando por turbulência e campanhas eleitorais. (Cf. Ceticismo)
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