Citações para inspirar e refletir
O político brasileiro, uma vez eleito, se sente a salvo em outro país, o Brasil oficial, que não deve nada ao Brasil de verdade, muito menos explicações. (Cf. Cassações)
54
Se agarram, rolam pelo chão abraçados, se beijam com fervor… Se não foi gol, é amor.
61
Há algumas décadas instituímos no país a democracia condicional. Qualquer um podia ser presidente da República, desde que tivesse quatro estrelas. O que restringia a escolha a generais e hotéis.
52
Se muitos brasileiros não sabem escolher seus governantes, como é que seriam escolhidos os poucos brasileiros que supostamente sabem? (Cf. Políticos)
54
Já se disse que os franceses reverenciam duas coisas, o Estado e o bar da esquina. Têm um certo desdém por tudo que existe entre esses dois polos.
56
Em Havana bebe-se cubalibríssima — só rum, sem coca-cola.
45
Quanto à vida eterna minha preocupação não é se existe ou não, é chegar lá e encontrar os melhores lugares tomados por quem foi primeiro. Os etruscos devem ter todas as coberturas, os fenícios os terrenos do lago e a gente acaba ficando num quarto debaixo de uma escola de dança flamenca, para sempre.
60
Eleição não dói. Não requer habilidade, embora requeira alguma prática. Aos poucos vai. Já conseguimos ampliar o eleitorado, de meia dúzia para oitenta milhões. O resto vem com a prática. (Cf. Voto)
52
A Europa é o que a gente vê na fresta entre um turista americano e outro.
70
Tudo de bom que eu ouvi até hoje sobre a espécie humana foi dito por seres humanos. Eu queria uma opinião independente!
16
Uma suposta cultura enológica só depende de ter uma pose, duas ou três frases e uma razoável pronúncia em francês. Já se disse mais bobagem sobre vinhos do que sobre qualquer outro assunto, com a possível exceção do orgasmo feminino e da vida eterna. (Cf. Infância )
51
Os jornais só acertam o nome do Zico porque é curto.
45
Um excêntrico é um louco com saldo bancário.
50
A economia trata de dois fatos humanos que pouco se prestam à sentimentalização: os números e a ganância.
57
As ideias não podem ser desperdiçadas, mesmo que nos custem os amigos, a vida ou o sono. Imagine se Shakespeare tivesse se horrorizado com suas próprias ideias e deixado de escrevê-las por puro comedimento. Não que eu queira me comparar a Shakespeare. Shakespeare era bem mais magro. (Cf. Clássicos)
74
Todo julgamento que se fizer da Espanha será um mal-entendido. A alma espanhola é como uma arena de touros onde um não espanhol, por mais que tente, jamais passará de um turista abismado.
50
A única diferença entre uma festa de amasso e a cobrança de um escanteio é que na grande área não tem música.
37
Dentro de cada Elke Maravilha existe um tímido tentando se esconder e dentro de cada tímido existe um exibido gritando “Não me olhem! Não me olhem!” só para chamar a atenção. (Cf. Notoriedade)
44
Brasileiro gosta de engarrafamento. Diz que não gosta, mas adora. Brasileiro tem a volúpia do entrave. Tudo o que flui muito rapidamente, sei lá, não parece natural.
70
Os americanos salvaram o mundo… E ficaram com ele. (Cf. Assédio )
61
Sou pela liberação da maconha, porque não há como controlar. Como dizem na minha terra, para besteira e financiamento do Banco do Brasil, sempre se arranja um jeito.
41
Elis Regina foi uma grande cantora de jazz, mesmo sem cantar músicas do gênero. Foi como o Frank Sinatra, que era sempre considerado um cantor de jazz, apesar de raramente improvisar.
55
Na dualidade mente/corpo no esporte, a mente se sobrepõe ao corpo. Mas o corpo tem mais espaço para a publicidade.
55
Faz parte da arte de escrever a distribuição sagaz de espaços abertos, como os jardins nas casas. Assim respira o texto e respira o leitor. Toda arquitetura, de pedra ou palavra, deve ter aberturas bem-postas por onde circule o ar e cure-se a opressão. (Cf. Clareza)
63
A gente se distrai e, quando vê, está com oitenta anos. É injusto isso.
56
Me lembro da adolescência como uma ereção ininterrupta. Bom, nada. Era um martírio. (Cf. Hormônios)
47
Diziam que quem ficasse sentado na frente do café Deux Magots em Paris por um tempo indeterminado veria passar todo o mundo à sua frente. Um exagero, claro, parecido com aquele dos mil macacos ao teclado de mil computadores, que no fim de um milhão de anos (estamos falando de macacos longevos) teriam reescrito toda a obra de Shakespeare — e ido comemorar no Deux Magots, presumivelmente.
61
Quando falo em público, não sei quem sofre mais, se sou eu ou se é o público. Prefiro tomar injeção a dar entrevistas. (Cf. Off)
71
Estava lendo e tive uma hipofania, que é o nome adequado para uma revelação do óbvio, ou uma epifania de cavalo.
67
O homem é o único animal que gosta de escargots ( fora, claro, o escargot ).
53
AH : Interjeição, usada para indicar espanto, admiração, medo. Curiosamente, também são as iniciais de Alfred Hitchcock. (Cf. Hitchcock)
53
É a arte de andar entre pingos de chuva ou sob marquises. Sua principal característica é que nunca dá certo.
58
Como os seus vinhos, os diretores da França e da Itália também envelhecem de forma desigual: Truffaut resistiu mais do que Godard e Resnais, os Fellinis são hoje mais tragáveis do que os Antonionis, embora na época parecessem mais ralos, e nenhum bate um bom Monicelli guardado na temperatura adequada.
62
É sabido que os velhos elefantes, quando sentem que a morte se aproxima, afastam-se da manada para morrer sozinhos. Não querem sentimentalismo nem cerimônia. Morrer é uma coisa privada que requer um certo pudor.
77
A diferença entre um lance de gênio e apenas mais um drible improdutivo muitas vezes é só uma questão de milímetros.
59
A morte do livro vem sendo preconizada há tempos, e nunca acontece. É uma das mais longas agonias de que se tem notícia. Só vou aceitar os e-books quando tiverem cheiro de livro.
67
Nunca um nome descreveu uma coisa tão bem. O próprio comprimento da palavra é descritivo, você vê “espreguiçadeira” no papel e está vendo a cadeira aberta e espichada, você deitado nela com a cabeça para trás e as pernas estendidas.
26
E disse Jeová que os homens se espalhariam pela terra falando línguas diferentes, e que a proliferação de línguas traria a discórdia, as guerras e, pior, a dublagem.
53
O espelho nos mostra o nosso contrário, nossa esquerda na nossa direita, mas este é o limite máximo da sua dissimulação. Fora isso, ele é de uma franqueza brutal e irrecorrível.
83
Nas suas erupções, como nos arrotos, todos os homens falam a mesma língua. As conferências de paz deviam ser entre os mais mal-educados de cada nação. Talvez seja por isso que nunca dão certo: sempre mandam os diplomatas.
52
A má literatura é a literatura em estado puro, intocada por distrações como estilo, invenção, graça ou significado, reduzida apenas ao ímpeto de escrever.
52
Como se distingue um esquerdista de um direitista no Brasil? Até pouco tempo era fácil, esquerdista tinha barba.
49
A primavera é um descontrole glandular da natureza. O inverno é o preço que a gente paga para ter o outono, e por isso está perdoado. O verão é uma indignidade.
57
As estátuas de poetas são a sucata da poesia.
79
Como todos os impérios, o de Hollywood também se impôs destruindo culturas nativas e escravizando mentes. A diferença é que contra o feitiço desse império não bastam a reação econômica e a sublevação social — nunca escravos quiseram tanto continuar escravos, ainda mais se os feitores forem a Sharon Stone sem calças ou o Richard Gere sem camisa.
57
Elizete Cardoso inaugurou várias fases da música popular brasileira. Foi a primeira “grande dama” do samba, a primeira a tornar o sambista respeitável e aceito no salão de recitais tanto quanto no auditório da rádio. Gravou a primeira música em que aparecia a batida da bossa nova, “Chega de saudade”. Artistas como Elizete são dobradiças, sem elas as coisas não viram. (Cf. Bossa Nova)
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O Carnaval já existia na Europa quando o Brasil foi descoberto, só que com roupa. Ele veio nas caravelas portuguesas junto com o nosso descobridor, Pedro Álvares Cabral, e aqui incorporou elementos nativos como bateria, baianas, bicheiros, cambistas e, claro, a principal contribuição do Novo Mundo ao rito milenar, a miçanga. (Cf. América)
49
Tem homem que pensa que “educação sexual” quer dizer bater antes de entrar.
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