Escrito a vermelho

Escrito a vermelho

1999

Não lhe dirás o nome, nem é preciso, julgo eu. Basta que se saiba que foi com o sangue que sempre o escreveste. E bastará, por isso, que leiam os teus versos. Porque em todos eles está escrito a vermelho. (…) nos mais de sessenta poemas deste livro, o que sobretudo se observa é que o "discurso" poético de Albano Martins denota essa coerência primordial de nas várias conotações da própria linguagem querer dizer que neste livro não deixa uma vez mais de reflectir a mesma imagem transfigurada do real e do sonho, porque "as palavras são ainda necessárias / para dizer a calcinada / lâmina do sangue". E na declarada consciência de muitos dos seus versos saber que possui "uma paleta a que faltam algumas cores" e as tintas de que se serve "são letras que não têm voz". Mas na prosseguida intenção de uma "arte floral" em que subjaz um certo desencanto ou o saber assumido de que "as coisas simples, / mesmo se de ornamento / apenas servem, dispensam / sempre o que é gratuito". Serafim Ferreira

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Escrito a vermelho · Albano Dias Martins · 1999
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