Memórias de um craque

Memórias de um craque

2005

Não há maus assuntos, às vezes há é maus jornalistas - esta consigna podia aplicar-se, por inteiro, a Fernando Assis Pacheco (193?-95). Repórter sem par na sua geração, ele escrevia como ninguém, sempre capaz de transformar o nada em ouro. São disso um exemplo flagrante estas Memórias de Um Craque , segundo título das Obras de Assis em publicação pela Assírio & Alvim. Prefaciado pelo organizador, com posfácio de Manuel António Pina, Memórias de Um Craque reúne 30 crónicas, escritas em 1972 para o Record e nunca depois saídas em livro. Em boa hora o foram agora, porque são uma maravilha. O craque é o prórpio Assis, e a matéria evocada é a do futebol, melhor dizendo a do futebol que o puto que Assis foi praticou na rua, algures na cidade de Coimbra, a da sua infância. E aqui torna-se difícil separar o Assis jornalista do Assis escritor. Ele escrevia para um jornal, mas, sentindo-se à rédea solta, a sua escrita ganhou asas até atingir um pícaro sem paralelo entre nós. Indiscritível pela graça, a auto-ironia, o domínio pleno da língua e das suas expressões mais populares, nestas crónicas reabilitadas com cartas de nobreza. Uma pequena grande obra, da qual o jornalista não está de todo arredado, porque estas Memórias possuem igualmente o cunho de repórter, capazes como são de reconstituir tanto um cenário dos tempos idos, quanto o espírito de uma época. Assis, no seu melhor. Críticas de imprensa "Livrinho-Bíblia do verdadeiro gostar e sentir futebol. Futebol como dantes, como nos tempos do Bentes e demais craques dos futebóis dos idos de cinquenta e sessenta, futebol de suor e chorar, de correr e «vestir camisolas por amor aos clubes» (...) a prosa de Assis Pacheco é um inventário brilhante de uma linguagem duplamente literata e corriqueira, onde a poética e a inteligência da escrita se casa na perfeição com o jargão e com um registo prosaico de calão e humor sublimes e deliciosos." RCS, Magazine Artes, Junho 2005 Excertos Sabe-se que o futebol teve lugar de relevo no trabalho de jornalista de Fernando Assis Pacheco: reportagens, comentários, colunas regulares, entrevistas… e estas «Memórias de Um Craque», decerto o mais característico do largo conjunto. Na verdade, valerá menos como pequeno livro sobre futebol do que enquanto testemunho da importância do futebol na infância: fragmento de autobiografia cruzado com narrativa de episódios infanto-juvenis na Coimbra dos anos 40. Como testemunho autobiográfico, é precioso a vários títulos, e não será o menor deles aquele respeitante à própria constituição literária de Fernando Assis Pacheco, que em certos aspectos permaneceu fiel ao pequeno «craque» aqui retratado em clave auto-irónica. A primeira, e até agora única, publicação das «Memórias de Um Craque» fez-se em folhetim no «Record», aos sábados, trinta capítulos sem qualquer interrupção entre 22 de Abril e 25 de Novembro de 1972. É esse texto que aqui se reproduz […] (Abel Barros Baptista, Nota do Organizador) Sabe-se que o futebol teve lugar de relevo no trabalho de jornalista de Fernando Assis Pacheco: reportagens, comentários, colunas regulares, entrevistas… e estas «Memórias de Um Craque», decerto o mais característico do largo conjunto. Na verdade, valerá menos como pequeno livro sobre futebol do que enquanto testemunho da importância do futebol na infância: fragmento de autobiografia cruzado com narrativa de episódios infanto-juvenis na Coimbra dos anos 40. Como testemunho autobiográfico, é precioso a vários títulos, e não será o menor deles aquele respeitante à própria constituição literária de Fernando Assis Pacheco, que em certos aspectos permaneceu fiel ao pequeno «craque» aqui retratado em clave auto-irónica. A primeira, e até agora única, publicação das «Memórias de Um Craque» fez-se em folhetim no «Record», aos sábados, trinta capítulos sem qualquer interrupção entre 22 de Abril e 25 de Novembro de 1972. É esse texto que aqui se reproduz […] (Abel Barros Baptista, Nota do Organizador)

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Memórias de um craque · Fernando Assis Pacheco · 2005
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