Poemas

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Carl Sandburg
Carl Sandburg

Além daquilo que faz chorar

Além daquilo que faz chorar os poetas, que faz com
que os soldados se lancem para a frente e percam
a vida à luz do sol: que será, Bill?

8 999
Eugénio de Andrade
Eugénio de Andrade

Nunca o verão se demorara

Nunca o verão se demorara
assim nos lábios
e na água
- como podíamos morrer,
tão próximos
e nus e inocentes?

14 681
Fernando Pessoa
Fernando Pessoa

Quinta: D. SEBASTIÃO, REI DE PORTUGAL

Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?

14 683
Eugénio de Andrade
Eugénio de Andrade

Colhe todo o oiro

Colhe
todo o oiro do dia
na haste mais alta
da melancolia.

16 215
Gustavo Adolfo Bécquer
Gustavo Adolfo Bécquer

É um sonho esta vida

É um sonho esta vida,
mas um sonho febril de um instante único.
Quando dele se acorda,
vê-se que tudo é só vaidade e fumo...
Oxalá fosse um sonho

12 324
Ruy Belo
Ruy Belo

Tem o amor a arte de tornar eterno

Tem o amor a arte de tornar eterno
aquele que por amor tem de morrer
e até de morrer jovem amiúde pois os deuses amam
aquele que perece em plena juventude

14 859
Mário de Sá-Carneiro
Mário de Sá-Carneiro

Caranquejola

Ah, que me metam entre cobertores,
E não me façam mais nada!...
Que a porta do meu quarto fique para sempre fechada,
Que não se abra mesmo para ti se tu lá …

13 879
António Ramos Rosa
António Ramos Rosa

O Funcionário Cansado

A noite trocou-me os sonhos e as mãos
dispersou-me os amigos
tenho o coração confundido e a rua é estreita
estreita em cada passo
as casas engolem-nos
s…

14 823
Juan Ramón Jiménez
Juan Ramón Jiménez

A terra leva-nos por terra

A terra leva-nos por terra;
mas tu, mar,
levas-nos pelo céu.

9 684
Juan Ramón Jiménez
Juan Ramón Jiménez

Eu não voltarei

Eu não voltarei. E a noite
morna, serena, calada,
adormecerá tudo, sob
sua lua solitária.
Meu corpo estará ausente,
e pela janela alta

10 845
Fernando Pessoa
Fernando Pessoa

Ontem o pregador de verdades dele

Que estúpido se não sabe que a infelicidade dos outros é dele
e não se cura de fora.
Porque sofrer não é ter falta de tinta
ou o caixote não ter aros de ferro!

14 000
Juan Ramón Jiménez
Juan Ramón Jiménez

A solidão era eterna

A solidão era eterna
e o silêncio inacabável.
Detive-me com uma árvore
e ouvi falar as árvores.

10 252
António Castañeda
António Castañeda

Quanto terror latente

Quanto terror latente
nesse mar gelado
que desde sempre
levamos na alma.

9 068
Eduardo Carranza
Eduardo Carranza

Só o fogo e o mar podem olhar-se

Só o fogo e o mar podem olhar-se
sem fim. Nem sequer o céu com suas nuvens.
Só o teu rosto, só o mar e o fogo.
As chamas, e as ondas, e os teus olhos.

10 305
Lao Zi
Lao Zi

Ser amado dá-te força, amar dá-te coragem.

Ser amado dá-te força, amar dá-te coragem.

4 063
Raul de Carvalho
Raul de Carvalho

Serenidade És Minha

À Memória de Fernando Pessoa

Vem, serenidade!
Vem cobrir a longa
fadiga dos homens,
este antigo desejo de nunca ser feliz
a não ser pela dupla umi…

8 672
Nuno Júdice
Nuno Júdice

Elegia com uma variação romântica

As mulheres loucas arrumam os quartos, fazem
as camas desfeitas, empilham camisas e calças,
abotoam os cintos do infinito, prendem os laços
da sombra. Com o…

15 350
Mário de Sá-Carneiro
Mário de Sá-Carneiro

Sete Canções de Declínio

1
Um vago tom de opala debelou
Prolixos funerais de luto de Astro
E pelo espaço, a Oiro se enfolou
O estandarte real livre, sem mastro.

14 834
Herberto Helder
Herberto Helder

Tríptico

Não sei como dizer-te que minha voz te procura
e a atenção começa a florir, quando sucede a noite
esplêndida e vasta.
Não sei o que dizer, quando longamente teus …

7 943
Gustavo Adolfo Bécquer
Gustavo Adolfo Bécquer

Levai-me por piedade onde a vertigem

Levai-me por piedade onde a vertigem
com a razão me arranque a memória.
Por piedade! Tenho medo de ficar
com a minha dor a sós!

9 965
José Gomes Ferreira
José Gomes Ferreira

Agora, apodrecer

Agora, apodrecer.
Nas ruas, no suor das mãos amigas dos amigos, na pele dos espelhos...
desespero sorrido, carne de sonho público, montras enfeitadas de olhos...

12 818
Eugénio de Andrade
Eugénio de Andrade

A raiz do linho

A raiz do linho
foi meu alimento,
foi o meu tormento.

Mas então cantava.

12 538
João Miguel Fernandes Jorge
João Miguel Fernandes Jorge

A vila

A vila
o canto longínquo do tempo
deixa-me para sempre. É pouco.
nas dunas crescem as flores novas.

8 990
José Amaro Dionísio
José Amaro Dionísio

Nos bares do ocidente

Nos bares do ocidente à hora de fechar todos os bêbados se abraçam, e contam a vida desde pequeninos.

9 322