Poemas

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Alexandre O'Neill
Alexandre O'Neill

Mesa dos sonhos

Ao lado do homem vou crescendo

Defendo-me da morte quando dou
Meu corpo ao seu desejo violento
E lhe devoro o corpo lentamente

Mesa dos sonho…

16 151
António Ramos Rosa
António Ramos Rosa

Estou vivo e escrevo sol

ao Ruy Belo

Escrevo versos ao meio-dia
e a morte ao sol é uma cabeleira
que passa em fios frescos sobre a minha cara de vivo
Estou vivo e escrevo sol

10 672
Nuno Júdice
Nuno Júdice

Elegia com uma variação romântica

As mulheres loucas arrumam os quartos, fazem
as camas desfeitas, empilham camisas e calças,
abotoam os cintos do infinito, prendem os laços
da sombra. Com os seus…

15 398
António Ramos Rosa
António Ramos Rosa

Este homem que esperou

Este homem que esperou
humilde em sua casa
que o sol lavasse a cara
ao seu desgosto

Este homem que esperou
à sombra duma árvore
mudar a direc…

13 087
Eugénio de Andrade
Eugénio de Andrade

É na escura folhagem do sono

É na escura folhagem do sono
que brilha
a pele molhada,
a difícil floração da língua.

13 976
Camilo Pessanha
Camilo Pessanha

Na cadeia

na cadeia os bandidos presos!
o seu ar de contemplativos!
que é das feras de olhos acesos?!
pobres dos seus olhos cativos

passeiam mudos entre as grade…

12 720
Juan Ramón Jiménez
Juan Ramón Jiménez

Quando eu estiver com as raízes

Quando eu estiver com as raízes
chama-me com tua voz.
Irá parecer-me que entra
a tremer a luz do sol.

10 446
Fernando Pessoa
Fernando Pessoa

Segundo: O QUINTO IMPÉRIO

Triste de quem vive em casa,
Contente com o seu lar,
Sem que um sonho, no erguer de asa,
Faça até mais rubra a brasa
Da lareira a abandonar!

Trist…

19 749
Jorge de Sena
Jorge de Sena

O corpo não espera

O corpo não espera. Não. Por nós
ou pelo amor. Este pousar de mãos,
tão reticente e que interroga a sós
a tépida secura acetinada,
a que palpita por adivinha…

15 445
Mário de Sá-Carneiro
Mário de Sá-Carneiro

Sete Canções de Declínio

1
Um vago tom de opala debelou
Prolixos funerais de luto de Astro
E pelo espaço, a Oiro se enfolou
O estandarte real livre, sem mastro.

Fantástica…

14 912
José Amaro Dionísio
José Amaro Dionísio

Nos bares do ocidente

Nos bares do ocidente à hora de fechar todos os bêbados se abraçam, e contam a vida desde pequeninos.

9 351
Eugénio de Andrade
Eugénio de Andrade

À breve, azul cantilena

À breve, azul cantilena
dos teus olhos quando anoitecem.

13 374
Eduardo Carranza
Eduardo Carranza

Só o fogo e o mar podem olhar-se

Só o fogo e o mar podem olhar-se
sem fim. Nem sequer o céu com suas nuvens.
Só o teu rosto, só o mar e o fogo.
As chamas, e as ondas, e os teus olhos.

10 330
Bertolt Brecht
Bertolt Brecht

Dificuldade de governar

1

Todos os dias os ministros dizem ao povo
Como é difícil governar. Sem os ministros
O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem u…

14 356
Eugénio de Andrade
Eugénio de Andrade

A raiz do linho

A raiz do linho
foi meu alimento,
foi o meu tormento.

Mas então cantava.

12 568
José Gomes Ferreira
José Gomes Ferreira

Agora, apodrecer

Agora, apodrecer.
Nas ruas, no suor das mãos amigas dos amigos, na pele dos espelhos...
desespero sorrido, carne de sonho público, montras enfeitadas de olhos...

12 857
António Jacinto
António Jacinto

Carta dum contratado

Eu queria escrever-te uma carta
Amor,
Uma carta que dissesse
Deste anseio
De te ver
Deste receio
De te perder
Deste mais que bem querer…

13 177
Juan Ramón Jiménez
Juan Ramón Jiménez

Está tão puro já meu coração

Está tão puro já meu coração,
que é o mesmo que morra
ou cante.

10 167
João Miguel Fernandes Jorge
João Miguel Fernandes Jorge

A vila

A vila
o canto longínquo do tempo
deixa-me para sempre. É pouco.
nas dunas crescem as flores novas.

9 023
Bertolt Brecht
Bertolt Brecht

O Vosso tanque General, é um carro forte

Derruba uma floresta esmaga cem
Homens,
Mas tem um defeito
- Precisa de um motorista

O vosso bombardeiro, general
É poderoso:
Voa mais depre…

14 157
Gustavo Adolfo Bécquer
Gustavo Adolfo Bécquer

Deus meu, tão sozinhos

Deus meu, tão sozinhos
que ficam os mortos!

10 376
Juan Ramón Jiménez
Juan Ramón Jiménez

A rosa

A rosa:
tua nudez feita graça.
A fonte:
tua nudez feita água.

A estrela:
tua nudez feita alma.

11 076
Gustavo Adolfo Bécquer
Gustavo Adolfo Bécquer

Sobre o regaço

Sobre o regaço tinha
o livro bem aberto;
tocavam em meu rosto
seus caracóis negros.
Não víamos as letras
nem um nem outro, creio;
mas guardávamos a…

9 975
Juan Ramón Jiménez
Juan Ramón Jiménez

A solidão era eterna

A solidão era eterna
e o silêncio inacabável.
Detive-me com uma árvore
e ouvi falar as árvores.

10 278