Poemas

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António Ramos Rosa
António Ramos Rosa

Estou vivo e escrevo sol

ao Ruy Belo

Escrevo versos ao meio-dia
e a morte ao sol é uma cabeleira
que passa em fios frescos sobre a minha cara de vivo
Estou vivo e escrevo sol

10 588
Fernando Pessoa
Fernando Pessoa

Segundo: O QUINTO IMPÉRIO

Triste de quem vive em casa,
Contente com o seu lar,
Sem que um sonho, no erguer de asa,
Faça até mais rubra a brasa
Da lareira a abandonar!
<…

19 686
Casimiro de Brito
Casimiro de Brito

Um pouco mais

Esta manhã não lavei os olhos -
pensei em ti.

Se o teu ouvido se fechou à minha boca
poderei escrever ainda poemas de amor?
A arte de amar nã…

6 942
Jorge de Sena
Jorge de Sena

O corpo não espera

O corpo não espera. Não. Por nós
ou pelo amor. Este pousar de mãos,
tão reticente e que interroga a sós
a tépida secura acetinada,
a que palpita por …

15 406
João Miguel Fernandes Jorge
João Miguel Fernandes Jorge

Vivemos sobre a terra

Vivemos sobre a terra. Apresento-te
a nossa casa, os nomes que damos ás coisas,
as honras que nos são destinadas,
este corpo de sangue e nervos.
Sob…

9 709
Fernando Namora
Fernando Namora

Terra

Onde ficava o mundo?
Só pinhais, matos, charnecas e milho
para a fome dos olhos.
Para lá da serra, o azul de outra serra e outra serra ainda.
E o mar…

10 383
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Inscrição

Quando eu morrer voltarei para buscar
Os instantes que não vivi junto do mar

18 679
Juan Gelman
Juan Gelman

Madrugada

Sucos do céu molham a madrugada da cidade violenta.
Ela respira por nós.

Somos os que acendemos o amor para que dure,
para que sobreviva a toda a so…

6 836
Gustavo Adolfo Bécquer
Gustavo Adolfo Bécquer

Sobre o regaço

Sobre o regaço tinha
o livro bem aberto;
tocavam em meu rosto
seus caracóis negros.
Não víamos as letras
nem um nem outro, creio;
mas g…

9 954
Juan Ramón Jiménez
Juan Ramón Jiménez

Quando eu estiver com as raízes

Quando eu estiver com as raízes
chama-me com tua voz.
Irá parecer-me que entra
a tremer a luz do sol.

10 416
Gustavo Adolfo Bécquer
Gustavo Adolfo Bécquer

Deus meu, tão sozinhos

Deus meu, tão sozinhos
que ficam os mortos!

10 342
António Ramos Rosa
António Ramos Rosa

Para um amigo tenho sempre um relógio

a João Rui de Sousa

Para um amigo tenho sempre um relógio
esquecido em qualquer fundo de algibeira.
Mas esse relógio não marca o tempo inútil.
São rest…

8 270
Juan Ramón Jiménez
Juan Ramón Jiménez

A rosa

A rosa:
tua nudez feita graça.
A fonte:
tua nudez feita água.

A estrela:
tua nudez feita alma.

11 046
Juan Ramón Jiménez
Juan Ramón Jiménez

Que acontece a uma música

Que acontece a uma música,
quando deixa de soar;
e a uma brisa que deixa
de voar,
e a uma luz que se apaga?
Morte, diz: que és tu, senão silê…

9 515
António Ramos Rosa
António Ramos Rosa

Teu Corpo Principia

Dou-te um nome de água
para que cresças no silêncio.

Invento a alegria
da terra que habito
porque nela moro.

Invento do meu nada
esta p…

7 864
António Jacinto
António Jacinto

Carta dum contratado

Eu queria escrever-te uma carta
Amor,
Uma carta que dissesse
Deste anseio
De te ver
Deste receio
De te perder
Deste mais que bem querer…

13 083
Juan Ramón Jiménez
Juan Ramón Jiménez

Está tão puro já meu coração

Está tão puro já meu coração,
que é o mesmo que morra
ou cante.

10 140
Luís de Camões
Luís de Camões

Busque Amor novas artes

Busque Amor novas artes, novo engenho,
para matar-me, e novas esquivanças;
que não pode tirar-me as esperanças,
que mal me tirará o que eu não tenho.

O…

15 723
Eugénio de Andrade
Eugénio de Andrade

É na escura folhagem do sono

É na escura folhagem do sono
que brilha
a pele molhada,
a difícil floração da língua.

13 947
Eugénio de Andrade
Eugénio de Andrade

À breve, azul cantilena

À breve, azul cantilena
dos teus olhos quando anoitecem.

13 337
Herberto Helder
Herberto Helder

4A

Mulheres geniais pelo excesso da seda, mães
do ouro
vagaroso.
Sopram a lua pela boca dos púcaros.
A força de labareda, as porcelanas 
apuram-se, altas,
no…

14 792
Casimiro de Brito
Casimiro de Brito

Intensidades 1

Cuidado. O amor
é um pequeno animal
desprevenido, uma teia
que se desfia
pouco a pouco. Guardo
silêncio
para que possam ouvi-lo

6 510
Fernando Pessoa
Fernando Pessoa

433

Passei entre eles estrangeiro porém nenhum viu que eu o era. Vivi entre eles espião, e ninguém, nem eu, suspeitou que eu o fosse. Todos me tinham por parente: nenhum sabia que m…

10 214
Raquel Nobre Guerra
Raquel Nobre Guerra

Pura

esta gente que colhe água para derramá-la
compassivamente sobre a chaga
esta virtuosa carraça da solidão pública
com redentor cigarro público também
esta sol…

3 222