Poemas

Lista de Poemas

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Raquel Nobre Guerra
Raquel Nobre Guerra

Sorrio aos mortos

Sorrio aos mortos e enterro os vivos
como um objecto escuro
por que rodaram mãos e jeitos de luz.

Vivo como se não estivesse aqui
roupa leve como na v…

1 812
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Ingrina

O grito da cigarra ergue a tarde a seu cimo e o perfume do orégão invade a felicidade. Perdi a minha memória da morte da lacuna da perca do desastre. A omnipotência do sol rege …

4 048
Manuel António Pina
Manuel António Pina

Nos 74 anos do Manuel

Actualmente encaixotados em casa de familiares, os papéis deixados pelo poeta, ficcionista, cronista e dramaturgo Manuel António Pina (1943-2012), prémio Camões em 2011, vão ser…

1 274
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

A Luz Oblíqua

A luz oblíqua da tarde
Morre e arde
Nas vidraças.

Nas coisas nascem fundas taças
Para a receber,
E ali eu vou beber.

A um canto cismo

3 272
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Carta Aos Amigos Mortos

Eis que morrestes — agora já não bate
O vosso coração cujo bater
Dava ritmo e esperança ao meu viver
Agora estais perdidos para mim
— O olhar não atravessa e…

3 553
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Sacode As Nuvens Que Te Poisam Nos Cabelos

Sacode as aves que te levam o olhar,
Sacode os sonhos mais pesados do que as pedras.

Porque eu cheguei e é tempo de me veres,
Mesmo que os meus gestos te tr…

3 065
Ruy Belo
Ruy Belo

Esta rua é alegre

Esta rua é alegre. Não é alegre uma rua anónima
mas a rua de são bento em vila do conde
vista por mim certa manhã após a chuva
e o nevoeiro a dissipar-se já junto…

2 713
José Tolentino Mendonça
José Tolentino Mendonça

A Ciência do Amor

O amor é um acordo que nos escapa
premissas traficadas sem certeza noite fora
em casas devolutas, em temporais, em corpos que não o nosso
aluviões para tentar de …

2 474
Nuno Júdice
Nuno Júdice

Para escrever o poema

O poeta quer escrever sobre um pássaro:
e o pássaro foge-lhe do verso.

O poeta quer escrever sobre a maçã:
e a maçã cai-lhe do ramo onde a pousou.

4 645
Manuel António Pina
Manuel António Pina

Teoria das cordas

Não era isso que eu queria dizer,
queria dizer que na alma
(tu é que falaste na alma),
no fundo da alma, e no fundo
da ideia de alma, há talvez
alguma v…

3 620
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

As Casas

Há sempre um deus fantástico nas casas
Em que eu vivo, e em volta dos meus passos
Eu sinto os grandes anjos cujas asas
Contêm todo o vento dos espaços.

3 725
Nuno Júdice
Nuno Júdice

Poema de amor

O céu, as linhas de luz na água,
caminhos diferentes para o coração.
A queda de sons diversos na atenta coincidência
dos ouvidos. A relação de uma límpida tard…

2 079
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Catilina

Eu sou o solitário e nunca minto.
Rasguei toda a vaidade tira a tira
E caminho sem medo e sem mentira
À luz crepuscular do meu instinto.

De tudo deslig…

2 542
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Eis-Me

Eis-me
Tendo-me despido de todos os meus mantos
Tendo-me separado de adivinhos mágicos e deuses
Para ficar sozinha ante o silêncio
Ante o silêncio e o esplen…

3 111
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Eu Chamei-Te Para Ser a Torre

Eu chamei-te para ser a torre
Que viste um dia branca ao pé do mar.
Chamei-te para me perder nos teus caminhos.
Chamei-te para sonhar o que sonhaste.
Chamei…

2 316
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

As Fontes

Um dia quebrarei todas as pontes
Que ligam o meu ser, vivo e total,
À agitação do mundo do irreal,
E calma subirei até às fontes.

Irei até às fontes on…

8 404
Nuno Júdice
Nuno Júdice

Poema (arredores)

A brancura dos ossos, em contraste com a terra argilosa, com a erva, com a parede arruinada, faz-me lembrar leite, papel, cal, e também as tuas mãos - frias. Bebo o seu…

3 621
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Espera-Me

Nas praias que são o rosto branco das amadas mortas
Deixarei que o teu nome se perca repetido

Mas espera-me:
Pois por mais longos que sejam os caminhos

3 915
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Sinto Os Mortos No Frio Das Violetas

Sinto os mortos no frio das violetas
E nesse grande vago que há na lua.

A terra fatalmente é um fantasma,
Ela que toda a morte em si embala.

Sei…

3 478
Al Berto
Al Berto

chegaram as máquinas

chegaram as máquinas para talhar a cidade que vem
das águas cresce a obra do homem, ouve-se um lento grito d'espuma e
suor
na memória ficaram os sinais dos bosqu…

2 314
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

O Efebo

Claro e esguiamente medido como a amphora
Como a amphora
Ele contém um vinho intenso e resinado
A lucidez da sua forma oculta a embriaguez
A sua claridade co…

2 728
Manuel António Pina
Manuel António Pina

Manuel António Pina: a solidão e o silêncio

Preciso muito de solidão. Se calhar toda a gente precisa mesmo sem saber.

A solidão é uma forma de silêncio e de intimidade.
Há um espaço enorme, uma imensidão, …

2 329
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Jardim do Mar

Vi um jardim que se desenrolava
Ao longo de uma encosta suspenso
Milagrosamente sobre o mar
Que do largo contra ele cavalgava
Desconhecido e imenso.

3 728
Nuno Júdice
Nuno Júdice

Quem és tu?

Quem és tu, bárbara, que moras
num poema que se estuda nas escolas
e se lê em recitais,
tu que te limitaste a ser amada
por um poeta que, se calhar, mais…

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