Lista de Poemas
Explore os poemas da nossa coleção
O morcego
Meia-noite. Ao meu quarto me recolho.
Meu Deus! E este morcego! E, agora, vede;
Na bruta ardência orgânica da sede,
Morde-me a goela ígneo e esc…
Irmandade
Sou homem: duro pouco
e é enorme a noite.
Porém olho para cima:
as estrelas escrevem.
Sem entender compreendo:
também sou escritura
e n…
Versos a um cão
Que força pôde, adstrita a embriões informes,
Tua garganta estúpida arrancar
Do segredo da célula ovular
Para latir nas solidões enormes?!
…
Das Alegorias
Muitos se queixam de que as palavras dos sábios sejam sempre alegorias, porém inaplicáveis na vida diária, e isto é o único que possuímos. Quando o sábio diz: "Anda para…
Todos os dias te descubro
Segundo um poema de Fernando Pessoa
Todos os dias descubro
A espantosa realidade das coisas:
Cada coisa é o que é.
Que difícil é dizer isto e…
Amor, então,
Amor, então,
também acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
q…
Nós
Nós somos a forma bonita, completa, de se cantar
Nós somos a voz e a palavra que nunca vão acabar
Cantando e amando vivendo
Com toda a vontade que é poss…
Tática e estratégia
Minha tática é
olhar-te
aprender como tu és
querer-te como tu és
minha tática é
falar-te
e escutar-te
construir com pala…
A ESTRELA CHOROU ROSA
A estrela chorou rosa ao céu de tua orelha.
O infinito rolou branco, da nuca aos rins.
O mar perolou ruivo em tua teta vermelha.
E o Homem sangr…
BRINDE FÚNEBRE
Ó tu, fatal emblema de nossa alegria!
Saudação à demência e libação sombria,
Não creias que a fé mágica no corredor
Ergo a taça vazi…
NUN’ÁLVARES PEREIRA
Que auréola te cerca?
É a espada que, volteando.
Faz que o ar alto perca
Seu azul negro e brando.
Mas que espada é que, e…
Charco
Se chover na madrugada em que eu procuro o meu caminho
Será vaga a nostalgia que outro charco faz viver
A canção lânguida e lenta de quem vai devagarinho
…
Velho
Parado e atento à raiva do silêncio
De um relógio partido e gasto pelo tempo
Estava um velho sentado no banco de um jardim
A recordar fragmentos do passa…
O TÚMULO DE EDGAR POE
(Tradução de Jorge de Sena)
Tal que em Si-mesmo enfim a Eternidade o apura
O Poeta suscita com seu gládio erguido
Seu século aterrad…
Fosse
Seria
pior
não
mais nem menos
indiferentemente mas tanto quanto
III. PADRÃO
O esforço é grande e o homem é pequeno.
Eu, Diogo Cão, navegador, deixei
Este padrão ao pé do areal moreno
E para diante naveguei.
…
A oração da mestra
Senhor! Tu que ensinaste, perdoa que eu ensine; que leve o
nome de mestra, que Tu levaste pela Terra.
Dá-me o amor único de minha escola; que nem a queimad…
O nome da pátria
Minha pátria é altíssima.
Não posso escrever uma letra sem ouvir
o vento que vem de seu nome.
Sua forma irregular a faz mais bela
porque dão desejos …
Ter razão às quintas-feiras
Se vossas excelências não se importam
excelentíssimas entidades superiores
eu hoje
que é quinta-feira
gostava de ter razão.
Sei perfeitamente …
Gaiola de Vidro
Como paredes
através das quais
o mundo vemos pelo ser dos outros
quem vamos conhecendo nos rodeia
multiplicando as faces da gaiola
de que se t…
Afrodite Formosa
Esses peitos pequenos, cheios.
Esse ventre, o seu redondo espraiado!
O vinco da cinta, o gracioso umbigo, o escorrido
das ancas, o púbis discreto ligeiramen…
Elegia dum incoerente
Tua Presença
É o todo-inteiro,
Real, verdadeiro,
De que a beleza
É um fragmento;
Tua Presença
Lembra um Mosteiro,
É como um clau…
Poesia I
Corroendo
As grandes escadas
Da minha alma.
Água. Como te chamas?
Tempo.
Vivida antes
Revestida de laca
Minha alma tosca…
Teu corpo-meu espaço
Teu corpo é raiz
rasgando a terra nua
do meu sexo
Teu corpo é vertical
onde os meus dedos tocam as distâncias
Teu corpo é diál…