Poemas

Lista de Poemas

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Herberto Helder
Herberto Helder

Teoria Sentada - I

Um lento prazer esgota a minha voz. Quem
canta empobrece nas frementes cidades
revividas. Empobrece com a alegria
por onde se conduz, e então é doce
e mortal…

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Herberto Helder
Herberto Helder

Poemas Arabico-Andaluzes - a Lua

A lua é um espelho empanado pelo hálito das raparigas.

E a noite veste-se com o seu brilho como a negra tinta se veste com o
papel branco.

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Herberto Helder
Herberto Helder

Poesia Mexicana do Ciclo Nauatle - Nascemos Para o Sono

Nascemos para o sono,
nascemos para o sonho.
Não foi para viver que viemos sobre a terra.
Breve apenas seremos erva que reverdece:
verdes os corações e as pé…

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Herberto Helder
Herberto Helder

Poemas Arabico-Andaluzes - Cavalo Alazão

Era um cavalo alazão, e à sua volta a batalha acendia-se como um tição de
coragem.

As crinas eram cor da flor da romãzeira e as orelhas tinham a forma das
…

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Herberto Helder
Herberto Helder

Poemas Arabico-Andaluzes - a Leitura

Meus olhos resgatam o que está preso na página: o branco do branco e o
preto do preto.

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Herberto Helder
Herberto Helder

Quatro Poemas Árabes - Tudo o Oue É Novo É Belo

De tudo O que é novo nasce um novo prazer,
mas eu sei que não é boa a jovem morte.

Ela fere pelas costas, e não é doce como o açúcar,
nem é como o vinho, …

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Herberto Helder
Herberto Helder

Poemas Arabico-Andaluzes - Cena de Amor

Enquanto a noite arrastava a cauda negra, dei a beber à minha amada vinho
sombrio como pó de almíscar.

E estreitei-a contra mim como um guerreiro estreita a espa…

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Herberto Helder
Herberto Helder

Poemas do Antigo Egipto - Fragmento do Cairo

Quando eu a cinjo e ela me abre os braços,
sou como um homem que regressa da Arábia,
impregnado de perfumes.

Desço o rio numa barca,
ao ritmo dos rem…

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Herberto Helder
Herberto Helder

Poemas Arabico-Andaluzes - Visita da Mulher Amada

Vieste um pouco antes de soarem os sinos cristãos, quando o crescente
lunar se abria no céu.

como a branca sobrancelha de um velho ou a curva delicada de um pé.…

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Herberto Helder
Herberto Helder

Teoria Sentada - Ii

Alguém parte uma laranja em silêncio, à entrada
de noites fabulosas.
Mergulha os polegares até onde a laranja
pensa velozmente, e se desenvolve, e aniquila, e de…

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Herberto Helder
Herberto Helder

Poemas Arabico-Andaluzes - o Nadador Negro

Nadava um negro num lago, através de cujas límpidas águas se viam as
pedras do fundo.

Tinha o lago a forma de uma íris azul de que o negro era a pupila.

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Herberto Helder
Herberto Helder

Poemas Arabico-Andaluzes - a Noz

É uma envoltura formada por duas peças maravilhosamente unidas: pálpebras
que o sono fecha.

Quando as separa uma faca, surge uma pupila que o esforço de olhar to…

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Herberto Helder
Herberto Helder

Poemas Arabico-Andaluzes - a Beringela

É um fruto de forma esférica, gosto vivo, alimentado nos jardins peia
abundância das águas.

Cingida pela capa do pecíolo, é um coração encarnado de cordeiro nas…

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Herberto Helder
Herberto Helder

Canção Escocesa

«Porque escorre o sangue pela tua espada,
Eduardo, Eduardo?
Porque escorre o sangue pela tua espada,
e porque estás tão triste, oh?»
«Oh, porque matei o meu…

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Herberto Helder
Herberto Helder

O Mistério de Ameigen

(Irlanda)
Eu sou o vento que sopra à flor do mar,
sou vaga do mar,
o bramido do mar.
Sou o boi das sete lutas,
ave de rapina sobrevoando as falésias,

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Herberto Helder
Herberto Helder

Cântico Dos Cânticos - Quarto Poema

Eu durmo, mas o meu coração vela.
Ouço baterem à porta.

— Abre, minha irmã, minha amada,
minha pomba, minha eleita.
Que a minha cabeça está coberta de…

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Herberto Helder
Herberto Helder

Poemas Indochineses - Cantos Alternados

Uma Rapariga

Sou como uma peça de seda cor-de-rosa,
ondulando no mercado.
Não sei em que mãos irei cair.

Meu corpo é como um poço aberto no meio …

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Herberto Helder
Herberto Helder

Canções de Camponeses do Japão - Lírio

O corpo deitado do meu amante,
vi-o eu esta manhã:
na planície do quinto mês,
um lírio aberto!

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Herberto Helder
Herberto Helder

Poemas do Velho Testamento - Saltério

SALMOS 137, 88, 22, 42, 57, 69 e 139
(Segundo montagem de Jean Grosjean)

Sôbolos rios que vão por Babilónia, sentados
chorámos as lembranças de Sião,

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Herberto Helder
Herberto Helder

Poemas Arabico-Andaluzes - Bolhas

Troca-me a prata peio oiro do vinho — digo eu ao copeiro. — Dá-me vinho
novo.

Vinho para a minha dor. E logo ao cimo sobrenadam, como espuma, as
bolhas:

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Herberto Helder
Herberto Helder

Poemas Arabico-Andaluzes - Rio Azul

Murmuro, um rio de pérolas corre transparentemente.

Grandes árvores o cobrem de sombra ao meio-dia, e a flor das águas é cor
de ferrugem.

Guerreiro c…

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Herberto Helder
Herberto Helder

Canções de Camponeses do Japão - As Três Claridades

A Lua a leste,
a oeste as Pléiades,
o meu amado
ao meio.

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Herberto Helder
Herberto Helder

Teoria Sentada - Vi

É a colina na colina, colina
das colinas frias.
Colina devagar por ela acima, brotando
sobre a raiz da colina. Oh fria raiz deitada
na pedra sinistra fria d…

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Herberto Helder
Herberto Helder

Quatro Poemas Árabes - Ornatos

O vinho cor-de-rosa é bom, ó companheiros.
Sim, eu voltei, e melhor do que o vinho é o regresso.

Dai-me esse vinho antigo no seu vestido de vidro,
jacinto …

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