Poemas

Lista de Poemas

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Alexandre Guarnieri
Alexandre Guarnieri

rotinas (repartição)

os rituais estoicos do escritório, entre móveis
sólidos, ásperos e numerosos módulos, e os
funcionários, do rh ou contas a pagar, "boa
tarde", "volte sempre", as …

772
Paulo Henriques Britto
Paulo Henriques Britto

V

Dentro da noite que construo aos poucos
para meu próprio uso, tudo é sombra
em que repouse a vista, salvo a lua
eventual, que me ilumine o espaço
que falta e…

727
Cida Pedrosa
Cida Pedrosa

ladainha para alberto da cunha melo

para a alma do poeta que se foi
eu rogo ao poema que componha o silêncio

para a alma do sertanejo que se foi
eu rogo ao poema que se empalhe em chuva
<…

987
Marco Lucchesi
Marco Lucchesi

Santa Cruz

Constança foi ao céu me visitar
           seu vestido era verde
como as pedras
            de Itacoatiara
trazia nos olhos
             um canarinho

843
Paulo Henriques Britto
Paulo Henriques Britto

III

Há algum tempo coleciono cadáveres.
Minhas gavetas não têm mais lugar.

Eu curto o prazer meio besta
dos numismatas e taxidermistas.
Meus mortos gozam a…

534
Paulo Henriques Britto
Paulo Henriques Britto

X

Dentro da noite por fim construída
há tempo para tudo, e muito espaço.
Longas janelas. Cortinas corridas.
Nos armários vazios, grandes chumaços

de algo…

767
Cida Pedrosa
Cida Pedrosa

sombreiro

sombreiro braseiro sombreiro braseiro sombreiro
eiro eiro eiro eito eito eito sombreiro braseiro
sombreiro sombrabrasil sombrabobrasil
sombrabobrasilis brasilis b…

700
Paulo Henriques Britto
Paulo Henriques Britto

MEMENTO MORI II

Luz frágil que brota no breu
e num rápido relance dá forma
e cor e corpo às coisas todas,

luz que se apega o pouco que pode
às aparências, acredita pia…

865
Paulo Henriques Britto
Paulo Henriques Britto

No trivial do sanduíche

No trivial do sanduíche a morte aguarda.
Na esquiva escuridão da geladeira
dorme a sono solto, imersa em mostarda.

A hora é lerda. A casa sonha. A noite int…

723
Paulo Henriques Britto
Paulo Henriques Britto

nenhum mistério - X

Dentro da noite por fim construída
há tempo para tudo, e muito espaço.
Longas janelas. Cortinas corridas.
Nos armários vazios, grandes chumaços

de algo…

752
Cida Pedrosa
Cida Pedrosa

UM CERTO SOL SOBRE SÃO PAULO

para maria josé oiticica


o sol se põe em são paulo

a brisa rasteira
rasteja meus pés
que se põem entre o azul
e o mostarda do sofá da …

833
Horácio Costa
Horácio Costa

Aniversários

Vinte Anos Depois é um romance de Alexandre Dumas
duas décadas não são nada
é a média de vida do homem primitivo  do escravo romano
é a idade de um cão muito muit…

722
Horácio Costa
Horácio Costa

A rã

Sim, naquele volet gauche
Da visão terrível do El Bosco
Lá nas Janelas Verdes,
Bem sobre o Mar da Palha
Sim, em Lisboa,
Ulissipona, Lixbona,
Lá viv…

818
Horácio Costa
Horácio Costa

O Retrato de D. Luís de Gôngora

cara de vampiro, nariz boxeado pela vida,
stiffness, teu legendário orgulho desmesurado,
sem ironia ou sorriso a boca nos cantos desce,
não vejo tuas mãos, estarã…

796
Marco Lucchesi
Marco Lucchesi

Ubi es, Vita

O sono de Leopardi
o verbo de Clarice
e a sombra de Cioran

Vida vida
eis o botim
dos que reclamam vida

760
Marco Lucchesi
Marco Lucchesi

Autopoema

Marco lucchesi
é o nome
de uma nuvem

árdua pluriforme
ligeira
e imperscrutável

que se desmancha
na medida
em que se mostra

887
Cida Pedrosa
Cida Pedrosa

o sol anestesia

o sol anestesia a dor e de dor é feito
como deve ser feito de dor o frio do outro campo

712
Horácio Costa
Horácio Costa

Três laranjas

vida maior que eu próprio
anárquico proliferante alfabeto
que se detém como um gato rebelde
sobre a face sem fim desta laranja
sobre a mesa da sala pousada

734
Horácio Costa
Horácio Costa

DULCÍMERO E FORMAÇÃO BRASILEIRA

Para João Silvério Trevisan

pense em congregar pessoas
para estudar um tópico
que a elas interesse:

o dulcímero

e peça à universidade<…

607
Cida Pedrosa
Cida Pedrosa

CÉU DE CONFEITEIRO

uma fatia de céu
é dada
nesta noite de maio

quinhão que cabe ao homem
que da janela espera

a urbe apita
e o calor
se faz bruma e p…

679
Marco Lucchesi
Marco Lucchesi

Orquídeas

Orquídeas
        resplandecem
                  no quintal

a geometria
  de fogo
            de suas pétalas

e a forma
   do silê…

788
Domingos Pellegrini
Domingos Pellegrini

Manhã

Os galos disputando a alvorada
o retorno dos pés para as sandálias
o espelho que me olha e sempre cala
a pia minha mais gentil criada

Fogão com seu mil…

679
Cida Pedrosa
Cida Pedrosa

O ORIENTE DA CIDADE

entre pombos e putas construí poemas

a cidade era lúcida
a radiola de fichas juntava nossas coxas
os retalhos eram enfeites de salão

entre pombos…

807
Paulo Henriques Britto
Paulo Henriques Britto

CINCO SONETETOS GROTESCOS V

É a mais nova versão do real.
Não tão bela quanto a anterior,
que no último verão fez furor
e não deixou vestígio. É natural.

Esta de agora, tímida e a…

790