Poemas

Lista de Poemas

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Salgado Maranhão
Salgado Maranhão

Do Raio

Nem o acre sabor das uvas
nos aplaca. Nem a chuva

nos olhos incendidos
devolve o que é vivido.

O magma que nos evapora
tange o rascunho das …

798
Everardo Norões
Everardo Norões

a música

Para Isaac Duarte

Sem pedir licença,
insinua-se pelos cômodos,
invade os espelhos,
derrama suas jarras de luz.
Vejo-a
pelos canteiros da casa…

751
João Filho
João Filho

Quase Gregas - Quarta

Nossos pequenos tesouros terrenos,
raiz sem razão,
inomináveis alguns,
na penumbra do quarto,
agradecem pelo respiro do instante,
por esse repouso em co…

673
João Filho
João Filho

Quase Gregas - Sexta

Altos extremos convivem nesta hora sem trégua:
este chamemos Sol-Fúria.
Seu antípoda é chamado de Ave-Doçura.
Vão juntos, cindidos.
Aquele – carnífice,
…

680
Everardo Norões
Everardo Norões

SONETO I

Agonizavam os rastros de novembro.
E os meus ossos, cansados das neblinas,
doíam, no concerto das esquinas
da cidade, onde um dia, ainda me lembro,

pen…

755
José Anastácio da Cunha
José Anastácio da Cunha

Os Porquês do Amor

Céu, porque tão convulso  e consternado
Me bate, ao Vê-la, o coração no peito?
Porque pasma entre os beiços congelado,
Indo a falar-lhe, o tímido conceito?
<…

692
João Filho
João Filho

TRÊS VEZES LÁZARO

Levou três tiros em
noites distintas;
morreu três vezes
a mesma morte.

Quem o matava?
Talvez o próprio,
talvez a voz
de origem vaga,

488
Manuel Laranjeira
Manuel Laranjeira

PALAVRAS DUM FAN'TASMA

Aquela doce e mística suicida
que me visita pela noite morta,
vim agora encontrá-la à minha porta
esperando por mim, toda transida...

Prendeu-me nos se…

714
Ademir Assunção
Ademir Assunção

A Canção dos Peixes

submersos
nas funduras

(de onde
alma alguma
retorna)

entre algas
rochas e restos
de naufrágios

cegos
e sem memória…

651
João Filho
João Filho

Quase Gregas - Primeira

Manhãs invadem manhãs.
Metal-flux do trânsito,
nimbos,
urubus no semáforo, arúspices,
lumes de asfalto,
dizem os cartazes.
Diriges. Na Oceânica, Cr…

681
Everardo Norões
Everardo Norões

OS ENCOURADOS

A tarde chega.
A luz se dispersa:
quem anunciará a morte,
soltará o chicote,
abrirá a fresta?

Quem domará o espaço
entre o gume e a alma,

631
Ademir Assunção
Ademir Assunção

MICOSE NA PELE DO TEMPO

(segundo monólogo interior de Lili Maconha)

 

Há tempos o faquir polia as pontas dos pregos
com areia do Mojave.

Há tempos e dimensões perd…

1 209
João Filho
João Filho

A VENDA POR DENTRO

Serengas, peixeiras,
vianas e naifas,
facões, lambedeiras
– as lâminas várias;

pregos, parafusos,
quinas, estreitezas
– o roxo mais puro,

562
João Filho
João Filho

Quase Gregas - Oitava

Sigo a senhora mestiça,
(ou melhor, seu perfume barato),
pelas calçadas da Rua Recife,
na aberta manhã de agosto.
Sigo esse rastro de infância cavado no ar,<…

643
Everardo Norões
Everardo Norões

TRISTÃO

Em pé, ao sol e ao vento do sertão,
             ele não se decompôs.
                         Pedro Nava (Baú de Ossos)

As palavras no alforje. E o rosário…

680
Salgado Maranhão
Salgado Maranhão

Do Arbítrio

Das estrias que a mão
esculpe
só o que brilha
sobrevive.

Nômade a manhã
despe o sol
à flor
da carne,
múltipla,
à vertigem da l…

777
Grazia Deledda
Grazia Deledda

A Primavera

O inverno arrefeceu também
a cor das rochas. Da montanha desciam
veias de prata, mil riachos silenciosos,
brilhando no verde vivo da erva.
Um sobressalto de …

717
Everardo Norões
Everardo Norões

fractais

Pelo mergulho
das sombras,
calculo
o itinerário da luz.
Meço
os contornos de nossas ruínas
na matemática particular
dos desesperos.
Abro …

677
Salgado Maranhão
Salgado Maranhão

Desamanhecer

Agora,
na cidade da tua ausência
outro dia
desamanhece. E súplice
um grito escorre na paisagem.
Todos os lugares
são feitos do teu antes.
Da j…

908
Airas Peres Vuitorom
Airas Peres Vuitorom

Dom Estevão

Dom Estevão diz que desamor
tem com el-rei, e eu sei porque mente,
é porque nunca teve prazer, enquanto esteve aqui
o Conde, nem terá, enquanto ele aí estiver,

614
Manuel Laranjeira
Manuel Laranjeira

CARTA A NINGUÉM

Não tornes a queixar-te! Se morreu
aquele grande amor e malfadado,
porque o mataste, filha? Ai! o culpado
bem vês que não fui eu...

Julguei-te abandona…

748
Manuel Laranjeira
Manuel Laranjeira

A TRISTEZA DE VIVER

Ânsia de amar! Oh ânsia de viver!
um’hora só que seja, mas vivida
e satisfeita… e pode-se morrer,
- porque se morre abençoando a vida!

Mas ess’hora sup…

812
Everardo Norões
Everardo Norões

Corpo

Teu corpo
se enxuga em minha água:
calafeta,
enxágua.
Completa
o que não vem de mim.
E por ser água e calma,
sonâmbula
como a
distra…

644
João Filho
João Filho

Quase Gregas - Sétima

O soco explode
e arrebenta o nariz do Primeiro,
que cai
não cai,
tonteia aos tropeços
e, em fúria,
num giro,
arremete!,
– bloco compacto …

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