Poemas

Lista de Poemas

Explore os poemas da nossa coleção

Manuel de Freitas
Manuel de Freitas

5 412971 117161

Tem cara de perder. Esta semana
voltou a não levar preservativos
e nunca mais comprou comida para o cão.
Se calhar divorciaram-se, e sicou ela
com o bicho. S…

1 025
Eucanaã Ferraz
Eucanaã Ferraz

FOI-SE A VONTADE DE IR AO EGITO

Todos foram unânimes: precisava parar de fumar.
Foi o que fez.

Com isso parou também de amar o próximo
como a si mesmo e passou a duvidar
de que um dia…

697
Manuel de Freitas
Manuel de Freitas

BENILDE AO BALCÃO I

Valerá a pena uma voz vária?
Benilde está ao balcão, repara nas moscas
pulando ao acaso num canto desvanecido,
e os homens - mudos e sonolentos -
dão à taber…

1 156
Carlito Azevedo
Carlito Azevedo

SOB O DUPLO INCÊNDIO

Sob o duplo incêndio
da lua e do neon,

sobre um parapeito de
mármore, entre duas cortinas

jogadas pela brisa marinha
que ao mesmo tempo às s…

729
Manuel de Freitas
Manuel de Freitas

VIDALVAZ

Talvez viver seja isso,
isto precisamente.

Um ovo estrelado com pão,
uma taberna sob impiedosa trovoada
quando a cidade anoitece e se ouve
qualque…

1 043
Manuel de Freitas
Manuel de Freitas

Ode à noite (inteira)

Gosto do momento, exacto ou nem por isso,
em que se torna possível colar cartazes
nas paredes ao lado dos meus ombros (espero
o autocarro, vejo devagar, sorrio). …

1 340
Ademir Assunção
Ademir Assunção

O RUGIDO ESQUIZO DOS MOTORES

O Mendigo Kamaiurá atravessa lentamente a rua
embaixo do Minhocão.
O sinal está fechado para ele.
Buzinas esgoelam, motores rosnam,
vendedores de planos de s…

1 134
Joaquim Manuel Magalhães
Joaquim Manuel Magalhães

O balneário

O balneário,
toalha revolta.
Tensa na súplica.

Eco, fivela, gume.

1 197
Ademir Assunção
Ademir Assunção

LENDA URBANA

Sombra Vermelha perseguia lenhadores
no coração da floresta.
Mas o coração da floresta parou.
Não há mais lenhadores.
Não há mais árvores.

Sombra …

1 210
Ademir Assunção
Ademir Assunção

NOVOS GAMES NO MERCADO

A cidade suspira holocaustos na hora do rush.
Há fogueiras por toda parte, carcaças de caminhões,
memórias infectadas por vírus transnacionais.

Torcidas riv…

977
Carlito Azevedo
Carlito Azevedo

NOVA PASSANTE

1. sobre
esta pele branca
um calígrafo oriental
teria gravado sua escrita
luminosa
— sem esquecer entanto
a boca: um
ícone em rubro
torna…

740
Joaquim Manuel Magalhães
Joaquim Manuel Magalhães

Sirene

Sirene, bigorna deficiente,
o cansaço do poente tritura.
Um neutro fulminante.

O ramal do comboio.
Um acorde agita-se.
Modela uma caldeira
o …

1 270
Jaime Rocha
Jaime Rocha

13 Toda aquela assombração

Toda aquela assombração está gravada
na tinta como se pertencesse a um livro
queimado, roído pelo sol. O homem sabe
que se trata de uma morta, mas não
entend…

1 111
Manuel de Freitas
Manuel de Freitas

SUMÁRIO

Tão real que até faz pena. Tirou
a dentadura para sorver as últimas pedras
de gin no cibercafé do bairro alto.
Depois descalçou-se a foi outra vez
estrangeir…

1 119
Joaquim Manuel Magalhães
Joaquim Manuel Magalhães

Uma pá

Uma pá, a equipa de alumínio.
Cravelha e picareta.

Piquete de granizo.
Resíduo, tina, pilar.

A sanguínea aviva
o souto na aduela
de goi…

1 172
Carlito Azevedo
Carlito Azevedo

ABERTURA

Desta janela
domou-se o infinito à esquadria;
desde além, aonde a púrpura sobre a serra
assoma como fumaça desatando-se da lenha,
até aqui, nesta flor quieta…

825
Joaquim Manuel Magalhães
Joaquim Manuel Magalhães

Apenas o real

Apenas o real.

Diferendo. Árduo impacto.
Drenagem vidente.
Atípico e controverso
zarcão.

Superfície e miragem,
passaporte.

1 272
Jaime Rocha
Jaime Rocha

38 Ela diz

Ela diz, é a sua primeira fala depois de morta,

tapar-te-ei com os meus cetins como se o meu
corpo fosse um risco no céu.

O homem sabe que as palavras…

1 080
Ademir Assunção
Ademir Assunção

TURBULÊNCIA DE NERVOS

(sétimo monólogo interior de Lili Maconha)

 

Arrancaram a alma das palavras.
Esfolaram a epiderme, trituraram a carne e moeram os ossos,
até esva…

1 121
Manuel de Freitas
Manuel de Freitas

CODA

[...]
Hoje
parece mais triste, talvez por no seu íntimo
saber já que vai escrever um poema
sobre mim, mera ajudante de leitura
dos códigos fatais em qu…

1 139
Jaime Rocha
Jaime Rocha

1 A mulher caminha pelas urzes

A mulher caminha pelas urzes, no auge
do vento, já depois da morte, enovelada
pelos ramos que cortam a paisagem.
O homem está parado como uma ave
de pedra, b…

1 150
Manuel de Freitas
Manuel de Freitas

CENTRO COMERCIAL I

Agora a morte é diferente,
facilitaram-nos o desespero, a angústia
tem já ar condicionado. Em vez
dos bancos de jardim, por certo demasiado
rudes, temos enfi…

1 206
João Filho
João Filho

UMA MULHER TODA MÚSICA

Eu pretendi colhê-la num só gesto,
que fosse imaterial, também tangível,
tentei a forma livro, o sonho aberto,
estive atento ao peso do invisível.

Busq…

599
Ademir Assunção
Ademir Assunção

A Vertigem do Caos

um estranho entre estranhos, nômade
entre escombros, procuro sem
procurar, um não-lugar, o ventre
de látex de uma replicante quase
humana, as ruínas enfim ap…

679