Poemas

Lista de Poemas

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Tudo É Nu E As Estátuas Ressuscitam

Silêncio na manhã sem tempo.
Extinção das vozes que se cruzam
E se perdem na agonia como o vento.

Estátuas lisas, puras, cegas,
Estátuas de gestos impr…

1 180
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Quero

Nos teus quartos forrados de luar
Onde nenhum dos meus gestos faz barulho
Voltar.
E sentar-me um instante
Na beira da janela contra os astros
E olhando …

1 695
Martha Medeiros
Martha Medeiros

emoção, que traidora você me saiu

emoção, que traidora você me saiu
me desmente assim na frente de todos
me faz tomar atitudes ridículas
que eu sempre detestei e neguei e nem sei


…

1 117
Martha Medeiros
Martha Medeiros

eu quero em mim

eu quero em mim
uma pessoa
não muito assim
ou muito não
eu quero em mim
uma pessoa
geral
poucos muitos
mas muitas coisas
muitas vida…

1 024
Martha Medeiros
Martha Medeiros

a ninguém ofereço meu vinho branco

a ninguém ofereço meu vinho branco
não empresto minhas roupas mais caras
e são só meus os meus segredos

1 322
Martha Medeiros
Martha Medeiros

nanci num dia diana

nanci num dia diana
a ana me ama, me norma, me helena
serena, me ensinou a ver a verdade, vera
que dói menos que uma ilusão fausta


de tarde eu te…

1 112
Martha Medeiros
Martha Medeiros

não devia te contar

não devia te contar
mas se você guardar segredo
eu revelo este meu medo
de não saber amar


não devia te amar
mas se você guardar meu medo

1 087
Martha Medeiros
Martha Medeiros

eu mesma

eu mesma
não passo de uma pessoa apenas
e apenas quero ser uma pessoa sensata
mesmo com as trapaças das outras pessoas


ora,
eu mesma
me…

1 244
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Poema Perdido

Porque eu trazia rios de frescura
E claros horizontes de pureza
Mas tudo se perdeu ante a secura
De combater em vão

E as arestas finas e vivas do meu r…

1 397
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

A Ninfa

Branca.
Branca era a ninfa,
Branca e prisioneira
E impaciente.

1 363
Martha Medeiros
Martha Medeiros

estou assim tão melada de coisas

estou assim tão melada de coisas
prontas
tudo começou a pouco
e já estou tão tonta.
.
.

1 241
Martha Medeiros
Martha Medeiros

descubro meus vícios assim

descubro meus vícios assim
cheguei na cabana e pensei
sem tevê eu não fico
sem você eu não vivo

1 074
Martha Medeiros
Martha Medeiros

não tenho mais idade

não tenho mais idade
pra brincar de esconde-esconde
vem me pegar

1 332
Martha Medeiros
Martha Medeiros

tango ensaiado

tango ensaiado
boca pintada
só de danada
lasco um decote
profundo
rosa vermelha
batom maravilha
só de rasteira
lasco um pingente
na …

1 103
Martha Medeiros
Martha Medeiros

este sol não me engana

este sol não me engana
tá se pondo pra me pôr na cama

975
Martha Medeiros
Martha Medeiros

o mistério me fascina

o mistério me fascina
porque não me explica nada
não me dá satisfação
tá pouco ligando
pro meu cárcere


e eu fico imaginando uma resposta

1 184
Martha Medeiros
Martha Medeiros

eu não sou nada disso

eu não sou nada disso
que você está pensando


por isso venha com calma
que eu conheço este tipo


quem quer acertar na mosca
acaba …

1 111
Martha Medeiros
Martha Medeiros

minha cidade

minha cidade
ontem mesmo eu a vi
tem castelos, rainhas e sapos
paetês e farrapos
bares luares quintanas
tem poeta aos milhares
mulheres mundanas

1 202
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

1. a Respiração Dos Deuses É Um Silêncio Nu

A respiração dos deuses é um silêncio nu
E uma nudez mais aguda poisada sobre as coisas
2

Aqui minha alma se suspende
Como tocando a substância pressen…

1 186
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

D. António Ferreira Gomes Bispo do Porto

Na cidade do Porto há muito granito
Entre névoas sombras e cintilações
A cidade parece firme e inexpugnável
E sólida — mas habitada
Por súbitos clarões de pr…

1 049
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Mar

De novo o som o ressoar o mar
De novo o embalo do tumulto mais antigo
E a inteireza de instante primitivo

De novo o canto o murmurar o mar
Que se repet…

1 617
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Náufrago Acordando

Um homem só na areia lisa, inerte.
Tão esquecido de si, que tudo o envolve
Em halos de silêncio e nevoeiro.
Um homem de olhos fechados, procurando
Dentro de …

1 219
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Saltimbancos

Acenderam a luz dentro da casa
E as árvores tomaram vida humana.

Passado o muro, para além dos campos,
Ressoou o tambor dos saltimbancos.

Corpo d…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

O Poema E a Casa

Paramos devagar entre paredes brancas
Entre mobílias escuras e as janelas verdes
Um longo instante paramos em frente
Das mil luzes e mil estátuas do poente

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