Poemas

Lista de Poemas

Explore os poemas da nossa coleção

Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

A Cidade Dos Outros

Túnica de tortura era a cidade
Que tecida pelos outros nos vestia

Nem uma folha de tília ou de palmeira
Nos escondia

Caminhamos no chão azul das …

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Como Todo o Amor Humano

Eras impuro, falso e vil,
Mas eu ergui a perfeição do teu perfil
Na manhã d’hoje em frente do Oceano.

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

As Mortas

Tudo foi breve e apenas começado.
Era grande demais para vir inteiro
Nos dias apressados e medidos
E adormeceram mal adormecidas.

Quem as via não via q…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

No Ângulo Das Coisas Visíveis

Suspende um instante a tua face:
Os ventos em flor abriram em segredo
Trazendo peixes e medusas aos teus dedos
E o mar cortado de silêncios outonais

Er…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Aqui As Sombras Se Misturam Com As Luzes

Cavas roucas recônditas as vozes
Do interior do tempo os rostos surgem
1 Dezembro 1991

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Teu Passo Não Enraizou Nas Areias de Seda

Embora te iniciasse Ártemis
Quando atravessaste a roxa
Respiração da aurora tropical

Tomaste em tua mão o sopro
Como um fruto ou como um rosto

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Cada Manhã o Alvoroço da Luz

Me acorda: a luz atravessa a paisagem e a casa
— A dormir tinha esquecido não as coisas
Mas sua meticulosa beleza
Múltipla

No princípio Deus disse

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Elsinore

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Cheirava a mar em Elsinore
Um leve cheiro a mar misturado
Com o aroma primaveril de ervas e arvoredo
O castelo fora por várias vezes reconstruído
E um…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Lá

Lá num país de selvas e lianas
De mágicos tantans e de fantásticos
Animais venenosos que elásticos
Entram à noite pelas persianas

Onde há flores à flor…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

A Activista Cultural

O passo decidido não acerta com o cismar do palácio
O ouvido não ouve a flauta da penumbra
Nem reconhece o silêncio
O pensamento nada sabe dos labirintos do tempo…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Quem Me Roubou o Tempo Que Era Um

quem me roubou o tempo que era meu
o tempo todo inteiro que sorria
onde o meu Eu foi mais limpo e verdadeiro
e onde por si mesmo o poema se escrevia
Setembro…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

És Como a Terra-Mãe Que Nos Devora

Prendendo a nossa vida no seu peso.
De ti nos veio a morte, e trazemos
A tristeza e a sombra dos teus membros
Colada ao nosso sonho e o teu amor
Rói-nos na r…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

O Branco

Foi pelo pranto que te reconheci
Foi pelo branco da praia que te reconheci

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Navegações Descobrimento-Encobrimento

Pecados cupidez crua violência
Inaceitáveis memórias ensombrando
O puro emergir e a flor da transparência

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Ode À Maneira de Horácio

Feliz aquela que efabulou o romance
Depois de o ter vivido
A que lavrou a terra e construiu a casa
Mas fiel ao canto estridente das sereias
Amou a errância o…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Inverno

Este Inverno é longo gélido
E confuso
Na varanda só o vento passa
E o vento olha-nos de esguelha quando passa

Nenhum poema aflora
Entre as linhas …

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Inocência E Possibilidade

As imagens eram próximas
como coladas sobre os olhos
o que nos dava um rosto justo e liso;
os gestos circulavam sem choque nem ruído
as estrelas eram maduras…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Veneza

(Prólogo de uma peça de teatro)

Esta história aconteceu
Num país chamado Itália
Na cidade de Veneza
Que é sobre água construída
E noite e dia se m…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Perca

Ainda há luz e já o rumor da tarde
me separa da sombra do pinhal

como viver de novo a alegria una
de ter sido nova que falhei

só o tempo e bem ta…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

As Minhas Mãos Mantêm As Estrelas

Seguro a minha alma para que se não quebre
A melodia que vai de flor em flor,
Arranco o mar do mar e ponho-o em mim
E o bater do meu coração sustenta o ritmo das …

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

São Estes Os Dias do Novo Estio Deslumbrado

Quando depomos as grades e as barreiras
Como um vestido que foi usado contra o frio
São estes os dias em que a ferocidade depõe as suas armas

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Noite

Noite. Noite em nossa roda. Noite aberta.
E encontramos um silêncio imenso,
Um silêncio perfeito que nos esperava desde sempre.
E uma solidão que era a nossa imag…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Turistas No Museu

Parecem acabrunhados
Estarrecidos lêem na parede o número dos séculos
O seu olhar fica baço
Com as estátuas — como por engano —
Às vezes se cruzam

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

A Viagem

Dorso do mar tão quieto nesse dia.
Infinita esmeralda desdobrada.
Como um incenso os halos da maresia.
Cristais de distância.

Um navio esticado no seu …

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