Poemas

Lista de Poemas

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Alcácer do Sal

A sombra azul da palavra moira
O branco vivo da palavra sal

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Quando Morreste de Repente Arrastando Contigo Para a Morte a Minha Infância

Morreste sozinho
Entre pinhais rios e campos
Como um homem do paleolítico no rasto da caça
Morreste em agonia
Inteiro e sereno e de bem com as coisas
Ti…

970
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

A Hera

A meticulosa beleza do real
Onda após onda pétala a pétala
E através do pano branco do toldo
A sombra aérea da hera
Tecedora incessante de grinaldas
Mai…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

À La Manière De

No mundo da arte há muitos saltimbancos
Que voam sem rede e jogam
A virar o mundo de pernas para o ar
Também caminham
Pé ante pé no arame
Equilibrados n…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

A Minha Vida Está Vivida

Já minha morte prepara
Seu pó de beladona
Viajarei ainda para me despedir das imagens
Antes de despir a túnica do visível

Em vão me engano
Verdade…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

A Manhã Estática Parada

Entre o Tejo azul e a Torre branca
Que branca e barroca sobe das águas

Manhã acesa de silêncio e louvor
Na breve primavera violenta
Assim a minha vida …

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

A Casa de Deus

A casa de Deus está assente no chão
Os seus alicerces mergulham na terra
A casa de Deus está na terra onde os homens estão
Sujeita como os homens à lei da gravida…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Beira-Mar

Mitológica luz da beira-mar
A maré alta sete vezes cresce
Sete vezes decresce o seu inchar
E a métrica de um verso a determina
Crianças brincam nas ondas peq…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Tu Que Esculpes No Ar o Vento Musculado

Belo é o teu sorriso sem cabeça
A tua alegria lutadora e veemente
Que vai pesando uma por uma as proas dos navios

Belo é o teu passo impetuoso
Ó portad…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Navegadores

Esses que desenharam os mapas da surpresa
Contornando os cabos e dando nome às ilhas
E por entre brilhos espelhos e distâncias
Por entre aéreas brumas irisadas

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Deus Recebe Em Seu Silêncio Puro

O sonho do arquitecto

E dá-te a plenitude da morada
De que foste projecto

Para tudo se tornou tarde
Até para o mar e para o vento
A tua mort…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Harpa

A juventude impetuosa do mar invade o quarto
A musa poisa no espaço vazio à contraluz
As cordas transparentes da harpa

E no espaço vazio dedilha as cordas r…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Anjos Sem Asas Meus Anjos Pesados

De boca sem voz
As fadas que disseram os maus fados
Falavam de vós

De mãos dadas em círculos dançantes
Infinita valsa
Todos brilhavam como diamant…

1 223
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Aviões

Amanhã voltarei ao ritmo solar
No céu azul os aviões passarão
Quasi devagar

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Como Esquecida Voz de Um Amor Muito Antigo

Desgarram-se no ar as pancadas de um sino
A casa onde moro não fica rente às águas da laguna
Mas a parede é branca e vê-se o rio
E embora hydras e fúrias nos desf…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Olhos

É fácil desenhar olhos que divagam
Pelo quadro todo
Mas só até ao instante em que se tornam
Os que vão à proa do barco

Olho do piloto fito
No real…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

O Infante

Aos homens ordenou que navegassem
Sempre mais longe para ver o que havia
E sempre para o sul e que indagassem
O mar a terra o vento a calmaria
Os povos e os …

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Enigmáticos, Desertos E Suspensos

Os espaços vermelhos do poente,
Países de completa maravilha,
Cobrem o campo morto dos destroços

Um por um morremos olhos fitos
No caminho dos deuses.<…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Brasil 77

«Em vosso e meu coração»
Manuel Bandeira

Brasil dos Bandeirantes
E das gentes emigradas
Em tuas terras distantes
As palavras portuguesas
Fica…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Alentejo

A pequena povoação as pedras
Da calçada
Os muros brancos — a ponta do telhado
Se revira como a mão da bailarina
Chinesa —
A loja de barros: tigelas e ce…

1 442
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Narciso

Um longo barco é no silêncio agudo
Outro Narciso em busca do retrato.
29 de Novembro de 1949

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Eurydice Em Roma

Por entre clamor e vozes oiço atenta
A voz da flauta na penumbra fina

E ao longe sob a copa dos pinheiros
Com leves pés que nem as ervas dobram
Intensa…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Notas

AS ILHAS
1. Os poemas I e III são invocações da voz de Camões.
2. O poema VII é um poema sobre Dom Sebastião.
DERIVA
3. O poema IV é uma invocação de Bartolo…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Tejo

Aqui e além em Lisboa — quando vamos
Com pressa ou distraídos pelas ruas
Ao virar da esquina de súbito avistamos
Irisado o Tejo:
Então se tornam
Leve o …

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