Poemas

Lista de Poemas

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Xiii. Canção Rente Ao Nada

Canção rente ao nada
No silêncio quieto
Da noite parada

Como quem buscasse
Seu rosto e o errasse
1982

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Escrevi As Navegações

Na longa viagem, à ida, de madrugada, quando as cortinas ainda estavam corridas, e a cabine estava ainda na penumbra, ouvi o microfone dizer a meia voz:
— Estamos a sobrevo…

1 358
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Ponte de Spoleto

Sob os claros arcos da ponte romana
Onde ressoa ainda o passo das legiões imperiosas
Lá em baixo o leito do rio
Selvático e penumbroso
Interior às memórias i…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

A Koré

Alta e solene mais alta do que a luz
A pesada palidez sagrada do Pártenon
Reina sobre o dia

Folhagens dançam movidas pelo vento

Na mesa ao lado a…

659
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Xiv. Através do Teu Coração Passou Um Barco

Através do teu coração passou um barco
Que não pára de seguir sem ti o seu caminho
1982

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

A Princesa da Cidade Extrema Ou a Morte Dos Ritos

Quando o palácio do rei do Estio foi invadido
Isô princesa da Cidade Extrema
Inclinou gravemente a cabeça pequena
E em seu sorriso de coral os dentes brilharam co…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

As Parcas

Atropos a terceira o fio corta

Fulvas Ménades em tigres transformadas
Já seu corpo dividem membro a membro
E o sangue bebem vinho de Setembro

Seu…

690
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Xv. Inversa Navegação

Inversa navegação
Tédio já sem Tejo
Cinzento hostil dos quartos
Ruas desoladas
Verso a verso
Lisboa anti-pátria da vida
1978

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Tríptico Ou Maria Helena, Arpad E a Pintura

I
Eles não pintam o quadro: estão dentro do quadro
II
Eles não pintam o quadro: julgam que estão dentro do quadro
III
Eles sabem que não estão dentro do…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

O Poeta Sábio

É sábio hábil arguto informado
Porém quando ele escreve
As Ménades não dançam

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

O Príncipe Bastardo

O príncipe bastardo António Prior do Crato
Morreu no exílio não conquistou seu reino
E aqueles que invocou não o coroaram

Entre ele e seu destino havia um o…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Salgueiro Maia

Aquele que na hora da vitória
Respeitou o vencido

Aquele que deu tudo e não pediu a paga

Aquele que na hora da ganância
Perdeu o apetite

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Glosa de Um Texto de Plutarco

Nada mais assustador nada mais sublime
Do que ver os lacedemónios em ordem de combate
Quando avançam para a fúria da batalha
Ao som da flauta

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Ondas

Onde — ondas — mais belos cavalos
Do que estas ondas que vós sois
Onde mais bela curva do pescoço
Onde mais longa crina sacudida
Ou impetuoso arfar no mar im…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Escrita Ii

Escreve numa sala grande e quase
Vazia
Não precisa de livro nem de arquivos
A sua arte é filha da memória
Diz o que viu
E o sol do que olhou para sempre…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Orpheu E Eurydice

Juntos passavam no cair da tarde
Jovens luminosos muito antigos

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Senhor

Senhor sempre te adiei
Embora sempre soubesse que me vias
Quis ver o mundo em si e não em ti
E embora nunca te negasse te apartei
1987

1 310
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Memória

Mimesis. E vós Musas filhas da memória
De leve passo nos cimos do Parnaso
Suave a brisa — a fonte impetuosa
Princípio fundamento rosto-início
Espelho para se…

1 431
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Xvi. Há No Rei de Chipre

Há no rei de Chipre
Um certo mistério
Não só o ser grego
Sendo tão assírio
Mas certo sossego
E certo recuo
Entre duas guerras —
Seu corpo de e…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Orpheu

Orpheu
seu canto alto e grave
O canto de oiro o êxtase da lira

Orpheu
A palidez sagrada de seu rosto
Que de clarões e sombras se ilumina

1 278
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Cânon

Sombrios profetas do exílio abandonai vosso vestido de cinza
Pois o Filho do Homem na véspera da sua morte
Se sentou à mesa entre os homens
E abençoou o pão e o v…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

À Maneira de Horácio

Feliz aquele que disse o poema ao som da lira
À mesa do banquete entre os amigos
E coroado estava de rosas e de mirto

Seu canto nascia da solar memória dos …

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Vieira da Silva

Atenta antena
Athena
De olhos de coruja
Na obscura noite lúcida
1994

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Fernando Pessoa

Com o sobretudo abotoado até ao queixo
Embiocado afastado
No lugar mais escuro do café escrevia
O múltiplo poema o canto inumerável
Arrancado ao desejo à pai…

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