Poemas

Lista de Poemas

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Roma

à memória de meu irmão Thomaz

O belo rosto dos deuses impassível e quebrado
A noite-loba rondando nas ruínas
A veemência a musa
Colunas e colinas
…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Fernando Pessoa

Com o sobretudo abotoado até ao queixo
Embiocado afastado
No lugar mais escuro do café escrevia
O múltiplo poema o canto inumerável
Arrancado ao desejo à pai…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Orpheu E Eurydice

Juntos passavam no cair da tarde
Jovens luminosos muito antigos

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Oriente

Este lugar amou perdidamente
Quem o cabo rondou do extremo Sul
E a costa indo seguindo para Oriente
Viu as ilhas azuis do mar azul
………………………………………
Viu p…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Ode À Maneira de Horácio

Feliz aquela que efabulou o romance
Depois de o ter vivido
A que lavrou a terra e construiu a casa
Mas fiel ao canto estridente das sereias
Amou a errância o…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Métrica

O poema clássico compõe seu contraponto olímpico
Entre o fogoso sopro e o vasto espaço da sílaba medida
Inventa a ordem sem lacuna onde nada
Pode ser deslocado ou…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Ménades

As antigas Fúrias tinham as pupilas vermelhas
Os cabelos eriçados de serpentes
As mãos pesadas a boca sequiosa
De puro sangue a cara tatuada

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

A Koré

Alta e solene mais alta do que a luz
A pesada palidez sagrada do Pártenon
Reina sobre o dia

Folhagens dançam movidas pelo vento

Na mesa ao lado a…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

As Parcas

Atropos a terceira o fio corta

Fulvas Ménades em tigres transformadas
Já seu corpo dividem membro a membro
E o sangue bebem vinho de Setembro

Seu…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Cá Fora

Abre a porta e caminha
Cá fora
Na nitidez salina do real
Junho de 1994

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

A Princesa da Cidade Extrema Ou a Morte Dos Ritos

Quando o palácio do rei do Estio foi invadido
Isô princesa da Cidade Extrema
Inclinou gravemente a cabeça pequena
E em seu sorriso de coral os dentes brilharam co…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

À Maneira de Horácio

Feliz aquele que disse o poema ao som da lira
À mesa do banquete entre os amigos
E coroado estava de rosas e de mirto

Seu canto nascia da solar memória dos …

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Xvi. Há No Rei de Chipre

Há no rei de Chipre
Um certo mistério
Não só o ser grego
Sendo tão assírio
Mas certo sossego
E certo recuo
Entre duas guerras —
Seu corpo de e…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Carta a Maria do Carvalhal Alvito

Querida Maria — subitamente o fino
Deste primeiro frio misturado
Com um sabor de lenha e de maçã
Algo recorda: tacteio na memória
Procurando o onde o quando …

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Ondas

Onde — ondas — mais belos cavalos
Do que estas ondas que vós sois
Onde mais bela curva do pescoço
Onde mais longa crina sacudida
Ou impetuoso arfar no mar im…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

A Activista Cultural

O passo decidido não acerta com o cismar do palácio
O ouvido não ouve a flauta da penumbra
Nem reconhece o silêncio
O pensamento nada sabe dos labirintos do tempo…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Hélade

Colunas erguidas em nome da imanência
— Deuses cruéis como homens vitoriosos

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Xv. Inversa Navegação

Inversa navegação
Tédio já sem Tejo
Cinzento hostil dos quartos
Ruas desoladas
Verso a verso
Lisboa anti-pátria da vida
1978

1 208
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Não Te Esqueças Nunca

Não te esqueças nunca de Thasos nem de Egina
O pinhal a coluna a veemência divina
O templo o teatro o rolar de uma pinha
O ar cheirava a mel e a pedra a resina

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Glosa de Um Texto de Plutarco

Nada mais assustador nada mais sublime
Do que ver os lacedemónios em ordem de combate
Quando avançam para a fúria da batalha
Ao som da flauta

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Childe Harold — Canto Quarto

I

Era sombrio arrogante belo e coxo
Perseguido
Pela insondável paixão do mais vedado
E amava unicamente o mais perdido

Mulheres de longos ca…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Tríptico Ou Maria Helena, Arpad E a Pintura

I
Eles não pintam o quadro: estão dentro do quadro
II
Eles não pintam o quadro: julgam que estão dentro do quadro
III
Eles sabem que não estão dentro do…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Elegia

Aprende
A não esperar por ti pois não te encontrarás

No instante de dizer sim ao destino
Incerta paraste emudecida
E os oceanos depois devagar te rodea…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Arte Poética

A dicção não implica estar alegre ou triste
Mas dar minha voz à veemência das coisas
E fazer do mundo exterior substância da minha mente
Como quem devora o coraçã…

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