Poemas

Lista de Poemas

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Estações do Ano

Primeiro vem Janeiro
Suas longínquas metas
São Julho e são Agosto
Luz de sal e de setas

A praia onde o vento
Desfralda as barracas
E vira os …

2 161
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Dual

Dois cavalos a par eu conduzia
Não me guiava a mim mas meus cavalos

E no país de espanto e de tumulto
Em mim se desuniu o que eu unia

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Iii. Ausentes São Os Deuses Mas Presidem

Ausentes são os deuses mas presidem.
Nós habitamos nessa
Transparência ambígua.

Seu pensamento emerge quando tudo
De súbito se torna
Solenemente e…

1 318
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

«À Maneira De…»

Síntese a linha clara — em seu
Horizonte a luz se desfere. Opaca (ela)
De nós se nutre como lume aceso

1 196
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Fechei À Chave

Fechei à chave todos os meus cavalos
A chave perdi-a no correr de um rio
Que me levou para o mar de longas crinas
Onde o caos recomeça — incorruptível

1 365
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

V. Dos Homens Nus E Negros Contarei

Dos homens nus e negros contarei
E de como não havendo já connosco
Quem de seu falar algo entendesse
Juntos dançámos pra nos entendermos
1982

1 324
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Vi. Irmão do Que Escrevi

Irmão do que escrevi
Distante me desejo
Como quem ante o quadro
Pra melhor ver recua.
Mas tu, Neera, impões
Leis que não são as minhas.
Teus pés ba…

1 463
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Em Memória

Por Goa sacrificado
Foi morto e foi esquecido

Malhas que o império tece
Mesmo depois de perdido

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Separados Fomos

Separados fomos por cítaras e canto
E pelos longos poemas silabados
E entre nós dois deitaram-se paisagens
Que nos mantinham imóveis e distantes

Embora…

1 112
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Ix. Cidades E Ciladas

Cidades e ciladas
Mas também
O pasmo de tão grande arquitectura
As sedas os perfumes a doçura
Das vozes e dos gestos

Os grandes pátios da noite e …

1 183
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Iv. Falamos Junto À Luz. Lá Fora a Noite

Falamos junto à luz. Lá fora a noite
Imóvel brilha sobre o mar parado.
À sombra das palavras o teu rosto
Em mim se inscreve como se durasse.

1 380
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Vii. Eros, Neera, Sacudiu Os Seus

Eros, Neera, sacudiu os seus
Cabelos sobre a testa larga e baixa
Eros-Neera-Antinoos
Irrompe no terraço.

Palmeiras nas ruínas de Palmira.
Eros poi…

1 145
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Maria Helena Vieira da Silva Ou o Itinerário Inelutável

Minúcia é o labirinto: muro por muro
Pedra contra pedra livro sobre livro
Rua após rua escada após escada
Se faz e se desfaz o labirinto
Palácio é o labirint…

1 422
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Torso

Torcendo o torso virava o volante da escavadora
Ao cair da tarde num Setembro do século XX
Na estrada que vai de Patras para Atenas

Combatia no poente sua b…

1 289
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Ii. Navegação Abstracta

Navegação abstracta
Fito como um peixe o voo segue a rota
Vista de cima tornou-se a terra um mapa

Porém subitamente
Atravessámos do Oriente a grande po…

1 088
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Iv. Aqui Viu o Surgir Em Flor Das Ilhas

«Dolce color d’oriental zaffiro»
Dante, Purgatório, Canto I, terceto 5

Aqui viu o surgir em flor das ilhas
Quem vindo pelo mar desceu ao sul
E o cabo c…

1 157
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Exílio

Exilámos os deuses e fomos
Exilados da nossa inteireza

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Iii. À Luz do Aparecer a Madrugada

À luz do aparecer a madrugada
Iluminava o côncavo de ausentes
Velas a demandar estas paragens

Aqui desceram as âncoras escuras
Daqueles que vieram proc…

738
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Iv. Ele Porém Dobrou o Cabo E Não Achou a Índia

Ele porém dobrou o cabo e não achou a Índia
E o mar o devorou com o instinto de destino que há no mar
1982

1 410
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Estrada

Passo muito depressa no país de Caeiro
Pelas rectas da estrada como se voasse
Mas cada coisa surge nomeada
Clara e nítida
Como se a mão do instante a recorta…

720
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Tripoli 76

I

Cruzam-se muitas e diversas gentes
Vindas de muitos e diversos mundos
Vestindo muitas e diversas roupas
Falando muitas e diversas línguas
Vêm de…

1 179
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

A Rapariga E a Praia

Uma rapariga vai como uma espiga
São cor de areia suas pernas finas
Seu íris é azul verde e cinzento

Uma rapariga vai como uma espiga
Carnal e cereal i…

1 323
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Ariane Em Naxos

Tu Teseu que abandonadas amadas
Junto de um mar inteiramente azul
Invocavam deixadas
No deserto fulgor de Junho e Sul

Junto de um mar azul de rochas ne…

1 377
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Projecto Ii

Esta foi sua empresa: reencontrar o limpo
Do dia primordial. Reencontrar a inteireza
Reencontrar o acordo livre e justo
E recomeçar cada coisa a partir do princíp…

1 106